Vereadores denunciados dizem que “fariam tudo de novo e de cabeça erguida”

Vereador Carlão (PSB) que puxou discursos de justificativas
Vereador Carlão (PSB) que puxou discursos de justificativas

Os vereadores de Campo Grande denunciados pelo MPE (Ministério Público Estadual) a Justiça na terça-feira (31), hoje, na primeira sessão ordinária da Câmara Municipal, partiram para o ataque em suas ‘defesas pessoal’, diante a acusação da possível armação e conluio entre políticos e empresários da Capital, para cassar o mandato do prefeito Alcides Bernal, em março de 2014. Os parlamentares, apesar de se dizerem tranquilos e com consciência limpa, usaram o ditado da “melhor defesa é o ataque”, para justificar estarem na lista inicial do pedido da PGJ (Procuradoria Geral de Justiça) do MPE para que o TJ-MS indicie 24 pessoas, entre as quais 13 membros do Legislativo local, após investigações da conhecida operação Coffee Break.

Os denunciados, quase todos presente na sessão de hoje, com o vereador Carlão (PSB) abrindo a fila justificatória ao discursar até oficialmente, na tribuna da Casa, além de irem pela tatica do ‘ataque’, também se utilizaram de um discurso parecido, mencionando sempre os supostos nove crimes do prefeito para ser cassado e os mesmos ou demais outros atos irregulares, que dizem somar sete, em que Bernal também já é denunciado pelo MPE. Somente Carlão utilizou a Tribuna, mas outros aproveitaram o momento para aparteá-lo e colocarem suas opiniões, lembrando dos processos que foram feitos pela Casa de Lei, dentro dos ritos.

“Não podemos desconsiderar todas as provas da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito, da Comissão Processante que tinham o aval da OAB e do próprio MPE. Irregularidades em crimes de responsabilidade. Como nós vendo tudo isso, com documentos do TCE (Tribunal de Cotnas do Estado), e não iríamos cumprir nosso papel e dever de parlamentar”, disse Eduardo Romero (Rede), que como um dos denunciados, completou afirmando estar sem receio de responder, “estamos sim enfrentando essa ação, que até vemos certos atos desencontrados. Mas respeitando o que foi posto, vamos mostrar que não tive ganhos pessoais e se tivesse sido oferecido, não aceitaria, além de minha conduta, agiria e agi dentro das Leis e com convicções delas. Faria novamente e temos que aproveitar então e lembrar que o senhor prefeito até continua a cometer muitas irregularidades”, disse.

Para Carlão, que usou 10 minutos na tribuna para tratar da questão politica, mas pessoal, a então cassação de Bernal foi justa, sendo que faria igual novamente. Ele aponta que não foi beneficiado em nada, além de politicamente ou a cidade que foi e poderia ter continuado sendo. “Estou tranquilo, fiz meu dever de legislador, cumpri meu papel embasado em relatório com nove crimes apontados e do qual três já fez o prefeito se tornar réu. Com provas, eu proferi meu voto, o qual manteria neste momento. E qual vantagem tive? nenhuma pessoal ou se for falar nesse sentido, tive sobre minha política. Pois com saída de Bernal, alavancamos muitos projetos que reivindicávamos para região e tínhamos pedido a ele e quem tirou do papel foi o sucessor (Olarte) nos asfaltos da região norte que foram feitos e ou encaminhados como do Nova Lima, que agora parece que vai sair”, explicou.

Ameaças – sem medo – cabeça erguida

O presidente da Casa, João Rocha (PSDB), que durante investigações não era mencionado diretamente, mas acabou sendo incluido na lista, mencionou em entrevista a imprensa, que ratifica sua surpresa, mas que ele e todos farão suas defesas de forma natural e sem dificuldades. E quanto a sua chefia do Poder Legislativo, fala com certeza que a Casa está e continuará trabalhando de cabeça erguida.

Presidente da Câmara João Rocha em pronunciamento oficial a imprensa (Fotos: Lúcio Borges)
Presidente da Câmara João Rocha em pronunciamento a imprensa (Foto: Lúcio Borges)

“É assim a Democracia e somos parte dela, ainda mais em nossa posição. O que apontamos é que deve haver Justiça a todos. Somos todos cidadãos, mas não acima da Lei e não temos que ter privilégios e vamos responder cada qual de sua maneira, mas creio que todos de maneira tranquila, pois todos faríamos tudo da mesma forma e acredito que agora, seriamos acompanhados pela maioria que votou não na época. A Câmara está em pé e de cabeça erguida, continuaremos nosso dever e trabalho normal, como já o fizemos ontem em Anhandui e hoje na sessão da mesma maneira de sempre”, avaliou Rocha ao falar com jornalista após sair da sessão.

O vereador Edil Albuquerque (PTB), também na lista dos denunciados, ainda no discurso de Carlão, foi mais sucinto e disse “Não fizemos nada de errado, faríamos tudo de novo e que o povo tem que ver, analisar como estava e ficou a cidade com as atitudes ‘deste cidadão’ que foram e continuaram a mal tratar o município”, apontou.

Desafio

Ainda no discurso de Carlão, ele foi enfático e até se exaltou na tribuna ao afirmar em tom de ameça, que faria tudo de novo e que há uma CPI a ser iniciada, que se encaminhar pedidos do tipo, não titubeará em votar a favor de nova cassação. Carlão em tom enérgico falou que pode sim pedir, a qualquer momento nova cassação de Bernal, sem medo de ser apontado como ‘vingança’.

“Vou enfrentar mais essa de cabeça erguida, sem medo. Até porque quem tem medo não entra na política. Sou um que vou continuar trabalhando do mesmo modo que tudo que já fiz. Se tiver que pagar com a vida pelo um crime que não cometi pagarei, mas lutarei. E se tiver que fazer de novo, o farei. Basta lembrar que já temos uma nova CPI das vacinas e da Cosipa, torça para não cair em outra Processante, se tiver qualquer problema que está sendo mencionado, não ficarei calado e retirarei quem for o culpado. Enfrentarei politicamente essa ação com desgastes sim, mas com consciência limpa”, discursou energicamente Carlão.

O vereador também na lista, Airton Saraiva (DEM), mencionou as mesmas questões em entrevista a imprensa e também desafiou a tudo que está colocado. “Estou tranquilo, com consciência limpa e trataremos tudo de modo calmo e mostrar que tudo que fazemos é com base legal e com isso que estou nas mãos, com sete crimes desse prefeito que vamos apresentar que foi ele quem comete e ele está no banco dos réus e não nós. Quero ver que ou quem ficará pior”, disse.

Os demais vereadores denunciados Mario César (PMDB), Flávio Cesar (PSDB), Waldecir Chocolate (PTB) também falaram com imprensa mantendo posicionamento semelhantes. Os parlamentares Gilmar da Cruz (PRB), Otávio Trad (PTB), Paulo Siufi (PMDB), Jamal Salem (PR) e Edson Shimabukuro (PTB) não compareceram a sessão de hoje.

Listão 

O grupo de 24 investigados na Operação Coffee Break, que foi denunciado pela PGJ, por envolvimento no suposto esquema, estão ainda  o ex-governador André Puccinelli (PMDB), o vice-prefeito afastado Gilmar Olarte (PROS) e o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PTB). Também constam na denúncia o procurador da Câmara Municipal André Scaff, os empresários João Baird, João Amorim, Fabio Machinski e Carlos Naegele.

A lisa ainda tem o ex-vereador Alceu Bueno e os empresários Luiz Pedro Guimarães e Raimundo Nonato, responsáveis por apresentar a denúncia que culminou na cassação de Alcides Bernal.

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