”Vaccari tem papel semelhante ao de Youssef, ou seja, um operador”, diz PF

A Polícia Federal (PF) afirmou nesta quarta-feria (15) que o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, preso pela Operação Lava Jato nesta manhã, tem praticado crimes envolvendo desvio de dinheiro da Petrobras possivelmente desde 2004.

João Vacari é suspeito de receber propina no esquema de corrupção na Petrobras  (Foto: Divulgação)
João Vacari é suspeito de receber propina no esquema de corrupção na Petrobras Foto: Divulgação

 

Os agentes definiram as ações criminosas de Vaccari têm tom de desafio às instituições.

“Em relação à Petrobras, Vaccari tem papel semelhante ao de Youssef, ou seja, um operador”, disse o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Carlos Fernando dos Santos Lima.

Vaccari foi preso pela 12ª fase da Operação Lava Jato – que começou em março de 2014. De acordo com a PF, Vaccari saia para se exercitar no momento em que foi preso. Ele não resistiu à prisão. Desde que surgiram as denúncias, no ano passado, Vaccari tem negado a participação dele e de familiares no esquema investigado pela Lava Jato.

Além da prisão de Vaccari, a esposa dele Giselda Rousie de Lima teve um mandado de condução coercitiva e foi ouvida em casa. Para a polícia, a fala dela não acrescentou nada à investigação. “O depoimento não foi proveitoso”, segundo a PF.

á ainda um mandado de prisão temporária contra a cunhada de Vaccari, Marice Correa de Lima. Entretanto, ela não foi localizada. Além de um mandado de busca e apreensão.

A Polícia Federal disse ainda que a família de Vaccari tem diversas operações financeiras suspeitas de valores significativos. Foram, ainda conforme a polícia, realizados depósitos no total de R$ 300 mil em três anos.

A quebra do sigilo bancário do tesoureiro do PT já foi solicitada à Justiça.

“Não há indicativo de crime, apenas suspeita de que estes valores tenham origem ilícita”, afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. Além disso, operações de compra e venda de um apartamento por parte da cunhada do tesoureiro também são investigadas.

Segundo a polícia, Marice de Lima adquiriu um apartamento por R$ 200 mil e o vendeu para a empresa OAS por R$ 400 mil. Este mesmo imóvel, conforme as investigações, foi vendido pela empreiteira por um valor menor. “Aparentemente é uma operação típica de lavagem de dinheiro”, pontuou o procurador.

“Está claro o total desrespeito de Vaccari Neto com relação à Justiça e às leis brasileiras”, disse o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula.

O delegado acrescentou ainda que existe material contundente para provar as irregularidades do tesoureiro.

Além disso, confome o delegado, Vaccari foi citado por pelo menos cinco suspeitos que firmaram acordo de delação premiada para repassar informações sobre o esquema existente na Petrobras.

Ainda de acordo com o delegado, nem mesmo o processo contra Vacarri envolvendo a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) o intimidou. O Ministério Público de São Paulo denunciou o tesoureiro do PT por suspeita de desvio de dinheiro da Bancoop para campanha eleitoral em 2010.

Ação da Petrobras

Ao analisar o papel de Vaccari no esquema bilionário de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro – desvendado pela operação Lava Jato – a Polícia Federal e o Ministério Público Federal consideram que o tesoureiro tem função similar a do doleiro Alberto Youssef.

Vaccari foi denunciado pelo MPF por ser suspeito de participar de reuniões com o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque para tratar de pagamentos de propina, que era paga por meio de doações oficiais de empreiteiras ao PT.

Dessa maneira, os valores chegavam como doação lícita, mas eram oriundas de propina. O MPF aponta que foram 24 doações em 18 meses, no valor de R$ 4,260 milhões. Contudo, tanto a Polícia Federal, quanto o MPF dizem não ser possível afirmar quanto foi de fato foi doado e quanto foi arrecada de forma ilícita.

Gráfica

O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, escreveu no despacho de prisão de João Vaccari Neto que o tesoureiro do PT determinou que parte das propinas no esquema de corrupção na Petrobras fosse paga a uma gráfica sediada em São Paulo.
Moro escreveu ainda que, segundo levantamento efetuado pelo Ministério Público Federal, “há ligações entre a Editora Gráfica Atitude e o Partido dos Trabalhadores, o que pode explicar a solicitação de João Vaccari da realização de repasses para a referida empresa”. O valor pode chegar a R$ 2,5 milhões.

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