Agente da PRF obtém liberdade, mesmo após confirmado brutal crime contra empresário

Lúcio Borges

Foto: divulgação WhatsApp

A eficiência da Justiça ou de certos juízes do Brasil, é estarrecedora tanto na rapidez, como no tipo de decisão, como no caso, do policial Ricardo Hyun Sun Moon, da PRF-MS (Polícia Rodoviária Federal em MS), que matou na manhã do último sábado, 31 de dezembro, o empresário Adriano Correa do Nascimento.  O agente foi preso em flagrante algumas horas depois do crime, mas ganhou a liberdade provisória já na noite deste domingo, 1º de janeiro, mesmo apesar da gravidade, repercussão social do caso e até “confissão” ou confirmação da ocorrência pelo policial, que alega legitima defesa, ante o disparo de sete vezes contra o jovem empresário. A decisão de libertar o PRF, foi do juiz José de Andrade Neto, mesmo em plena noite de domingo e de feriado nacional de Réveillon, considerando que o policial não oferece risco a sociedade.

O crime aconteceu bem no inicio da manhã de sábado (31), mas Ricardo deixou o local, e somente com a repercussão e reconhecimento de imagens divulgadas, ele foi detido em flagrante, após se apresentar à Depac-Centro (Delegacia de pronto atendimento Comunitário), que atendeu a ocorrência e iniciou a apuração do caso. A Policia Civil, pediu a conversão da prisão flagrante em preventiva à Justiça. Porém, o juiz de plantão no Fórum de Campo Grande, apesar de homologar a prisão em flagrante, não concedeu a preventiva, o que coloca Ricardo em liberdade.

Hyun Sun Moon, 46 anos, matou com pelo menos três tiros Adriano Correia, após uma briga de trânsito, já confirmada por ambas as partes, entre depoimento do PRF e extra-oficial dos outros dois ocupantes do carro do empresário, que sobreviveram. O caso ocorreu na Avenida Ernesto Geisel, entre as Ruas João Rosa Pires e logo após a Rua 26 de agosto, quando Adriano ao desviar de um buraco, fechou o veículo do agente, e se iniciou uma discussão, pedidos de conciliação e após a confusão com perseguição, tiros e a execução feita pelo policial. No fim da manhã do sábado, como o Página Brazil noticiou, a policia oficializou nome de empresário morto pelo PRF e que a versão da legitima defesa seria investigada. Contudo,

Adriano Correia (Foto: Reprodução/ Facebook)

a própria policia em nota no fim da tarde, apontou que na hora dos fatos, a versão de legítima defesa não convenceu e a PM agiu conforme o protocolo.

A decisão do magistrado, não levou em consideração o atenuante do caso e muito menos o clamor social. “Apesar de o delito atribuído ao custodiado haver causado certo clamor público, especialmente pelo fato de uma das vítimas ser empresário conhecido nesta Comarca, a jurisprudência pátria, há muito firmou o entendimento no sentido de que o clamor ou a comoção social não constituem, por si só, fundamento idôneos para autorizar a prisão preventiva”, descreve a decisão do juiz.

Não oferece risco social, mas ganha medidas restritivas

O juiz José de Andrade Neto, ainda frisou que Ricardo não tem antecedentes criminais e possui endereço e emprego fixo, não existindo qualquer indício de que, sendo colocado em liberdade, ele poderá vir a colocar em risco a “ordem pública, a instrução criminal ou mesmo a aplicação da lei penal”.

Contudo, o juiz ao mesmo tempo decidiu colocar medidas de restritivas, onde impôs o recolhimento domiciliar no período noturno, devendo o policial – agora afastado- permanecer em casa das 22h às 6h do dia seguinte, não podendo sair do Brasil e de portas arma de fogo. O juiz, suspendeu as atividades como agente da PRF. “Os autos revelam que ele teria abordado o condutor de veículo automotor dentro da cidade, fora de rodovia federal, praticando um ato que estaria absolutamente fora de sua competência funcional”, frisa o juiz na decisão.

Em certa contradição, o juiz ainda acrescenta que a dinâmica do crime revela “até mesmo certo despreparo emocional do custodia para o exercício da atividade policial”, já que o motivo dos disparos foi uma discussão de trânsito que resultou em sete disparos feitos por Ricardo, o que evidencia “excesso de agir e a falta de habilidade técnica para lidar com a situação”.

Passado na polícia

Ricardo, que é da Coreia do Sul, se naturalizou brasileiro em 2010, entrando na PRF em fevereiro de 2016. Segundo colegas, ele demonstrava habilidade no manuseio de armas, já teria tido treinamento no serviço militar obrigatório sul-coreano e também é ex-policial civil do estado de São Paulo. Ele iniciou a carreira policial em 2014, quando foi nomeado agente policial paulista. Ricardo também já participou de competições de tiro defensivo e fuzil esportivo.

O crime

Ricardo conduzia um Mitsubishi Pajero e disparou contra uma Hilux, conduzida pelo empresário Adriano Correia, dono da Sushi Express. A vítima foi atingida com um tiro no pescoço e outros dois no peito. Ele ainda tentou dirigir por alguns metros, mais perdeu o controle da direção e o veículo derrubou um poste de iluminação pública. Ele morreu no local.

No carro ainda acompanhavam o empresário, Agnaldo Espinosa da Silva, 48 anos, e o filho de 17 anos, também foram feridos, mas passam bem. As vítimas continuam na Santa Casa, já fora do atendimento emergencial, e também devem ser ouvidas pela polícia.

Fotos: Lúcio Borges

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