Alívio: Johnny é condenado a 18 anos de prisão por Feminicídio contra Pâmela

Lúcio Borges

A quarta-feira (25), a exatamente um ano da morte de Pâmella Jennifer Garicoi, então com 32 anos, foi o dia do julgamento e da enfim condenação do ex-marido da jovem, Johnny Teodoro de Souza, 34 anos. Ele, que atirou a queima roupa na mulher em 23 de março de 2017, no local de serviço dela, cometeu um feminicídio claro, crime de gênero, por ciumes e violência domestica. Souza atingiu a jovem na cabeça, levando a mesma ao hospital por 32 dias, onde chegou ao óbito em 25 de abril do ano passado. O Página Brazil antecipou noticia do julgamento, que ontem não foi presenciado pelo réu, que se negou a falar e pediu para não acompanhar a própria sessão, que mesmo sem sua presença, o condenou a 18 anos e 6 meses de prisão.

O julgamento ocorreu pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, com o conselho de sentença do júri popular, decidindo que o réu assassinou a ex por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. A vítima e o agressor foram casados por 11 anos, com relacionamento conturbado, principalmente nos últimos quatro anos, onde ela até registrou sete boletins de ocorrência contra o homem, sendo o último no dia do crime. Deste relacionamento, eles tiveram uma filha, hoje com seis anos, mas ele não aceitava o fim do casamento a cerca de então um ano.

O inicio da ação deve a defesa de Johnny até não pedindo sua absolvição, confirmando até que o crime foi pela questão de gênero, mas pediu ao júri a exclusão de duas qualificadoras: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. “Eu tenho raiva dele, vocês têm raiva dele, mas não houve motivo torpe, além do próprio feminicídio, que tem na sua essência o motivo torpe”, afirmou o Defensor Público Gustavo Henrique Pinheiro da Silva.

Contudo, o promotor Douglas Oldegardo dos Santos, defendeu que ele fosse condenado por homicídio triplamente qualificado. Testemunhas foram ouvidas e o vídeo do momento em que Johnny invade a loja de gesso em que a vítima trabalhava e atira contra ela. “É o caso clássico de machismo e da dominação da mulher. É torpe o crime, é torpe porque é asqueroso, é torpe porque é nojento, é torpe porque dá medo”, afirmou o promotor, que reforçou ainda o histórico de violência contra a vítima, que já havia registrado seis boletins de ocorrência contra o ex, o último horas antes de ser morta.

Sentença

Por maioria dos votos, o conselho de sentença decidiu pela condenação com as três qualificadoras e o juiz Aluízio Pereira dos Santos, fixou a pena em 18 anos e seis meses de prisão em regime fechado.

 Veja penúltima matéria do Página Brazil que acompanha a situação, onde contem outros dados, extra-oficiais, de nossa reportagem, dos setes condenado em 2017/2018, pelo crime de violência seguido ou tentado de morte contra a mulher.

Crime

O crime teve inicio na tarde do dia 23 de março de 2017, após Pâmela registrar um boletim de ocorrência contra Jhonny, e, retornar a seu trabalho, em uma loja localizada na Avenida Mascarenhas de Moraes, na Capital. Na frente do estabelecimento comercial, ela já teria sido abordada pelo acusado, para quem contou sobre sua ida à delegacia. Ela teria entrado na loja, ao passo que o antigo companheiro saíra do local a mando do dono do comércio.

A sequência foi logo depois, enquanto a jovem estava sentada à sua mesa, odne foi surpreendida pela invasão do ex-marido, já com uma arma em punho. Ele aproximou-se dela rapidamente e disparou, acertando seu pescoço. Logo em seguida, o homem tentou se matar com um tiro no próprio rosto. Vítima e autor, contudo, não morreram, sendo encaminhados para a Santa Casa. Embora ele tenha sobrevivido à tentativa de suicídio, sua ex-esposa faleceu cerca de um mês após o ocorrido.

Juri Popular

Em sentença de pronúncia proferida em dezembro de 2017, o juiz titular da vara, Aluizio Pereira dos Santos, decidiu pelo julgamento do acusado por júri popular. Ele responderá pelo crime de feminicídio, qualificado pelo motivo torpe e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima.

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