13-08 – Basta à violência. Basta à corrupção que permite a violência!

David tarja

Para quem viu a cena não houve quem não se emocionasse com as palavras, entrecortadas pelo choro incontido, de Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro, pai de Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior, o Juninho, como era chamado o jovem, de 17 anos, que foi assassinado na madrugada de sábado (1º de agosto), em Charqueadas, região metropolitana de Porto Alegre. Juninho levou socos, pontapés e garrafadas na cabeça ao sair de uma festa.

A festa era para arrecadar fundos para os formandos de uma escola da cidade. Ronei foi buscar o filho de carro na saída. O garoto pediu para ele dar carona a um casal de amigos, da cidade vizinha de São Jerônimo, pois em Charqueadas, cidade gaúcha de menos de 100 mil habitantes, uma das diversões dos bondes, como são chamadas as gangues no Sul, é agredir pessoas de fora.

Foi o que aconteceu. Juninho e os dois amigos foram atacados por diversos jovens do bonde “Abas Retas”. O pai foi agredido ao tentar salvar os garotos.

Sofrimento. Revolta. Tristeza. Caberiam aqui muitas palavras para expressar o sentimento de um pai que, segundo ele mesmo, foi incapaz de conter as agressões ao seu filho que o levaram à morte.

Oito adultos já estão presos. Seis adolescentes já estão numa unidade de internação, por ordem da justiça. Eles foram identificados como autores de um crime que chocou o país, como outros que acontecem diariamente e que também causam dor e revolta nas famílias que ficam enlutadas. Os adultos poderão ser condenados a 30 anos de prisão. Os adolescentes, por causa do ECA, serão condenados, no máximo, a três anos de internação. É a impunidade que já se tornou regra no país.

No domingo passado foi comemorado o dia dos pais. Imagine como foi o dia, que era pra ser mais um dia feliz junto com sua família, para o seu Ronei, pai do Juninho, seu único filho. E como foi o dia dos outros pais que perderam seus filhos para a violência? E para os filhos que perderam seus pais para esta mesma violência? Certamente para os pais e filhos dos vários Juninhos que sucumbiram ante a violência o dia dos pais foi bastante triste.

Chocante também foi o que aconteceu em São Paulo, onde um jovem de 22 anos, Guilherme Lozano, skinhead e neonazista, com antecedentes criminais na policia, matou a tia com um golpe de jiu-jitsu, o famoso mata-leão. Para manter seu crime no anonimato ele esquartejou e guardou as partes do corpo da tia no freezer. Guilherme já tinha condenação de 15 anos de prisão por homicídio de um integrante de um grupo de punk rival, em 2011. Só ficou 08 meses preso. É a impunidade, mais uma vez, sendo regra no nosso cotidiano.

A violência vem ganhando força, pois vivemos num país que se esqueceu de proteger seus cidadãos. Que se esqueceu de investir em educação. Que permite aos criminosos cometerem crimes e, pouco tempo depois, já soltos, de volta nas ruas, vão fazer a sociedade sofrer novamente. Isto porque vivemos num país onde o desvio do dinheiro público, cada vez mais comum, impede que os recursos permitam investimentos para uma segurança melhor, uma saúde preventiva e uma educação de qualidade.

A corrupção é a origem de todos os males. Se deixarmos acontecer ela provavelmente vai matar muitas pessoas que dependeriam dos recursos desviados para ter uma chance para viver.

Mesmo vivendo numa sociedade pretensamente civilizada, temos que bradar um grito de basta! Não é mais possível conviver de forma passiva com os tiros, facadas, garrafadas e outras formas de violência letal contra a liberdade e a vida. Não é mais possível conviver com a desfaçatez de alguns que desviam o dinheiro público para outro lugar que não seja a devida aplicação nas necessidades da população.

Enfim, corrupção e violência são faces, às vezes nem sempre distintas, de uma barbárie que vem se banalizando no nosso dia a dia. Temos que nos unir, mas dentro de uma reação pautada pelas nossas leis e pela Constituição, porém temos que ser firmes e deixarmos de ser submissos. O crime organizado, a corrupção ativa e passiva, como tantos outros abusos inqualificáveis, e a violência quase sempre gratuita contra a liberdade e a vida não podem continuar tendo o privilégio da impunidade. É necessária a reação de todos os segmentos sociais, e também do Estado por seus poderes e autoridades, antes que se faça fila para os velórios de todos os dias e continue a se meter descaradamente a mão no bolso dos indefesos, principalmente dos aposentados, dos economicamente carentes e dos desempregados. Não podemos mais nos iludir com pessoas que fazem discursos a plenos pulmões para uma platéia ansiosa por coisas boas do poder público, mas que nos bastidores cometem crimes inomináveis contra esta mesma platéia.

Os cidadãos que choraram no domingo passado por não terem mais a presença de seus entes queridos e que vêem seus direitos irem minguando dia a dia, devem ter se perguntado: que país é este? Por isso não deixe que o choro e a tristeza do seu Ronei se espalhem. Não deixe que a sua casa seja atingida por este choro, por esta tristeza. Fiscalize. Exerça seu direito. A sua insatisfação, o seu protesto, o seu grito, pode criar uma rede de proteção pra você e sua família.

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