28-10 – NÃO LEIA: É PAPO FURADO

Pedro1Pedro Mattar

Peço licença aos psicanalistas para dar alguns chutes na entrada da grande área. De subjetividade eu entendo um pouco. Baseado em mim mesmo e experiências que passaram à minha frente, me atrevo a dizer que falta uma porrada de quilometros para o ser humano ter certeza dos seus limites. Nossa mente ainda não foi suficiente testada pra garantir que ela já deu tudo o que pode dar. Tem coisa lá.

Creio que a psicanálise mantém um triângulo das Bermudas sob observação para algumas questões que dizem respeito ao funcionamento da mente humana. É que explicações teóricas sempre recomendam cautela antes de aceitá-las como definitivas. Até porque nada é definitivo. Existem teses, que são respeitadas e servem de rumo às nossas emergências, mas é prematuro achar que as explicações sobre o alcance da nossa capacidade mental estejam desvendadas.

Acredito no poder da mente, pro bem e pro mal. Me soa como um exercício fluídico de mandar mensagens – positivas ou negativas – tipo um transmissor de razoável potência. Tecnicamente não sei explicar, mas imagino que somos capazes, conscientes ou não, de exportar fluídos na direção do que nos interessa.

Quando você se aproxima de um cachorro, com receio da reação dele, por exemplo, ele se apercebe mesmo que você não demonstre gestualmente. Ele capta seus fluídos, sejam eles de temor ou agressivos. Telepatia? A verdade é que comunicações desse tipo não estão muito bem resolvidas, mas a gente sabe que elas funcionam. O que não sabemos é até onde chegam os nossos limites nesses domínios.

É curioso ver o que acontece entre bebês (eles ainda não têm consciência dos riscos e nenhum tipo de mêdo) e cachorros: eles se lambem, não existe temor, só afinidade e instinto de afetividade. São dois animais sem predisposição agressiva, sem mêdo e sem que seja acionado nenhum instinto de defesa, são criaturas afins. Não há o que defender, quando não existe motivação de agredir. Pureza mental é um sentimento identificável e gera reciprocidade de afeto. Relações entre animais e bebês, demonstram que, até uma certa idade (meses) , todos os sentimentos são despoluidos.

Minha tese é a seguinte: a gente nasce bom, autênticos, boa índole, somos gente fina até o momento em que começamos a aprender coisas. A condição de gente boa co meça a ser perdida a partir dai, ao crescermos. O tempo ensina a sacanear e as regras da competição. A socialização gradual é uma etapa de envolvimento nas disputas que a vida impõe, crescemos condicionados a concorrer com o mundo e a merda se acentua durante o caminho. Nos ensinam que é preciso ficar experto, é necessário estar atento e é fundamental ser melhor que os demais.

Bom, misturei as bolas. Tava falando sobre o poder da mente e passei a mentir sobre meu poder de confundir. O fato é que eu percebo que tem coisa além do cerebelo dentro da minha cabeça, uma espécie de núcleo poderoso e mal aproveitado. Deve ocorrer isso também na sua, só que não descobrimos como utilizar essa geringonça.

Um dia a gente vai entender.

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