Águas Guariroba desenvolve ecotecnologia para tratar esgoto da Capital

Da Redação/P.F

Foto Divulgação

Na maior Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Campo Grande, a Águas Guariroba mantém uma unidade piloto de polimento do efluente tratado. Antes de voltar para o meio ambiente, parte do esgoto da ETE Los Angeles passa pelo tanque de banhados construídos, ou wetlands, como é conhecido por pesquisadores.

Em busca de formas alternativas de tratar o esgoto, pesquisadores e acadêmicos da área de Engenharia Sanitária e Ambiental se reuniram nesta semana na Capital para discutir o modelo no 3º Simpósio Brasileiro de Wetlands Construídos. O encontro aconteceu na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e terminou na última sexta-feira (26) após uma visita dos participantes à ETE Los Angeles para conhecer o sistema implantando no local.

Coordenador de meio ambiente da Águas Guariroba, o engenheiro ambiental Fernando Henrique Garayo, explica que o wetland é um método de tratamento de esgoto sanitário utilizado principalmente em pequenas comunidades rurais, chácaras, mas que também tem se explorado muito a sua aplicabilidade em populações maiores. “O sistema se baseia praticamente em um substrato poroso, normalmente composto por brita, pedrisco, ou outros materiais, e em cima, no topo a gente tem as espécies de macrofitas, que são plantas aquáticas. O wetland, pelo próprio substrato, já funciona como filtro, e há a ação da zona de raízes dessas plantas, que contribuem para a oxigenação e tratamento desse afluente. Além de que, a planta também exerce a função de capturar alguns nutrientes presentes nesse esgoto”, explica.

O banhado construído na ETE Los Angeles tem uma área de 16 metros quadrados. É uma unidade piloto, perante ao tamanho de estação. Porém, é um wetland que já atenderia uma pequena comunidade de 13 pessoas. “Foram feitas análises que comprovam a eficiência, principalmente em termos de remoção de matéria orgânica. Já conseguimos atingir uma eficiência de 80% de remoção de matéria orgânica. Alguns outros parâmetros de interesse, como fósforo, removemos de 50 a 60%”, afirma Fernando Garayo.

De acordo com Catiane Pelissari, pesquisadora do grupo de estudos em saneamento descentralizado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tratar o esgoto é uma questão primordial, sobretudo em localidades que estão em desenvolvimento. Para ela, a busca por sistemas de baixo custo é fundamental. “O sistema de wetlands construídos vem mostrando adaptar-se muito bem a esse cenário atual do Brasil, e eles estão em constate crescimento em todo esse tempo de pesquisa e implantação ao longo dos anos. Agora as empresas vem aderindo a essa tecnologia, como sistema consolidado de baixo custo, comparado aos sistemas convencionais, pra tratar o esgoto. Se nós não fizermos pesquisas, como é que as empresas vão saber que essa tecnologia funciona? É muito importante a gente pesquisar isso, para depois tornar realidade”, avalia.

Para o coordenador do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental da UCDB, Fernando Jorge Corrêa Magalhães Filho, é importante investir em pesquisas para avançar em eficiência. “Hoje temo sistemas que se preocupam com a remoção de matéria orgânica, precisamos avançar com a remoção de patógenos e principalmente nitrogênio. Essa é uma tecnologia que faz essa remoção. É um sistema de fácil construção e operação. E como queremos melhorar a qualidade dos fluentes, e ter rios melhores, de melhor qualidade, é muito importante discutir nossas tecnologias e avançar com elas”, avalia o professor.

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