'Acho que sou afrodescendente, de tanto que apanhei', dispara técnico Dunga

Técnico compara pressão sobre a geração dele com a atual, defende o time e cobra rigor da Conmebol no caso de Cavani

Chile – Com falas curtas e comedido na maior parte da entrevista coletiva desta sexta-feira, Dunga só começou a se expressar na parte final da conversa e acabou disprando uma frase pra lá de polêmica. Questionado se a atual geração brasileira sofre uma cobrança igual ou maior a dele, o treinador fez uma comparação com o sofrimento que os afrodescendentes passaram na história.

“Simples. Nós éramos ruins com sorte. Os outros eram bons com azar. Aquela seleção tinha uma cobrança de 40 anos sem ganhar uma Copa América (time de 1989), 24 anos sem ganhar a Copa do Mundo. Tudo que fazia era de ruim. Até acho que sou afrodescendente, de tanto que apanhei. Os caras olham e batem. Mesmo quando ganha, não vai satisfazer a todos” Mas é uma alegria, um orgulho defender o nosso país. Esse jogadores têm uma pressão enorme, um pouco diferente da nossa, mas muito dura”, desabafou.

Dunga diz que sempre foi perseguido e criticado durante sua carreira de jogador Foto: Reuters
Dunga diz que sempre foi perseguido e criticado durante sua carreira de jogador Foto: Reuters

Fazendo mistério, Dunga preferiu não revelar qual será o time titular do Brasil contra o Paraguai, mas fez questão de expressar sua opinião sobre a polêmica entre o chileno Jara e o uruguaio Cavani. Para o treinador, a Conmenbol precisa ser rigorosa, assim como foi na punião de Neymar, suspendendo o craque brasileiro por quatro partidas pela expulsão contra a Colômbia.

“Não me preocupa. Assim com a Conmebol foi rígida com o Neymar, esperamos que seja com todos. Não queremos vantagem ou desvantagem. Deixa para a Conmebol tomar decisões. Esse tipo de provocação vai ter, sempre teve. Eles escolheu jogador, são várias provocações. Fazem rodízio de faltas, empurra, pisa no pé, puxa o cabelo. Hoje, com o futebol com várias câmeras, dificilmente algo passa, escapa das câmeras. Por isso cada vez mais vai ter a cobrança do jogo limpo, só o futebol. A Conmbebol está aí para ver não só aquele lance, mas tudo que está na partida, serve de aprendizado. Precisam tomar decisões”, disse.

 

 Pelo segundo dia seguido, o Brasil treina com portões fechados. A tendência é que a equipe não sofra mudanças. O time deve ter Jefferson, Daniel Alves, Thiago Silva, Miranda e Filipe Luís, Fernandinho, Elias, Willian e Philippe Coutinho; Robinho e Firmino.

O DIA

Comentários

comentários