Servidores da CGU pedem autonomia e exoneração de ministro

Prédio da CGU de Campo Grande foi decorado com faixas e cartazes em tom de protesto. (Foto: Paulo Francis)
Prédio da CGU de Campo Grande foi decorado com faixas e cartazes em tom de protesto. (Foto: Paulo Francis)

Os Servidores da Controladoria-Geral da União (CGU) anunciaram nesta segunda-feira (30) que não vão cumprir ordens do novo ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, e dizem que não o consideram como seu chefe. Em protesto contra Fabiano Silveira, chefes de 23 representações estaduais da CGU e outros 200 ocupantes de cargos de direção e assessoramento superior (DAS) anunciaram a entrega de seus cargos.

Eles afirmam que não trabalham com o novo ministro e cobram a imediata saída de Fabiano, flagrado em conversa gravada orientando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado a se defenderem na Operação Lava Jato.

Na Capital o clima não é diferente, o prédio da CGU foi decorado em regime de protesto com faixas pretas e cartazes com dizeres do tipo “+CRU – Corrupção”, “Com o Fim da CGU quem vence é a Corrupção”, “CGU é do Povo e não do Governo”, Tchau Querido”, entre outros.

Servidores pedem o retorno da autonomia do órgão e exoneração do ministro da transparência Ricardo Silveira. (Foto: Paulo Francis)
Servidores pedem o retorno da autonomia do órgão e exoneração do ministro da transparência Fabiano Silveira. (Foto: Paulo Francis)

O servidor público e membro da UNACON Sindical, Gilberto Ricardi, explicou ao portal de notícias Página Brazil que os áudios divulgados hoje trouxe mais indignação aos servidores da CGU, que já estavam em um movimento em defesa do órgão no qual foi extinto pelo presidente Michel Temer em seu primeiro ato.

“Nós intendemos que a criação do ministério da transparência enfraquece as politicas de combate a corrupção na qual a CGU era responsável. Inicialmente este movimento é para que retorne o nome CGU e todas as suas atribuições, mas hoje, mais forte ainda é pela renuncia ou exoneração no ministro Fabiano Silveira, porque nós intendemos que ele não tem condições morais e éticas de continuar a frente de um órgão tão importante para o Brasil como a CGU”, afirma o analista.

O analista destaca que cerca de 300 servidores da CGU estão acampados em frente à sede do órgão, no Setor de Autarquias Sul, em Brasília. Eles impediram a entrada do ministro ao cercar o veículo que o transportava e promoveram uma “lavagem”, com água e sabão, na entrada do prédio e do gabinete dele. Além de pedir a demissão imediata de Fabiano, os manifestantes querem a retomada do status de ministério independente da CGU e a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (CGU) que dá mais poder ao órgão de fiscalização e controle.

Gilberto ainda frisa que na próxima quarta-feira (25), servidores da CGU de todos os estados devem seguir em caravana para Brasília onde devem irão realizar uma grande manifestação em frente ao edifício sede da Controladoria-Geral da União (CGU). Promovido pelo Unacon Sindical, o ato integra o calendário de atividades aprovado na última assembleia geral extraordinária (AGE) no dia 23.

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