01-07 – Criatividade e Objetividade II

JOB

Encerrei o artigo anterior dizendo que criatividade e objetividade podem andar juntas. Bom, nem só podem como devem, sempre que permitido pelas especificidades do produto ou serviço oferecido. A melhor forma de entender o que estou dizendo é através de exemplos.
As campanhas marcantes da atualidade todos já tiveram a oportunidade de ver. Vamos então falar das clássicas, muitas delas desconhecidas dos leitores.
As mais marcantes são as dos fósforos Fiat Lux, “Já é hora de dormir” dos Cobertores Parayba, “Não adianta bater” das Casas Pernambucanas, estes da década de 60. “Seu jeito de Viver” para a UsTop e “Cotonetes Bebe” da Johnson e Johnson na de 70. “Poupança Bamerindus”, “Passarinho” da Philco Hitachi, “Não é nenhuma Brastemp” e “Dentro de um Chevrolet” para a GM nos anos 80. Da década de 90, “Mamíferos” da Parmalat, “Tio Sukita”, da Sukita e “Pipoca com guaraná” da Antártica.
Durante todo este período ainda, as campanhas memoráveis das Havaianas, Coca-Cola, Brahma e de Carlos Moreno para a Bombril, anunciantes que não saem de cena.
Veja estes e outros comerciais em: www.youtube.com/playlist?list=PL96D259D58B8B4A75.
Em comum entre eles, a criatividade e a objetividade. A diferença, o tom.
Emoção – “Dentro de um Chevrolet”.
Humor – “Tio Sukita” e “Não é nenhuma Brastemp”.
Conforto – “Já é hora de dormir”.
Segurança – “Não adianta bater”.
Carinho – “Mamíferos”.
Saciedade – “Pipoca com Guaraná”, e oportunidade – “Bombril”.
São sentimentos comuns a todos nós, assim como as situações que os envolvem, pinçadas do cotidiano e produzidas para parecerem melhor do que realmente o são. A valorização do produto não é incisiva. Ela vem embalada de maneira que nos completa, nos satisfaz, nos envolve ou insere-nos em uma nova categoria.
A exponencial queda de preços e a evolução dos softwares e equipamentos no entanto, vem mudando este quadro. A tecnologia agiliza a criação e produção de peças publicitárias, e tudo que facilita a vida, deixa até a mente preguiçosa.
Isso se comprova ao assistirmos televisão: os comerciais com fotos, preços, efeitos visuais e sonoros é maioria esmagadora. Vendem, mas não fidelizam o cliente, não geram empatia, nem recall. Atendem as necessidades imediatas, mas não as estratégicas. E o fato da venda ser o objetivo final dos empresários é fatal para profissionais de marketing e criação, pois relega-os a um plano secundário. Certa vez ouvi de um empresário que ele não precisava de agência porque estava vendendo bem. É claro que “ele” é o cara, mas até quando sua mente e seu tempo lhe permitirão manter este patamar? Até quando ele conseguirá ser inovador em relação ao próprio negócio? A criatividade pode e deve nascer no marketing do cliente, e influencia no processo criativo da agência. Está tudo interligado e uma situação leva a outra. Pode partir do cliente uma sugestão de encantamento do consumidor no ponto de venda, que dará o gancho, o start para a criação. O inverso é mais frequente. Como já disse uma vez, todos nascemos com talento criativo. Basta exercitá-lo. É uma atividade diária, obrigatória àqueles com objetivos estabelecidos. Assim como em um brainstorm, onde se colocam ideias por mais absurdas que possam parecer, compartilhe as suas com a agência que te atende. Você verá que os resultados serão multiplicados.

Máximas do Meio: A palavra criatividade tem sido razoavelmente confundida com a técnica de criar anúncios. Mas não é só isso.
Criatividade é uma técnica de resolver problemas. www.ebah.com.br

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