08-07 – SEM DESFECHO

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Meu amigo com mais de 70 anos de experiência em política usou de sua sabedoria para me deixar sem expectativa de um desfecho para a crise brasileira. Explicou que em qualquer país um pouco mais sério e consequente, o que está ocorrendo  no Brasil nesses quatro meses  já teria resultado em renúncia, cadeia, impeachment,  deposição, exílio, suicídio…algum desenlace. “Pois aqui não vejo sinal nenhum. Enxergo três anos e meio assim, de mesmice e falência, bem como está.” – concluiu.

Outro amigo participante da conversa, igualmente experiente e sábio, foi mais fundo e ensinou-me que “o problema é que nativos não são, por definição, suscetíveis a inquietudes.  Não projetam a forma das coisas que virão. Não se antecipam. Vivem no estado natural da mão para a boca, posto que nativos. Inquietude pressupõe um certo estágio de civilização e refinamento mental,  inexistente no caso.” E afirmou que “só acontecerá algum sinal mais “sério e consequente” – um “desenlace” – no instante em que o caos absoluto chegar – e nesse ritmo é de supor que ele chegará. Aí, talvez, quando começaram a sangrar na carne, leia-se, mais desemprego, mais inflação, mais choro e ranger de dentes, talvez, emitam algum “sinal.” Talvez… “

Continuou afirmando que  quatro meses ainda é pouco para a chegada do desfecho aí em cima. “O que temos hoje é tão somente o estágio inicial dele. O que temos hoje é apenas a desmoralização das instituições e o aumento das angústias do dia a dia da vida. Isso não mobiliza nativo nenhum. Não adianta querer estancar esse processo, pôr um fim nesse começo, e tentar recomeçar. Temos que aguardar o desfecho.  É assim que a perspectiva, e com ela a possibilidade de mudança, sempre funcionou. Para povos, nações, e pessoas. Hoje não há salvação à vista. Hoje é purgação. Hoje, para quem é dotado de qualidade da imaginação, o único dever é sobreviver.”

O conselho de meu segundo amigo é “retornar a poltrona à posição vertical, apertar o cinto, e esperar – confiante – que tudo apodreça ainda mais. Serão mesmo “três anos e meio de mesmice e falência.” Nada de novo em Pindorama. Já vimos esse filme várias vezes. Parece ser nosso destino revê-lo pela eternidade. A grande tragédia, no caso, é que somos sempre co-participantes dele. Então, tem jeito, não: deixa sangrar!”

Passivos, os nativos no máximo esperam que as elites resolvam. Que elites? As elites econômicas querem ver o povo com poder aquisitivo, para comprar seus produtos e gastar. Já as elites econômicas apelam para as elites políticas. Essas,  só encontrarão soluções que lhes dêem poder. Querem manter os nativos sem o poder do conhecimento, do discernimento, para continuar a manipular a ignorância com o populismo e a propaganda. E atribuir esse caos a inimigos externos e às elites, tentando desviar o olhar do próprio umbigo.

Comentários

1 Comentário

  1. Lamentável. Lamentável.

    Falou tudo, com as filosóficas palavras que se encaixam na realidade do momento em um país chamado de Brasil, em turbulência por conta da irresponsável gestão política.

    Mas… e daí ? Até quando? Tudo que o os srs disseram, alguém já tinha dado um sinal. Faltou alguém pra resolver.

    … até quando ?

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