TVE exibe especiais sobre Manoel de Barros neste fim de semana

foto_b0515257b03b75e204ed7f400da96fd9_2015-11-11_10-46-11Nesta sexta-feira (11), completa um ano da morte do poeta Manoel de Barros. Para rememorar, a TV Educativa exibe, sábado e domingo, programas especiais com menções sobre o poeta, que morreu aos 97 anos, no dia 13 de novembro do ano passado.

No sábado, às 14h, a TVE exibe o filme Caramujo Flor, de Joel Pizzini, e entrevista realizada pelo jornalista Bosco Martins, amigo e confidente do poeta, um dos maiores escritores que o mundo literário conheceu. Domingo, também às 14h, será exibido o documentário “O poeta é um ser que lambe as palavras e se alucina”, de Arlindo Fernandes.

A entrevista mediada pelo jornalista Bosco Martins, realizada em 2006, quando o poeta completou 90 anos, traz reflexões sobre poesia, política, religião e crítica social. O filme Caramujo-Flor foi produzido por Joel Pizzini, dedicado a Manoel de Barros e sua poesia auto-reflexiva e criadora. A dupla face de Manoel de Barros, moderno e arcaico, de um escritor e poeta que subverte as noções ingênuas de regionalismo.

Caramujo-flor, um filme entre o documentário e o experimental, mostra Manoel de Barros rural e urbano, rústico e sofisticado, interpretado por Ney Matogrosso e e Rubens Corrêa. Produzido em 1990, o filme recebeu o prêmio de melhor curta-metragem no Festival de Huelva (Espanha), melhor direção e melhor fotografia no 22º Festival de Brasília.

“O Poeta é um ente que lambe as palavras e se alucina, dirigido por Arlindo Fernandez, que vai ao ar domingo às 14h, foi gravado no Pantanal sul-mato-grossense em 2004 e aborda a trajetória da vida e da obra de Manoel de Barros. Nele um andarilho percorre os lugares onde o poeta nasceu e viveu. Ao longo da jornada, o andarilho tem encontros com outros personagens criados por Manoel de Barros, vivenciando um percurso que tem o sentido de nascimento e vida, em um exercício compartilhado entre o documentarista e o próprio poeta.

Despedida

Manoel Wenceslau Leite de Barros morreu após internação de duas semanas no Proncor de Campo Grande. Fazendeiro, nasceu em Cuiabá, no Beco da Marinha, às margens do rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916.

Filho de João Venceslau Barros, capataz na região, Manoel se mudou para Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense, onde passou a infância. Nos seus últimos anos de vida, o poeta morou em Campo Grande e levou uma vida reclusa ao lado da esposa.

Manoel de Barros era ocupante da cadeira número 1 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Publicou seu primeiro livro, “Poemas concebidos sem pecado”, em 1937. Seu último volume, “Escritos em verbal de ave”, saiu em 2011.

Em novembro do ano passado, no mês de sua morte, a editora Leya lançou a obra completa do poeta, com título de “A biblioteca de Manoel de Barros”. São, ao todo, 18 volumes. A edição especial incluiu um poema até então inédito, “A turma” (2013), o último escrito pelo autor. A coleção também trazia os cinco livros infantis feitos pelo poeta.

No início de novembro do ano passado, o site Publish News, que cobre o mercado editorial brasileiro, informou que a obra de Manoel de Barros foi contratada pela Alfaguara, selo da editora Objetiva. De acordo com o site, a editora planejava lançar os primeiros títulos no segundo semestre de 2015.

O perfil do poeta no site da Leya destacava que em 1966 ele ganhou o prêmio nacional de poesias com “Gramática Expositiva do Chão”. Em 1998, levou o Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Cultura, pelo conjunto da obra. Ao longo da carreira de sete décadas, ganhou o Prêmio Jabuti duas vezes, em 1990 e 2002, com as obras “O guardador de águas” (1989) e “O fazedor de amanhecer” (2001). Em 2000, foi premiado pela Academia Brasileira de Letras.

Manoel de Barros teve sua obra traduzida em Portugal, Espanha, França e Estados Unidos. Em 2008, foi tema do documentário “Só dez por cento é mentira”, de Pedro Cezar.

Uems.

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