Timão goleia o Vasco fora e assume a liderança do Brasileiro

Globo Esporte

Números do Corinthians em sua Arena na atual temporada: 14 jogos, sete vitórias, seis empates e só uma derrota. O aproveitamento é de 64,2% dos pontos.

Thiago Ribeiro/AGIF

Números do Corinthians fora de casa na atual temporada: 17 jogos, 11 vitórias, cinco empates e uma derrota. São 75,4% dos pontos conquistados. Os últimos na goleada por 5 a 2 sobre o Vasco, nesta quarta-feira, em São Januário.

Com desempenho parecido independentemente do local em que joga, o Corinthians se mostra cada vez mais cascudo sob o comando de Fábio Carille. Um time capaz de superar momentos adversos dentro de uma partida e mesmo assim vencê-las. Um time que leva sustos, tem duas falhas (raras) na defesa e busca forças para sair do Rio de Janeiro com cinco gols na mala. Assim se constrói um grupo que briga por “coisas grandes”, como Carille gosta de dizer.

A goleada desta quarta mostrou um Corinthians mais efetivo no ataque, mesmo com poucas chances. O resultado é inesperado porque o Timão não fazia cinco gols numa mesma partida havia mais de um ano: desde os 6 a 0 sobre o Cobresal, em abril de 2016, pela Libertadores.

A construção de um time organizado também passa pela intensidade. E até nomes questionados como Marquinhos Gabriel e Clayton mostraram essa entrega. Premiados com gols, eles mostram que são opções de um elenco que parecia enxuto, mas que começa a ver talentos escondidos que podem ser importantes num campeonato de 38 rodadas. O grupo é melhor do que se imagina.

Vindo de quatro vitórias seguidas no Brasileirão, o Corinthians encara um clássico no próximo domingo. Recebe o São Paulo, às 16h (de Brasília), na Arena, e tenta manter sua arrancada.

O JOGO

O gol logo cedo ajudou demais o Corinthians a cumprir sua proposta. A forma como ele saiu foi planejada por Carille: aproveitando drible de Clayson, especialista no um contra um, que quebrou a marcação do Vasco e tocou para Guilherme Arana.

Com o sistema já desmontado, três vascaínos foram atrás do lateral. Marquinhos Gabriel, inteligente, posicionou-se de frente para o gol, sem ninguém lhe incomodar, e recebeu em condições de chutar com perfeição: 1 a 0, com apenas três minutos de duelo.

Depois disso, a enorme pressão vascaína seria inevitável. O Corinthians soube suportar as investidas do rival na maior parte do tempo. Encaixou apenas um contra-ataque na primeira etapa, que foi aula de comprometimento e organização da equipe.

O lance começa numa roubada de bola de Pedro Henrique. Marquinhos Gabriel, que está quase alinhado à faixa de quatro defensores para ajudar Paulo Roberto, já se apresenta para a saída de bola. Recebe o passe, avança em liberdade e, com um passe perfeito, lança Jô em profundidade. Um gol de intensidade, de quem esteve atento a cada movimentação.

Os primeiros minutos do segundo tempo reservaram a maior pressão que o Corinthians sofreu neste Campeonato Brasileiro. Bem postado com duas linhas de quatro jogadores, mais Jadson e Jô avançados, o Timão viu o Vasco apelar às bolas aéreas. Em falhas individuais de Cássio e Pablo, Luis Fabiano fez dois gols na bola aérea e ameaçou abalar as estruturas da equipe de Fábio Carille.

O Corinthians sentiu o golpe, sim, mas soube se refazer em poucos minutos. E é aí que está a prova maior de maturidade dessa equipe, que, aos poucos, retomou as rédeas do duelo. Sempre na base dos passes curtos, mas precisos, e ataques rápidos. Num deles, aos 12 minutos, Clayson deixou Maycon na cara do gol. O volante, forte na infiltração, só tocou na saída de Martín Silva.

Quem se perdeu a partir daí foi o Vasco. Eis a diferença: a equipe carioca, mesmo com bons valores individuais, não teve qualquer organização para atacar e buscar o empate. O Timão achou seu cenário ideal. Esperou, ajustou a bola aérea e não sofreu mais.

Para os contra-ataques, Carille lançou os descansados Pedrinho e Clayton. O primeiro levou perigo logo em seu primeiro toque na bola. O segundo, iluminado, fez seus dois primeiros gols com a camisa do Corinthians, já diante de um Vasco esfacelado.

Reveja alguns dos nomes citados no texto: Marquinhos Gabriel, Paulo Roberto, Clayson, Clayton, Pedrinho… Em condições normais, todos reservas. É claro que o Corinthians precisa de reforços, principalmente um zagueiro e um lateral-direito. Mas, com essas boas alternativas no banco (mais Giovanni Augusto, que voltou nesta quarta), é possível sonhar com um Brasileiro acima da média.

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