Agência estima que ‘entradas ilegais’ de refugiados na União Europeia chegam a 800 mil

A União Europeia (UE) registrou quase 800 mil “entradas ilegais” de imigrantes desde o início do ano, afirmou Fabrice Leggeri, diretor da agência europeia de vigilância de fronteiras Frontex, em uma entrevista ao jornal alemão Bild.

Refugiados

Leggeri adverte que o fluxo de imigrantes na Europa “provavelmente ainda não alcançou o nível máximo” e pede aos países que detenham as pessoas sem direito de asilo, para que sejam enviados rapidamente a seus países de origem.

O número citado por Leggeri supera as estimativas da ONU e da Organização Internacional para as Migrações (OIM), mas o método de cálculo da Frontex cria a possibilidade de uma única pessoa ser contabilizada várias vezes, segundo a agência.

“Os Estados europeus devem assumir a ideia de que nos espera uma situação muito difícil nos próximos meses”, adverte Leggeri, antes de recordar que a Frontex é responsável pela “vigilância” das fronteiras, mas não pode reenviar os migrantes a seus países.

Ele disse que os “hotspots”, os centros de recepção e registro previstos para as ilhas gregas e na Sicília (Itália), não permitirão absorver o fluxo de demandantes de asilo, pois não permitem uma estadia prolongada. “Aquele que entrou ilegalmente e não tem direito a asilo deve ser reenviado rapidamente ao seu país”, insistiu Leggeri, para quem a UE precisa de “estruturas de recepção” nas quais os migrantes “sejam detidos em caso de necessidade”.

O diretor da Frontex fez um apelo aos países europeus por um “uso mais consequente” de seu direito, previsto pelos textos europeus, de deter por “até 18 meses” um estrangeiro em situação irregular para “organizar sua volta”.

O tema é o principal ponto de discórdia dentro da coalizão de governo na Alemanha, país que recebe o maior número de candidatos ao asilo: os conservadores desejam a criação de “zonas de trânsito” nas fronteiras que permitam reter os imigrantes durante a análise acelerada de seu caso, como nos aeroportos.

Mas os social-democratas rejeitam a ideia e criticam um plano para criar “campos em massa” ou “zonas de detenção”.

Fonte: Jornal do Brasil

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