Temendo demissões, funcionários da JBS protestam na Assembleia Legislativa

Silvio Ferreira

Centenas de trabalhadores da Friboi/JBS compareceram à sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nesta terça-feira (17), lotando as instalações da Casa de Leis. Mobilizados pela Contac (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação) da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e pelo Partido dos Trabalhadores (PT), os funcionários da JBS vieram manifestar o temor de que o bloqueio de recursos da empresa, obtido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Irregularidades Fiscais e Tributárias de Mato Grosso do Sul junto à Justiça do Estado, resulte em demissões dos trabalhadores do grupo.

Trabalhadores da Friboi/JBS chegando à Assembleia Legislativa para manifestação. Foto: Silvio Ferreira

“Desde a [Operação] Carne Fraca, nós temos alertado para o risco para os empregos. Nós sabemos toda a situação que envolve à empresa, as irregularidades[…], mas sem entrar muito nesses detalhes” – referindo-se aos crimes cometidos pela direção do grupo J&F – “o que temos alertado é que a crise da empresa coloca em risco 130 mil trabalhadores no país. E o bloqueio nas contas aumenta muito essa preocupação”, declarou José Modelski Júnior, secretário-geral da Contac/CUT.

A possibilidade de demissões, ventilada nos corredores das unidades da empresa no Estado, tem atemorizado os trabalhadores desde as duas decisões da Justiça de Mato Grosso do Sul que garantiram o bloqueio de R$730 milhões da JBS. Os valores foram bloqueados para garantir o ressarcimento dos prejuízos gerados pela JBS ao Estado de MS pelo não-cumprimento dos compromissos firmados pela empresa, de investimentos em aumento de plantas industriais, número de abates e geração de empregos em contrapartida da renúncia fiscal do Estado. Depois das decisões judiciais desfavoráveis, a empresa adotou a medida de atrasar o pagamento de salários dos trabalhadores das unidades do grupo em Mato Grosso do Sul.

Trabalhadores da Friboi/JBS concentrados na área externa da ALMS. Foto: Silvio Ferreira

Levando-se em consideração que – no âmbito federal – a multa aplicada no acordo de leniência firmado pela JBS com a Procuradoria Geral da República (PGR), de R$10 bilhões  a serem pagos em 25 anos, representa singelos 6% do lucro do grupo J&F (holding que controla a JBS) em 2016, pode-se questionar se o que podemos assistir em MS seja algo mais do que um braço-de-ferro econômico da empresa contra a CPI, em que o temor dos trabalhadores, atiçado pelo atraso dos salários e o fantasma do desemprego, foi usado em favor dos interesses da JBS.

É o que defendeu o deputado Lídio Lopes (PEN/Patriotas): “Os recursos bloqueados pela Justiça a pedido da CPI são irrisórios diante do poder econômico do grupo J&F. Não há desculpa para o atraso dos salários. A CPI e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul não podem se curvar ao poderio econômico da JBS!”

Trabalhadores da Friboi/JBS lotaram o plenário e demais dependências da ALMS nesta terça-feira. Foto: Silvio Ferreira

O deputado Pedro Kemp (PT), integrante da CPI, solicitou à mesa diretora da Assembleia uma audiência com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e os representantes dos tralhadores, em que seja apresentada uma síntese das ações da comissão – em especial o bloqueio jurídico dos recursos da JBS – e um posicionamento do governador Reinaldo Azambuja.

Outro parlamentar estadual, o deputado Onevan de Matos (PSDB), defendeu que “os recursos não sejam desbloqueados para utilização pela empresa, mas para o pagamento dos salários dos trabalhadores retidos pela JBS.”

A sessão foi suspensa para a realização da reunião, na sala da presidência da ALMS, que deve contar com a participação do governador Reinaldo Azambuja.

Comentários

comentários