SUS passa a oferecer transplante de medula óssea para tratar anemia falciforme

Considerado o único tratamento capaz de curar a anemia falciforme, o transplante de medula óssea acaba de ser incluído no rol de procedimentos coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi publicada nesta quarta-feira (1) no Diário Oficial da União.

A técnica, cujo nome científico é transplante de células-tronco hematopoéticas alogênico, consiste em destruir com o uso de drogas quimioterápicas a medula óssea do paciente, que produz células sanguíneas defeituosas. Em seguida, são infundidas células-tronco da medula de um doador compatível para que seja criada uma nova fábrica de células sanguíneas sadias.

Os primeiros trabalhos experimentais foram feitos em 2003. Desde então 40 transplantes em portadores de anemia falciforme foram realizados no Brasil. O tratamento é o único método curativo para a doença.

Para Belinda Simões, médica hematologista do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de Medicina da USP a decisão é muito importante para ajudar os pacientes, que precisam ser hospitalizados com frequência, a levarem uma vida normal e produtiva. “Havia apenas evidências sobre a segurança e a eficácia do método vindas da Europa ou dos Estados Unidos e nós mostramos que em nossos pacientes conseguíamos alcançar os mesmos índices de cura e sobrevida”, explica.

De acordo com a pesquisadora o índice de cura do tratamento é de 90%, quando o doador é um irmão compatível. A mortalidade está em torno de 5%. Os transplantes com doadores não aparentados ainda são considerados experimentais. O SUS realizará somente transplantes com células doadas por um irmão compatível, por serem considerados mais seguros e eficazes.

Segundo Simões, o procedimento representa uma opção mais barata para a rede pública do que o tratamento das complicações da doença ao longo de toda a vida dos pacientes.

anemia

Doença hereditária

A anemia falciforme é a doença hereditária mais prevalente no Brasil e estima-se que existam entre 25 mil e 50 mil afetados. Mais comum em populações afrodescendentes, é causada por uma alteração genética na hemoglobina, proteína que dá a coloração avermelhada ao sangue e ajuda no transporte do oxigênio pelo sistema circulatório.

Essa alteração faz com que as hemácias – glóbulos vermelhos do sangue – assumam a forma de foice ou meia-lua depois que o oxigênio é liberado. As células deformadas se tornam rígidas e propensas a se polimerizar, ou seja, a formar grupos que aderem ao endotélio e dificultam a circulação sanguínea.

Além de inflamação constante, esse processo vaso-oclusivo pode causar necrose em vários tecidos e crises de dor intensa. É comum o aparecimento de úlceras nas pernas, descolamento de retina, priapismo (ereções prolongadas e dolorosas), acidente vascular cerebral, infartos, insuficiência renal e pulmonar. A doença também compromete os ossos, as articulações e tende a se agravar com o passar dos anos, reduzindo em cerca de 25 a 30 anos a expectativa de vida.

com informações da Agência Fapesp

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