02-06 – Hipocrisia e indiferença. Qual a mais doída para os policiais?

David tarja

Dois fatos que aconteceram há poucos dias, em São Paulo e aqui no Estado, em Tacuru, mostram como parte da sociedade se comporta em relação aos desdobramentos de uma determinada ação policial.

No primeiro caso, o Brasil acompanhou ao vivo, através de imagens geradas por helicópteros de emissoras de TV, uma perseguição policial pelas ruas de São Paulo, mostrando um policial militar da ROCAM (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) tentando abordar uma dupla de menores infratores, de 16 e 17 anos, que havia roubado a moto — uma CG 150 Titan —, dois celulares e R$ 107 de um motoboy de 36 anos, em Santo Amaro. A vítima os reconheceu por foto.

Durante a perseguição, que durou aproximadamente 10 minutos, a dupla de assaltantes quase provocou acidentes no trajeto, tal era a velocidade que a moto era conduzida.

Em um determinado momento, o passageiro da garupa jogou seu capacete contra o policial, que desviou a sua moto para não ser atingido e desferiu um tiro para eles pararem. O condutor da moto perseguida acabou perdendo o controle do veículo e caiu na calçada. Um deles fez um gesto com as mãos e braços fazendo o policial atirar contra os dois. Ele disse, na delegacia, que efetuou os disparos como um ato de autodefesa, pois, mesmo caídos, os fugitivos ameaçaram atirar — e não obedeceram à ordem de largar as armas. Logo depois, desceu da moto e realizou uma busca para achar a arma dos assaltantes. Depois de localizada, o PM faz dois disparos contra o solo. Tais disparos, segundo ele, foram acidentais.

O policial militar foi afastado de suas funções, ficando dois dias preso administrativamente.

Em poucos minutos as imagens ganharam espaço nos noticiários e redes sociais. Alguns estufaram o peito e exigiram punição ao PM. Outros acusaram o policial de ser despreparado. Acharam um absurdo ele ter disparado contra jovens indefesos e caídos.

O Secretário de Segurança de São Paulo, Alexandre de Moraes, foi o primeiro a criticar e condenar a ação do policial, pois segundo ele, teria ocorrido uma “séria irregularidade”, pois ele não precisava atirar porque os indivíduos já estavam caídos.

É de se lamentar o fato do secretário de segurança ter feito um julgamento apressado e condenado a ação do PM, talvez por se sentir pressionado por alguns que adoram fatos como este para poderem criticar a polícia, porém não tem este mesmo dinamismo, esta mesma vontade quando um policial é morto por bandidos. Eles não eram indivíduos e nem suspeitos. Eram bandidos. Tinham acabado de roubar a moto em que fugiam. Ou não?

Para algumas pessoas é muito fácil julgar estando numa sala ou num estúdio, bem protegidos, com ar condicionado, revendo a cena diversas vezes, fazendo suposições e alardeando para quem quiser ouvir. Imagine um policial receber um chamado em que a sociedade reclama a presença do Estado porque acabou de ser roubada. Apesar de treinado e experiente, cada caso é um caso. Ele recebeu o chamado e mesmo sozinho foi cumprir a sua função de socorro a vitima e buscar identificar e prender os autores. O policial militar errou sim. Errou porque mesmo inferiorizado numericamente ele acreditou que os seus superiores, parte da sociedade e da imprensa iriam analisar o fato apenas pelo ângulo do destemor, da sua coragem. Santa ingenuidade.

Para o pessoal dos direitos humanos o policial errou. Sabem por quê? Porque não esperou os bandidos atirarem primeiro. Os assaltantes foram feridos, não foram mortos. O policial atirou nas nádegas e nas pernas deles. Ele não atirou para matar, e sim para neutralizar qualquer agressão pelos bandidos, fato reconhecido inclusive pelo delegado que cuida do caso.

O secretário de segurança de São Paulo deveria saber – pelo menos é o que imaginamos, afinal de contas ele é o secretário – que ao enfrentar bandidos armados, como era o caso, o policial na rua tem milésimos de segundos para tomar uma decisão: ou ele decide atirar ou ele se arrisca a levar um tiro. Não tem meio termo.

No segundo caso, infelizmente, não foi o que aconteceu no domingo à tarde, em Tacuru, quando um policial civil foi executado com quatro tiros ao realizar uma abordagem ao assassino dele. O investigador estava em casa quando ouviu troca de tiros em um bar nas proximidades. Após ouvir os tiros, mesmo de folga, ele foi até o local, localizou e rendeu o autor dos tiros e, quando o algemava, levou uma rasteira e caiu, sendo depois alvejado com a sua própria arma, uma pistola. 40. O assassino, apesar de possuir várias passagens pela polícia, estava livre. Ele tinha saído do presídio em 2013 e já tinha cometido os crimes de ameaça, tráfico de drogas, furto e violência doméstica. Até o momento nenhum integrante dos direitos humanos surgiu para solidarizar-se com a família do policial morto. Porém, eles apareceram em grande numero no caso de São Paulo para criticar o PM.

Na verdade, o país está virado, o certo é o errado e o errado é o certo. Até quando vai esta hipocrisia? E porque esta indiferença com a morte de um policial? Como foi dito, o PM de São Paulo ficou preso dois dias por causa disso. Deveria ter sido homenageado, pois sozinho livrou a sociedade de dois bandidos. Para a família e amigos do policial civil do nosso Estado resta apenas a tristeza e a certeza que ele até o fim honrou o seu juramento. Fica para nós a lembrança de um profissional dedicado, pois, mesmo de folga, foi defender a sociedade. E morreu por isso.

Se o policial civil tivesse reagido com tiros à agressão de seu assassino, que, como a dupla de moto, também estava armado, certamente teria sido criticado também. Porém, estaria vivo, ao lado de seus familiares e amigos, sabendo que parte da sociedade e da imprensa trata assim quem se arrisca por ela. Infelizmente.

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