Sul-mato-grossenses participarão de Mundial de natação no Canadá

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Kanieski na Nacional em setembro, quando carimbou passaporte ao Canadá (Foto: Divulgação)

O Mato Grosso do Sul terá dois filhos atletas da natação na seleção brasileira que participará do 13º Mundial de Piscina Curta no Canadá. A competição a ser realizada de 6 a 11 de dezembro, na cidade canadense de Windsor, contará com a participação de Lucas Kanieski, 26 anos, e, do já veterano Leonardo de Deus, 26 anos. Eles estão entre os 16 nadadores que representarão o Brasil na disputa do campeonato.

Lucas Kanieski, que é nascido em Dourados, iniciou carreira no município, veio para Capital, mas hoje é atleta que defende o Minas Tênis Clube, de Belo Horinzonte – MG. Ele garantiu na competição nacional José Finkel, em setembro, o carimbo no passaporte. O douradense terá a companhia do paulista Brandonn Almeida, promessa da natação brasileira, nas disputas dos 1.500 m livre. Já Leonardo de Deus, natural de Campo Grande, hoje no Corinthians, há tempos já despontou em diversas competições nacional e internacional, sendo outro que está inscrito no Mundial de piscina de 25 metros.

O hoje nadador do Minas Tenis, já participou de um mundial da área, a Copa do Mundo em Piscina Curta, que ocorreu em Moscou, na Rússia, em 2013. Lá, Lucas foi bronze nos 400m livre, e, prata, nos 1.500m livre disputados. Ele completou a prova com 14m44s66 e foi superado pelo sul-africano Miles Brown (14m43s52), que ficou com o ouro.

A classificação de Kanieski para a competição internacional veio durante o Troféu José Finkel, realizado no dia 13 de setembro, no Clube Internacional de Regatas, em Santos (SP). Nos 1.500 m, o sul-mato-grossense bateu o seu próprio recorde na competição nacional. O douradense, que está no esporte desde os 8 anos, disputou a competição pela equipe Fiat/Minas e está no clube há sete. Com 14min40s31. superou a marca anterior, de 14m44s, feita em Moscou, em 2013. O sul-mato-grossense chegou à frente de Brandonn Cruz, do Corinthians, que fez o tempo de 14m40s33, e de Guilherme Costa, do Unisanta, aos 14m41s23.

Destaques da Seleção

Ainda entre os homens, a seleção terá Kaio Márcio Almeida (200m borboleta), Guilherme Guido (100 m costas), Henrique Rodrigues (200 m medley) e Fernando Scheffer (200 m livre). No feminino, foram chamadas Manuella Lyrio (200 m livre), Viviane Jungblut (400 m livre), Larissa Oliveira (100 m livre) e Daiene Marçal (100 m borboleta), apenas.

Dentre outras conquistas Lucas Kanieski e Leo de Deus, participaram das Olimpíadas do Rio 2016 e já foram aos dois últimos Pan-Americano. Em 2011, em Guadalajara, Lucas ficou com a prata no revezamento dos 200 metros livres. Léo de Deus, faturou ouro nos 200 metros borboleta e prata no revezamento dos 200 metros livres.

Histórico

(Foto: Satiro Sodré / SSPress)
(Foto: Satiro Sodré / SSPress)

Lucas Kanieski começou no esporte devido a uma indicação médica. Aos cinco anos, o menino sentia fortes dores na perna, atribuídas ao crescimento. Assim, a mãe Ivonete foi obrigada a colocá-lo na água para amenizar o problema. O que poderia se tornar um sacrifício virou uma paixão. A partir dos 11 anos, as braçadas se intensificaram e, em 2006, o seu técnico José Geílson recebeu um convite para trabalhar em Campo Grande. Sem pestanejar, o nadador saiu de casa para acompanhar o comandante. Ainda adolescente, há dez anos, Lucas trocou Dourados pela Capital, onde começou a perseguir o sonho de ser profissional. A transição do interior para a capital foi fundamental para o jovem nadador, mas não apenas por causa da melhor infraestrutura dos clubes da cidade grande. “Foram dois anos longe de casa. Porém, não senti muito a distância, já que apenas 200 Km me separava de casa. Dava para passar o fim de semana com meus pais. Foi uma boa experiência, mas tive que deixar a cidade por causa da falta de estrutura”, contou o atleta.

O jovem, apesar de estar em um Estado em que a natação não é muito praticada e distante de regiões mais desenvolvidas na modalidade, já tinha seu talento sendo observado pelos treinadores das principais equipes do Brasil. Tanto que, quando ainda estava em Mato Grosso do Sul, o nadador defendeu as cores do Corinthians e da Unisanta nas competições nacionais. No entanto, foi o Minas que resolveu levar o garoto para as dependências do clube e ajudá-lo a se transformar na aposta brasileira para a prova menos tradicional do país (1.500m). Para a equipe mineira, um investimento. Para o atleta, o preço alto era a saudade.

“Foi difícil, pois fiquei dois anos e meio morando em uma república e sem poder ir a Dourados para ver meus pais. Isso me fez crescer muito, não só na natação como também no lado pessoal. Mas agora melhorou porque estou morando sozinho e consigo recebê-los na minha própria casa. Inclusive, um mês antes das principais competições, minha mãe vem para cá e fica me dando um suporte. Ela faz comida e vira quase que uma nutricionista”, declarou Kanieski, que também nada os 400m livre.

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(Foto: Satiro Sodré / SSPress)

Leo de Deus

A certidão de nascimento de Leonardo de Deus informa: natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Mas diferentemente do conterrâneo Lucas, que nadou até a adolescência nas piscinas do Estado, Léo não teve vínculos entre a terra natal e a carreira. Filho de militar, mudou-se com a família para Belém com apenas um ano de idade, e foi nos clubes paraenses que Léo deu as primeiras braçadas em competições, na infância. “Tenho avós, tios que moram em Campo Grande, mas devido à rotina agitada de atleta eu não tive tempo para visitar nos últimos anos. Fui a Campo Grande uma vez só, quando era adolescente, tinha 15 anos”, relembra Léo.

Na adolescência, Léo trocou Belém por Brasília, para continuar a desenvolver suas técnicas e integrar pela primeira vez a seleção brasileira juvenil, em 2006. Depois passou por Belo Horizonte e finalmente estabeleceu-se em São Paulo, em 2010, onde Léo se consolidou como um dos nadadores de elite do país. Nesse período, obteve ouro pan-americano em Guadalajara nos 200m borboleta, prata no revezamento 4x200m livre e o índice olímpico para os Jogos de Londres-2012, chegando às semifinais nos 200m costa.

Aos 24 anos, defendeu o Brasil pela segunda vez em Pan-Americanos, em 2015, onde competiu em quatro provas em Toronto-Canadá: 200m borboleta, 200m costas, 400m livre e revezamento 4x200m livre.

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