Deputados voltam a contestar “nomes em lista da JBS” apresentado até cheques recebidos

Lúcio Borges

Deputado Marcio Fernandes que distribuiu cópias de cheques que recebeu e afirmou ao lado de seu líder, Eduardo Rocha, que todos do PMDB receberam igual (Foto: Lúcio Borges)

Os deputados estaduais falaram novamente nesta quarta-feira (24) sobre a lisura nas doações para campanhas eleitoral para qual foram eleitos em 2014, e contestaram a delação de dono da JBS, a respeito de propinas. O assunto voltou hoje, aos microfones da AL-MS (Assembleia Legislativa de MS), como ocorreu ontem em debates contra e a favor de investigações no caso das acusações ao governador Reinaldo Azambuja, como na questão que envolve pelo menos 14 parlamentares e um total de 31 políticos do Estado. Veja abaixo a lista, onde todos estão nas afirmações de denúncias do empresário Joesley Batista e do diretor de Relações Institucionais do Grupo JBS, Ricardo Saud, que detalharam, mediante delação, suposto esquema de distribuição de propinas a políticos de todo o Brasil.

Os discursos ou continuidade ao assunto, segundo Mara Caseiro (PSDB), que foi a primeira a subir na tribuna, porque a imprensa nacional e local, ampliaram reportagens colocando os nomes deles na “lista da JBS”, como se ela/eles tivessem feito parte dos supostos crimes. Os membros do Legislativo de MS, alegam que até houve repasse de recursos as campanhas, por meio dos partidos, mas tudo por meio legal e nada via negociações ou “em dinheiro vivo” ilegal, da JBS, até mesmo porque a então empresa, seria de total lisura e reputação ilibada.

“A situação está deturpada. Querem deturpar as coisas. Colocar nosso nome para ser explorado injustamente e ilegalmente. Eu recebi sim, recursos que porventura veio da JBS, mas via partido, em doação legal, registrada e aprovada em prestação de contas, que todos os candidatos receberam e como funcionava. Se em 2014 era permitido receber essas doações, não tem nada de errado nisso. Usamos esse dinheiro para material de campanha e pagar colaboradores, tudo legalmente. Além de que se há três anos até eu soubesse e viesse a empresa me procurar, eu iria ficar orgulhosa, pelo reconhecimento de um então grande grupo empresarial. Hoje, ela se apresenta nesta situação criminosa e que arrasou, roubou o Brasil”, discursou Mara Caseiro.

O deputado Marcio Fernandes (PMDB), também com recurso recebido via chapa majoritária, disse que sua prestação de contas está aprovada e está provando, andando com os documentos na mão, que mostram a origem desses recursos, que incluíram meu nome ou todos nesta “lista da JBS”. “Na época da eleição eu estive na chapa de partido aliado ao PMDB e recebi recurso da majoritária, um cheque de R$ 25 mil. Prestei contas, que foi aprovada pelo Tribunal Eleitoral, nunca soube que era recurso doado pela JBS. Além de que, este dinheiro é de conta oficial, que teria então de outras empresas. Era da campanha, do comitê registrado, está aqui no cheque o nome da coligação”, disse o parlamentar, mostrando cópias de então folha de cheque que teria recebido.

Do partidos ou empresa que repassam, ninguém vai ‘perguntar’ a origem

“Em 2014 era permitido doação de pessoa jurídica. Eu tenho em mãos a prestação de contas para provar que recebi R$ 25 mil em doações da coligação. Eu não recebi propina alguma ou pagamento dissimulado de ninguém. Tudo está oficialmente e legalmente declarado. Eu não sabia que o partido tinha recebido da JBS, eu nem sei quem é esse cidadão da JBS, nunca me prestei a votar nada que beneficie a JBS. Que culpa nós temos?”, questionou o deputado Lídio Lopes (PEN).

Eduardo Rocha (PMDB) concordou. “Não conheço e nunca recebi nenhum desses irmãos Batista. Nunca recebi doação das indústrias deles em Três Lagoas. Eles que fugiram para os Estados Unidos. Vamos levar isso para a Justiça. Fica aqui nossa indignação. E duvido, mudo de nome, se algum político vai procurar a origem ou seriedade da empresa que doou. Se ela é estabelecida, pública e vai constar em documentos. ‘Eu recebi de empresa A, humm, perae, vou ver o curriculum, pegar o DNA dela. Isso não existia”, ressaltou.

O deputado Renato Câmara (PMDB) explicou que também recebeu doação via fundo partidário. “Existe esse fundo, em que você sai candidato e recebe um recurso que, vai para a chapa majoritária e depois é repassada para o candidato lá do interior, que usa para pagar material de campanha. Temos que ter cuidado de colocar nossas reputações, que estamos trabalhando por décadas. Eu não admito jogá-la assim na lama. Quem tiver culpa que

Foto: Victor Chileno

esclareça e quem não esclarecer que seja condenado, mas não com especulações”, disse.

Antonieta Amorim (PMDB) falou que os deputados discursaram de forma a “esclarecer os fatos e não em defender, pois não foi infringida a lei”. “Nossas contas foram aprovadas e nenhum processo paira sobre nós quanto a isso. A sociedade que está sendo manipulada por uma imprensa e por um Judiciário que não nos dá a possibilidade de defesa”.

Confira abaixo a lista dos políticos de MS citados

  • Reinaldo Azambuja (R$ 25 milhões) – Governador de MS eleito
  • Delcidio do Amaral (R$ 214 mil)
  • Nelson Trad Filho (R$ 3,2 milhões)
  • Simone Tebet (R$ 1,7 milhão) – Senadora eleita
  • Eduardo Barbosa Rocha (R$ 52 mil) – Deputado Estadual eleito
  • Alcides Bernal (R$ 400 mil)
  • Antonio João Hugo Rodrigues (R$ 20,3 mil)
  • Luiz Henrique Mandetta (R$ 25,086) – Deputado Federal eleito
  • Dagoberto Nogueira (R$ 170 mil) – Deputado Federal eleito
  • Geraldo Resende (R$ 450 mil) – Deputado Federal eleito
  • Carlos Marun (R$ 103 mil) – Deputado Federal eleito
  • Tereza Cristina (R$ 103 mil) – Deputado Federal eleito
  • Elizeu Dionizio (R$ 22,8 mil) – Deputado Federal eleito
  • Marcio Monteiro (R$ 17,1 mil) – Dep. Federal eleito (hoje, Secretário da Fazenda MS)
  • Fabio Trad (R$ 103 mil)
  • Marçal Filho (R$ 653 mil)
  • Carla Stephanini (R$103 mil)
  • Lidio Lopes (R$ 52 mil) – Deputado Estadual eleito
  • Renato Câmara (R$ 224 mil) – Deputado Estadual eleito
  • Maria Antonieta (R$ 102 mil) – Deputado Estadual eleito
  • Marcos Trad (R$ 72 mil) – então Deputado Estadual eleito
  • Mauricio Picarelli (R$ 52 mil) – Deputado Estadual eleito
  • Barbosinha (R$ 109 mil) – então Deputado Estadual eleito (Hoje Secretario de Segurança)
  • Flavio Kayatt (R$14,3 mil) – Deputado Estadual eleito
  • Onevan de Matos (R$ 9,3 mil) – Deputado Estadual eleito
  • ​Rinaldo Modesto (R$ 21,5 mil) – Deputado Estadual eleito
  • Pedro Kemp (R$ 30 mil) – Deputado Estadual eleito
  • Marcio Fernandes (R$ 52 mil) – Deputado Estadual eleito
  • Mara Caseiro (R$ 52 mil) – Deputado Estadual eleito
  • Ângelo Guerreiro (R$ 30,1 mil) – então Dep. Estadual eleito (hoje prefeito de Três Lagoas)
  • Ricardo Ayache (R$ 198 mil)

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