30-05-2017 – Demência de Alzheimer: o papel do fonoaudiólogo

*STELLA BACHA

Na última sexta-feira, dia 26 de maio de 2017, houve um grande evento em Campo Grande/MS sobre a Demência de Alzheimer: “Nos Trilhos da Mente”, uma peça de teatro sobre o drama da família e da pessoa com essa demência, organizado e realizado pelos integrantes dos cursos de Medicina e Artes Cênicas da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Após a apresentação da peça, diversos profissionais fizeram parte da mesa de discussão, respondendo a perguntas da plateia que lotou o auditório do Teatro Dom Bosco.

Representei o profissional da Fonoaudiologia, em nome da Associação dos Fonoaudiólogos de Mato Grosso do Sul-AFAMS, a convite do Dr. José Carlos Rosa Pires, médico psiquiatra que esteve à frente da organização do evento. Após o término dos trabalhos, que durou em torno de três horas, incluindo a apresentação da peça de teatro e as discussões, não pude deixar de continuar refletindo sobre o assunto e procurar esclarecer um pouco mais sobre o tema às diversas famílias e pessoas envolvidas, que, no evento, verbalizaram a necessidade de mais acolhimento, informação e tratamento multidisciplinar.

Tratamento Multidisciplinar

É fundamental o tratamento médico medicamentoso, mas há diversas especialidades que podem auxiliar para que o paciente e sua família tenham justa qualidade de vida como: psicólogo, terapeuta ocupacional, dentista, fisioterapeuta, nutricionista, cuidador, dentre outros.

O Trabalho do Fonoaudiólogo

O fonoaudiólogo trabalha com a comunicação como um todo, mas, particularmente com pacientes com a Demência de Alzheimer há o enfoque na linguagem (fala, escrita e matemática), atenção, memória e a alimentação (de maneira especial a deglutição/o engolir).

Quando procurar o especialista?

Em todas as fases da Demência de Alzheimer é possível fazer a intervenção fonoaudiológica, mas quanto antes melhor. Para cada fase haverá um enfoque.

Quando há dificuldade de deglutição, merece atenção emergencial, pois há risco de engasgar e fazer aspiração de alimento. Nestes casos, o fonoaudiólogo precisa ser especializado em Disfagia.

A intervenção individual ou em grupo para o trabalho com a fala, escrita, matemática, atenção e memória, caracterizam o enfoque funcional da linguagem e da comunicação, em que as atividades propostas envolvem conteúdo dinâmico relacionado à história de vida, culinária, cine-debate e autocuidado, dentre outros. Este é o trabalho do fonoaudiólogo especializado em Linguagem e/ou Gerontologia.

* Fonoaudióloga clínica e escolar (CRFa 6-57), Mestre e Doutora em Educação.

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