Vídeo mostra homem humilhando frentista haitiano

Em vídeo, homem ironiza imigrante em posto de combustíveis de Canoas.. A partir do boletim de ocorrência, Polícia Civil diz que caso será investigado.

O vídeo em que um homem de 42 anos aborda um frentista haitiano em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e ironiza ao comentar que o estrangeiro tem muita “sorte” e “é muito competente” para estar empregado no Brasil, virou caso de polícia. As imagens foram publicadas na internet no início do mês e geraram polêmica nas redes sociais.

Leonel encontrou os haitianos que foram abordados em posto (Foto: Leonel Radde/arquivo pessoal)
Leonel encontrou os haitianos que foram abordados em posto (Foto: Leonel Radde/arquivo pessoal)

Segundo o escrivão da 20ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, Leonel Radde, que registrou boletim de ocorrência, o vídeo mostra um delito grave. “Recebi o vídeo nas redes sociais e de imediato analisei e observei que ali tinha um delito de preconceito de origem nacional. É um crime, independente de posição política ou ideológica, existe um delito. E é um delito grave”, afirma ao G1 o policial civil.

Nesta segunda-feira (8), ele foi até o posto de combustíveis. Ao lado dos dois haitianos que trabalham no estabelecimento, gravou um vídeo onde manifesta apoio a eles e também publicou nas redes sociais.

A partir do boletim de ocorrência registrado na 20ª DP, a corporação confirma que irá investigar se houve infração à lei que define crimes de preconceito de raça e de cor. O caso foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Canoas.

“Acho que na internet muitas vezes um assunto desse tipo vira um debate, uma batalha de ideologia política, o que faz parte do jogo democrático também. Mas acaba tendo pouca resolução, talvez por estar nas redes sociais. O grave aqui é que extrapola o campo ideológico”, completa o escrivão.

No vídeo, um homem chega de carro a um posto de combustíveis e, aparentemente, intimida o funcionário e outro homem, que também é haitiano. O homem fala sobre o desemprego no país e pergunta ao frentista de onde ele é. Após ouvir que é haitiano, ironiza o fato de o estrangeiro ter conseguido emprego no Brasil. Ele também questiona o outro imigrante que está por perto. Os dois estrangeiros são primos.

O gerente de vendas Daniel Barbosa, de 42 anos, confirmou ser quem aparece nas imagens. Ao G1, no início do mês, ele afirmou que não se tratava de uma atitude xenófoba ou racista. “Não tenho problema com estrangeiros que venham para cá para trabalhar”, disse, na ocasião. Além dele, uma segunda pessoa também deverá ser investigada. É o homem que gravou o vídeo e também já foi identificado.

O vídeo

O vídeo, que teve mais de 15 mil compartilhamentos no Facebook, foi gravado em um posto de combustíveis da Avenida Getúlio Vargas, em Canoas, na Região Metropolitana da capital.

Nas imagens, o homem aparece vestido com roupas camufladas e um símbolo semelhante ao do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Rio de Janeiro no peito, e usando um boné estampado com a bandeira do Brasil. Outro filma a ação.

Ele pergunta ao frentista de onde ele é. Após ouvir que é haitiano, ironiza o fato de o estrangeiro ter conseguido emprego no Brasil, enquanto o funcionário enche o tanque do carro.

“Você é um cara de sorte, irmão. Aqui tem um dos milhares de haitianos trazidos pelo governo comunista da Dilma Rousseff enquanto milhares, só no mês passado, de brasileiros, perderam o emprego no Brasil. Parabéns, irmão, você é muito competente. Aqui no Brasil, são todos incompetentes”, diz o homem na filmagem.

Ainda nas imagens, o homem questiona o frentista se ele tem treinamento militar. A resposta é negativa. Na sequência, ele se volta a outro homem, também haitiano, que observava a conversa e questiona: “Você também é haitiano, irmão?”. O homem não responde e deixa o local. “Vocês estão vendo como funciona o negócio? Meu irmão, a gente já está em guerra”, disse ele, que justificou a atitude afirmando que a chegada de estrangeiros no país é parte de um plano do governo federal, em conjunto com outros países latino-americanos, para transformar o continente em uma nação governada sob o regime comunista.

G1

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