Alimentação pesou na inflação de Campo Grande em fevereiro

O Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Uniderp aponta que vestuário, saúde e habitação também colaboraram

O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) de fevereiro ficou em 0,53%, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp. O resultado foi motivado por altas nos índices dos grupos Alimentação, Vestuário, Saúde e Habitação. “A alimentação se destacou pela alta de 2,54% em relação a janeiro, sendo o feijão o grande vilão do grupo”, explicou o coordenador do Nepes da Uniderp, Celso Correia de Souza.

Apesar do indicador de fevereiro ter sido maior que o registrado em janeiro (0,24%), o pesquisador considera que a inflação para o mês está dentro da normalidade. “Foram registradas significativas deflações nos grupos Educação, Despesas Pessoais e Transportes que ajudaram a segurar o crescimento da taxa mensal”, completa Celso.

A inflação acumulada nos últimos doze meses está em 3,89%, abaixo do centro da meta de 4,25% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CNM) para 2019. Considerando os dois primeiros meses do ano, o acumulado é de 0,77%.

Para Celso, o novo método de formação de preços da Petrobrás auxiliou na queda dos valores da gasolina e do etanol, ajudando a retardar o crescimento da inflação mensal. Além disso, “o alto nível de desemprego, as altas taxas de juros praticadas na economia do Brasil, o endividamento da população, e a redução do consumo são fatores que têm ajudado a controlar a taxa”, na visão do pesquisador.

Segmentos

O grupo Habitação, que possui o maior peso de contribuição para o cálculo do índice mensal, fechou o mês com índice 0,17%, em relação a janeiro. Os principais aumentos registrados no grupo foram com saponáceo (7,18%); esponja de aço (7,11%) e conta de telefone convencional (6,70%). Quedas de valor ocorreram com inseticida (-6,21%), detergente (-4,82%), desinfetante (-4,43%), entre outros.

O grupo Alimentação apresentou uma forte inflação em fevereiro: 2,54%, resultado reflexo do clima muito severo nas regiões produtoras de alimentos, principalmente, frutas e legumes, o que resultou em majorações e reduções de preço expressivas. “Esse grupo sofre muita influência de fatores climáticos e da sazonalidade de alguns de seus produtos”, considera de Celso Correia.

No topo das altas no grupo ficou o feijão, que atingiu 83,82%. Outros aumentos expressivos foram constatados com a batata (45,35%) e chuchu (38,08%). Em relação as reduções, os destaques são: limão (-34,49%), caldo de carne e de galinha (-23,52%), fubá (-12,66%), entre outros alimentos com menores índices.

Em relação à carne bovina, nove cortes caíram de preço: músculo (-7,15%), acém (-6,64%), contrafilé (-6,42%), coxão mole (-4,38%), filé mignon (-2,20%), alcatra (-1,85%), picanha (-1,71%), vísceras de boi (-0,60%) e peito (-0,05%). O valor do cupim e do lagarto permaneceram estáveis. Já as altas ocorreram com a paleta (7%), patinho (5,98%), fígado (2,05%) e costela (0,84%). Quanto à carne suína, tiveram aumentos de preços os três cortes pesquisados: costeleta (3,32%), bisteca (3,12%) e pernil (2,06%). O frango resfriado caiu -2,15% e os miúdos de aves aumentaram 3,36%.

O grupo Transportes se destacou pela deflação de -0,18%, devido a quedas nos preços da gasolina (-4,87%) e do etanol (-4,40%). O grupo também teve majorações com passagem de ônibus urbano (6,76%), pneu novo (5,44%) e óleo diesel (2,46%), porém, com peso menor que as quedas constatadas.

A Educação também fechou fevereiro com deflação: -1,55%, motivado por reduções nas mensalidades de curso superior (-2,19%) e em artigos de papelaria (-3,65%). O grupo Despesas Pessoais seguiu o mesmo comportamento e ficou com índice -0,76%, principalmente, devido às reduções com sabonete (-7,69%), fio dental (-6,82%), protetor solar (-6,51%), entre outros produtos.

A Saúde apresentou uma alta de 1,09%, impulsionada por altas nos preços da vitamina e fortificante (5,97%), antigripal e antitussígeno (3,38%), psicotrópico e anorexígeno (2,86%), entre outros. Também foram constatadas quedas de preços com anti-inflamatório e antireumático (-5,63%), antinfeccioso e antibiótico (-1.56%), antialérgico e broncodilatador (-1,54%), entre outros produtos.

Vestiário encerrou fevereiro com alto índice: 1, 52%. Os principais aumentos do grupo foram constatados calça feminina (6,69%), lingerie (6,24%), camiseta masculina (4,75%), entre outras peças.

Maiores e menores contribuições

Os 10 “vilões” da inflação, em fevereiro:

Feijão, com inflação de 83,82% e contribuição de 0,26%;
Conta de telefone fixo, com inflação de 6,70% e contribuição de 0,15%;
Passagem de ônibus urbano, com inflação de 6,76% e participação de 0,14%;
Batata, com variação de 45,35% e colaboração de 0,12%;
Leite pasteurizado, com acréscimo, de 10,34% e contribuição de 0,11%;
Short/bermuda masculina, com variação de 19,14% e colaboração de 0,09%;
Pneu novo, com acréscimo de 5,44% e contribuição de 0,08%;
Óleo diesel, com reajuste de 2,46% e participação de 0,08%;
Café, com elevação de 7,86% e colaboração de 0,05%.
Calça masculina, com aumento de 3,98% e participação de 0,04%;
Já os 10 itens que auxiliaram a reter a inflação, com contribuições negativas foram:

Gasolina, com deflação de -4,87% e contribuição de -0,19%;
Mensalidade de ensino superior, com redução de -2,19% e colaboração de -0,10%;
Etanol, com diminuição de -4,40% e participação de -0,10%;
Pescado fresco, com decréscimo de -8,78% e contribuição de -0,06%;
Acém, com baixa de -6,64% e colaboração de -0,05%;
Contrafilé, com diminuição de -6,42% e participação de -0,04%;
Bebidas alcoólicas, com redução de -2,54% e contribuição de -0,03%;
Alcatra, com decréscimo de -1,85%e colaboração de -0,02%;
Biscoito, com queda de -4,14% e participação de -0,02%;
Frango resfriado, com baixa de -2,15% e contribuição de -0,02%.

 

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