Temer nega ação contra Lava Jato e diz “não valer a pena” impeachment de Janot

Após ver seus aliados citados em delação premiada de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, de que teriam atuado para tentar “conter a sangria” das investigações da Operação Lava Jato, como declarou Romero Jucá em gravação, Temer negou qualquer envolvimento.

"O poder Executivo poderia interferir no Judiciário? Zero de chance", disse Temer em entrevista ao Jornal da Manhã
“O poder Executivo poderia interferir no Judiciário? Zero de chance”, disse Temer em entrevista ao Jornal da Manhã

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da rádio Jovem Pan, o presidente interino, Michel Temer, reiterou a negativa de que tenha feito qualquer exposição no sentido de “desprestigiar a Operação Lava Jato” e explicitou, mais uma vez, seu “apoio pessoal” ao andamento das investigações.

“Eu tenho muita convicção da importância de cada função do Estado. Aí eu questiono: o poder Executivo poderia interferir no Judiciário? Zero de chance. Pela nossa prática democrática, jamais permitiria que eu, ou alguém do Governo, pudesse interferir nessa matéria”, disse.

Temer declarou ainda não ter escutado “essa disposição conspiratória” para a redução das possibilidade de uma operação judicial, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal sobre a Lava Jato.

Questionado sobre a afirmação do procurador-geral da República sobre fazer parte de um plano de articulação para o interrompimento da Lava Jato, Temer ponderou que Rodrigo Janot “faz esse raciocínio tendo em vista afirmações do senhor Sérgio Machado”.
Confira abaixo o trecho, da delação de Sérgio Machado em que Janot sintetiza os fatos:

“De todos os contextos fáticos tangenciados pela colaboração premiada em exame, sobressai o tratado no termo de colaboração nO 10, relativo à obstrução da Operação Lava Jato. Esse termo, conjugado com as conversas gravadas mantidas com o colaborador nos dias 23 e 24 de fevereiro e 10 e 11 de março com os Senadores Renan Calheiros e Romero Jucá e com o ex-Presidente José Sarney, mostra com nitidez que está em execução um plano, com aspectos táticos e estratégicos, para, no plano judicial, articular atuação com viés político junto ao Supremo Tribunal Federal em aspecto específico da Operação Lava Jato e, no plano legislativo, retirar do sistema de justiça criminal os instrumentos que estão na
base do êxito do complexo investigatório. Os efeitos desse estratagema estão programados para serem implementados com a assunção da Pesidência da República pelo Vice-Presidente Michel Temer e deverão ser sentidos em breve, caso o Poder Judiciário não intervenha”.

Prisão de nomes do PMDB

O procurador-geral ad República, Rodrigo Janot, pediu no início de junho ao STF, a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).

O chefe do MP havia pedido a prisão dos peemedebistas por suspeita de que os quatro estivessem envolvidos em uma tentativa de obstrução das investigações da Lava Jato.

O ministro do Supremo, Teori Zavascki, negou no último dia 14 tais pedidos. Segundo Teori, no pedido de prisão não houve a “indicação de atos concretos e específicos” que demonstrassem tal atuação.

Sobre a decisão de Janot e de Teori, o presidente interino, Michel Temer, declarou que ambos fizem exerceram seus papeis. “É muito delicado dar qualquer palpite. Mas na minha opinião, sob o ângulo pessoal, acho que o procurador-geral da República fez o papel dele. E o ministro Teori Zavascki também fez seu papel”, afirmou.

“No instante que nós comecemos a perceber que precisamos prestar obediência e enaltecer a atividades das intituições, estamos reconstitucionalizando o País”, completou.

Sobre um pedido de impeachment do procurador-geral da República, que segue sob análise de Renan Calheiros, Temer acha que “não vale a pena”.

“Renan já arquivou cinco pedidos. Esse é o sexto, que eu tenho a sensação de que não irá adiante”, finalizou. (UOL)

Comentários

comentários