Suspeitos de matar taxista são expulsos da Bolívia e entregues à Polícia brasileira

Estão na Delegacia de Polícia Civil de Corumbá os suspeitos de matar o taxista Claudinei Guerreiro, de 64 anos. Edgar Souza de Arruda, 26, e Ingrid da Silva Soares, 23, estavam escondidos na Bolívia e foram expulsos pelo governo daquele País no final da tarde desta segunda-feira, (21), após uma longa espera pela liberação da documentação.

O carro já havia sido vendido por U$ 2 mil no país vizinho (Capital do Pantanal)
O carro já havia sido vendido por U$ 2 mil no país vizinho (Capital do Pantanal)

O casal havia sido detido no sábado, (19), pelos policiais bolivianos da Direção de Investigação e Prevenção ao Roubo de Veículos (Diprove). Guerreiro foi morto com um golpe de faca no pescoço durante ação para roubar o carro, no dia 09 de março.

Após serem detidos, Edgar e Ingrid foram levados para a sede da Diprove, em Puerto Suárez. No sexto mês de gestação, a mulher precisou ser levada para um hospital daquela cidade, de onde só saiu no final da manhã dentro de uma ambulância do Corpo de Bombeiros de Corumbá.

Edgar de Arruda ficou sob escolta de policiais da Diprove Foto: Anderson Gallo/Diário Corumbaense
Edgar de Arruda ficou sob escolta de policiais da Diprove Foto: Anderson Gallo/Diário Corumbaense

O processo de entrega dos suspeitos do latrocínio que vitimou o taxista durou praticamente um dia inteiro. Logo pela manhã, o comandante de Polícia da Área 3 da PM, coronel Evaldo Mazuy, e o comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel César Freitas Duarte, se reuniram na Bolívia com o comandante de fronteira da Polícia Boliviana, coronel Hugo Justiniano Añez.

No encontro, ficou acertada a entrega dos suspeitos e do carro do taxista para a polícia brasileira. “Estamos trabalhando conjuntamente com a Polícia Militar para tirarmos de circulação os delinquentes que cometem crimes no Brasil e se escondem aqui. Tínhamos conhecimento que estavam aqui e encontramos os possíveis autores e o veículo. Estamos cuidando dos trâmites para entregarmos à migração para que os expulse do país”, afirmou o comandante de fronteira da Polícia Boliviana ao citar que a tramitação da documentação seria feita da maneira mais rápida possível, mas respeitando os procedimentos legais daquele país.

Ingrid estava internada em hospital boliviano e ficou em uma ambulância do Corpo de Bombeiros Foto Anderson Gallo/Diário Corumbaense
Ingrid estava internada em hospital boliviano e ficou em uma ambulância do Corpo de Bombeiros Foto Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Toda a tramitação no posto de migração boliviano, que fica em Arroyo Concépcion, durou cerca de cinco horas. Nesse período, os suspeitos permaneceram custodiados por policiais da Diprove. Edgar ficou numa viatura descaracterizada da Polícia Boliviana e Ingrid na ambulância do 3º Grupamento, parada na frente do posto aduaneiro. A passagem pela fronteira também teve de ser fechada em alguns momentos por causa do grande número de pessoas no local.

O processo burocrático demorou além do esperado pelas autoridades brasileiras, porque era necessária a chegada de um documento do Governo Central determinando a expulsão do casal. Até a liberação da autorização por La Paz, o escritório da migração boliviana sediou seguidas reuniões entre representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, da Coordenadoria Municipal de Segurança Pública e do Consulado do Brasil em Puerto Suárez e autoridades governamentais da Bolívia, inclusive com o sub-governador da Província de Gérman Busch, David Yóvio.

O casal suspeito, Edgar Souza de Arruda e Ingrid da Silva Soares, foi entregue para a Polícia Militar às 17h30 e foi levado para a Polícia Civil e Hospital de Corumbá. A entrega deles por expulsão da Bolívia foi assinada, após chegada ao Brasil, pela Polícia Federal. A Polícia Civil de Corumbá informou, durante reunião na migração boliviana, que mandados de prisão para os dois já tinham sido expedidos pela justiça brasileira, mas não deu mais detalhes sobre o caso.

“Foi bastante proveitosa essa colaboração. Infelizmente, tivemos a perda desse brasileiro. Mas, com união, integração e a ação irrestrita da Polícia Boliviana, essas pessoas foram entregues às polícias do Brasil para que possam ser processadas e julgadas. Essa é a prova que nessa fronteira a união entre as polícias dos dois países irá reduzir cada vez mais os índices de delito na região”, disse o coronel da PM Evaldo Mazuy.

Candelária Guerreiro, viúva do taxista Claudinei Guerreiro, acompanhou as quase nove horas de negociação para entrega dos suspeitos e do carro – um Agile – para a família. “Esse momento serve para amenizar um pouco a dor. Espero que a justiça dos homens seja feita, está começando a ser feita agora. Entreguei na mão de Deus. Estou destruída, se estou aqui de pé é porque ele, de onde estiver, está aqui do meu lado. Ele nunca me abandonou, me deu o sobrenome Guerreiro e eu vou fazer jus a ele. Agradeço aos policiais empenhados nessa busca”, disse ao ser indagada por este Diário. A família também agradeceu ao trabalho dos policiais do Diprove na captura dos suspeitos e recuperação do veículo.

O latrocínio

Claudinei Guerreiro foi morto com um golpe de faca no lado direito do pescoço. O corpo foi encontrado na rua João B.O.Mota, na região do Guató, parte alta de Corumbá, perto do Anel Viário. Guerreiro tinha aproximadamente 30 anos de praça e, por um período, chegou a trabalhar como mototaxista autorizado no município.

O taxista não tinha trabalhado durante a madrugada, havia passado a noite em casa. Tinha saído para atender uma corrida agendada um dia antes. Ele teria de pegar uma mulher perto de um mercado [na região onde o corpo foi encontrado] e levar para a maternidade. Esse agendamento levantou a suspeita que ele tenha caído numa armadilha.

Próximo ao local do crime, a Polícia Militar encontrou uma blusa feminina, uma camiseta de time de futebol, uma bermuda feminina, um tapete automotivo, um cabo de faca de madeira – possivelmente utilizada no crime – e um sinal luminoso de táxi. (diarionline)

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