04-05 – Precisamos ter esperança. Mas também de mais segurança e educação

coronel_david

A imprensa mostrou há poucos dias o calvário vivido pelo pequeno Wesley, de apenas dois anos. Wesley nasceu com um problema no ventrículo esquerdo do seu coração. Neste curto período de vida ele foi submetido a dez cirurgias. Ele sobreviveu a todas. Ele sobreviveu porque os seus pais, família, amigos, funcionários do hospital onde ele ficou internado não perderam a esperança.

Em se tratando de segurança pública nós também temos que ter esperança por dias melhores.

O Brasil é um dos países mais violentos do mundo. Aqui morre por ano mais de 50 mil pessoas, uma média de 147 pessoas por dia. A cada 10 minutos uma pessoa morre e outra é estuprada.
Apesar de termos apenas 2,8% da população mundial, o Brasil é responsável por 11% dos homicídios cometidos no mundo.

Em 2013 dois milhões e oitocentas mil pessoas foram assaltadas no Brasil.

É hora de dar um basta. É hora de nos escandalizarmos com estes números que agridem a cidadania.

Temos que parar de achar que o nosso país é o país do jeitinho. Nós ajudamos a enfraquecer as leis. Pesquisa recente mostrou que 81% dos entrevistados entendem que é fácil desobedecer as leis no Brasil. Nações mais desenvolvidas acreditam na policia e nas leis.

Talvez por isto no Brasil os policiais, promotores e juízes consideram brandas as leis penais e processuais e com um número excessivo de prazos e recursos. A lei protege pouco o cidadão e favorece o criminoso. Isto aumenta a sensação de impunidade. Isto estimula o crime.

É preciso investimentos permanentes na segurança pública, mas também na educação, para que em longo prazo mudemos a realidade do nosso país. Com condições estruturais decentes e valorização dos professores teremos cada vez menos pessoas dependentes deste ou daquele. A educação liberta. Precisamos formar eleitores mais conscientes e cidadãos mais exigentes.

Mas de forma imediata precisamos salvar os brasileiros da violência desenfreada.

O Brasil é o lugar onde mais se morre policial. Em 2013 morreram quase 500 policiais.

O sentimento de impunidade fortalece o criminoso e o estimula a continuar praticando crimes. Talvez por acreditar na impunidade por conta das leis fracas o bandido vem enfrentando cada vez mais a policia. E também vem morrendo por isso. Só neste ano já morreram nove supostos criminosos em confronto com a polícia aqui no Estado. Digo e repito. O policial não sai de casa para matar, mas também não sai para morrer. Quando o policial é herói ele é tratado como herói nas nações mais desenvolvidas. No Brasil quando morre um policial não ouvimos palavras de apoio e nem de indignação. Só vemos o silêncio do Estado, o silêncio do Ministério Público, o silêncio dos direitos humanos. O silêncio do cidadão. Quem sofre com a morte do policial é somente a sua família e os seus amigos.

Enquanto tivermos leis fracas e um sistema que não funciona por diversas razões e nós não nos indignarmos, não sermos intolerantes com o crime, não cobrarmos dos governantes e dos políticos investimentos e políticas publicas para a educação e para a segurança, os criminosos vão continuar cometendo crimes, roubando, matando, zombando das vítimas e da sociedade.

Por isso, vou continuar torcendo para que nos confrontos continue sempre morrendo o bandido e nunca o policial. É preferível ser julgado por sete a ter o seu caixão carregado por seis no dia do enterro.

E PONTO FINAL!!!

Carlos Alberto David dos Santos é Coronel da reserva, ex-comandante da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul

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