17-11 – O GRANDE BATACLAN

 

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No fim-de-semana, em Brasília, manifestantes se reuniram diante da Embaixada da França , para prestar solidariedade, enquanto no dia seguinte aos ataques em Paris, o Palácio do Planalto cobria a sede da presidência da República com o bleu-blanc-rouge da bandeira francesa. Foram 132 mortos num dia trágico. No Brasil, os dias são ainda mais trágicos. A média de homicídios dolosos por aqui é bem superior a matança da sexta-feira 13 em Paris. Por aqui são no mínimo 160 mortos por dia. Na França, não chega a 700 o número de mortos por ano. Igual a pouco mais de quatro dias no Brasil. Aqui, os números oficiais mostram 56 mil por ano, mas pesquisa da Universidade Federal de Minais Gerais estima bem mais do que isso.

Comparando com a França , matar 132 numa noite lá , equivale a assassinar  quase 12 mil brasileiros na mesma noite. Por isso, lá foi uma grande tragédia 132 homicídios. Aqui, seria até uma boa notícia: a redução de nossa tragédia de 160 Mortos por dia. Havia brasileiros no Bataclan, mas todos sobreviveram. Talvez por estarem acostumados com a violência e estarem com defesas intuitivas, aprendidas na rotina de medo e insegurança das cidades brasileiras.

Já nos habituamos com a morte violenta, os assaltos, os roubos, os fuzis, os sequestros, as explosões, a crueldade. Mas nos solidarizamos com os franceses e não com nós mesmos. As 160 vidas tiradas a cada dia perderam o valor. São pequenos dramas domésticos que se perdem na rotina e nem chegam aos jornais. Vidas brasileiras sem valor. Não tem o valor dos mortos franceses. Não pensamos em fazer manifestações diante do Palácio do Planalto, do Ministério da Justiça ou do Congresso. Nem cobrir esses palácios de verde e amarelo. Cobrimos o Cristo Redentor com as cores do Brasil só quando a seleção ganha no futebol. Bendita Alemanha que nos privou dessa ignomínia .

O presidente da França , Francois Hollande, disse que os ataques foram um ato de guerra. Aqui, o crime mata mais de 60 mil por ano, superando a guerra na Síria e não reagimos. Não declaramos guerra ao crime. Não  exigimos mudança  das leis e regulamentos que nos desarmam e castram nossa capacidade de defesa. Não tomamos partido da polícia, que se sacrifica por nós, a despeito das leis que dão direitos aos bandidos. Não exigimos de nossos representantes na Câmara e no Senado leis mais eficazes que estejam contra bandidos e protejam os direitos humanos das vítimas. O maior direito, que é o direito à vida, quando é desprezado, significa a barbárie já estabelecida. É o que a França quer evitar. Aqui, não evitamos e estamos todos refréns dentro de um grande Bataclan.

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