29-01 – Quem dá as cartas é o bandido

coronel_david

Se formos exemplificar como o pessimismo está tomando conta do país nada mostra melhor que os resultados de uma nova pesquisa do Ibope. A pesquisa indica que para 82% da população o Brasil está no rumo errado, está indo na contramão da direção. Somente 14% entendem que o Brasil está no caminho certo e 4% responderam. A crise política é talvez a grande causadora deste pessimismo generalizado, que é acompanhada por resultados desastrosos no combate à inflação que já chegou aos 10%, junto com os 10% do desemprego. Isto explica porque a popularidade da presidente continua em queda.

O povo não agüenta mais tanta roubalheira, corrupção, violência, zika, dengue…

Como não dá mais também para conviver com a inversão de valores, onde se privilegia mais o bandido que o cidadão de bem e o policial. Como entender como normal que o auxilio reclusão, destinado à família do bandido que está preso, pode atingir o valor de R$971,78, enquanto o salário mínimo, destinado aos trabalhadores, tem o valor de R$880,00? Aí só nos resta chegar à seguinte conclusão: o Estado trata melhor o bandido e sua família do que nós que escolhemos ser honestos.

E a depender deste Congresso que está aí (com tanta gente com pendências na justiça), fica difícil imaginar que leis duras contra os bandidos sejam aprovadas. A inversão de valores está cada vez maior e freqüente. Há uma verdadeira crise de valores, estamos banalizando os conceitos do Justo, do Perfeito, do Certo, do Errado. Tudo é relativo e depende do ponto de vista. Estamos vivendo em um tempo em que tudo parece de ponta cabeça. Quem era criança nos anos 50, 60, até os anos 80, vai se lembrar como era o tratamento rigoroso dos adultos com os menores. Lembro com saudades da época que bastava um olhar dos pais ou professores para os seus filhos e alunos para sentir que estava fazendo alguma coisa errada. Naquela época aprendia-se a respeitar aos mais velhos em todos os sentidos. Essas pessoas educavam e ensinavam o que é certo e errado com rigor, mas ainda sim carinhosamente, sem distorção de fatos, criança era criança. Antes pais eram respeitados cegamente, quando um NÃO era dito, ele que prevalecia mesmo que contrariados, as crianças respeitavam essa autoridade máxima, pai e mãe. Hoje esta relação está tão enfraquecida que é cada vez mais comum o filho não respeitar o pai e nem o aluno respeitar o professor. Isto quando o filho não tem dentro de casa a referência para entrar no mundo do crime.

O fato dos PMs que foram presos em flagrante acusados de terem cometido abusos em um adolescente suscitou esta discussão em boa parte da sociedade.

Mesmo não entrando no mérito das razões que levaram à prisão dos policiais, não posso deixar de reconhecer o sentimento de revolta expressado por parte da sociedade e de diferentes categorias da área da segurança pública na imprensa e nas redes sociais a respeito do assunto. Necessário dizer que ninguém está acima da lei. Ninguém. Quando há denúncia de algum tipo de irregularidade na atividade policial nada mais normal que se abra um procedimento e se apure a denúncia, ouvindo vitimas, acusados e testemunhas, a fim de se formar um juízo de valor sobre o fato. As regras existentes na Polícia Militar tornam obrigatório este procedimento e isto é salutar para a Instituição, pois mostra algo que é normal e inflexível internamente, e, assim, conquista-se o respeito e a confiança da sociedade, que precisa saber que os desvios cometidos são e sempre serão apurados e, caso sejam comprovados, punidos.

Na verdade, o que a sociedade estranhou foi que prevaleceu o testemunho de um adolescente com uma vasta ficha criminal contra a de excelentes policiais, que resultou na prisão dos policiais e a sua manutenção pelo juiz na audiência de custódia, e que perdurou até decisão do Tribunal de Justiça, que relaxou tais prisões.

É bom que se explique que caso sejam condenados pelo crime de lesão corporal leve, os policiais não serão colocados na cadeia porque não há previsão no Código Penal de pena privativa de liberdade para este crime.

O que fica difícil é explicar para a sociedade como o adolescente estava, segundo a versão dos policiais, em uma atitude suspeita juntamente com outra pessoa numa moto, isto mesmo, livre, leve e solto nas ruas, mesmo tendo sido acusado de ter cometido um ato infracional análogo ao estupro de vulnerável, que é aquele em que a vítima é menor de 14 anos? Muito difícil explicar. Ou muito fácil, basta lembrarmos que para menor infrator não é o Código Penal que o julga e sim Estatuto da Criança e do Adolescente. Então, está explicado. Enquanto para os policiais e também para os cidadãos as regras são rígidas, para os bandidos, e, principalmente para os menores infratores as leis são frouxas. É a dualidades das leis antagônicas, segundo o Comandante Geral da PM, Coronel Deusdeth de Oliveira.

Os valores se inverteram. A palavra do ladrão vale mais do que a do bom policial. O marginal nesse país passou a valer mais que o trabalhador.

Comentários

comentários