Seminário alerta sobre excesso de agrotóxicos que a população ‘consome’

Discutir o real impacto socioeconômico do uso dos agrotóxicos em monoculturas e suas relações com os problemas de saúde da população brasileira não é uma tarefa fácil no “país do agronegócio”, que é o maior consumidor destes produtos no mundo, e principal destino de agrotóxicos proibidos internacionalmente. Segundo denúncias de ambientalistas, o país acaba sendo a válvula de escape das indústrias bilionárias do setor para desovar os produtos que de outra forma representariam prejuízo, driblando assim à rigidez das leis ambientais e sanitárias no Exterior.

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Para debater esse assunto foi aprovado na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados em Brasília (DF), o requerimento do deputado federal José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, para realização de um seminário sobre os impactos na saúde dos trabalhadores rurais decorrentes do uso de agrotóxicos utilizados em Mato Grosso do Sul. O evento – que será organizado em conjunto por Zeca com o deputado estadual Pedro Kemp (PT) -, está previsto para o segundo semestre.

De acordo com o deputado, “uma pesquisa do Inca (Instituto Nacional de Câncer) demonstrou os altos riscos à saúde humana gerados pelo uso indiscriminado de agrotóxicos. Nos campos e lavouras do Estado são consumidos 40 litros por habitante/ano, muito além da média nacional, que é de 5 litros por habitante, de acordo com levantamento apresentado pelo pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, professor Wanderlei Pignati em evento organizado pelo Ministério Público Federal (MPF) neste mês em Campo Grande”, informou o deputado federal.

“Os riscos à saúde devidos à exposição aos agrotóxicos, hoje não estão limitados aos trabalhadores e trabalhadoras do campo, mas também aos consumidores finais destes produtos alimentícios in natura ou industrializados, como biscoitos, salgadinhos e pães, pizzas e outros, que têm como ingredientes trigo, milho e soja. Os agrotóxicos também podem contaminar carnes e leites de animais devido às rações”, alertou.

O documento público divulgada pelo Inca ressalta os riscos dos agrotóxicos à saúde, em especial por sua relação com o desenvolvimento de câncer, e outros problemas como infertilidade, impotência e abortos, malformações fetais, neurotoxicidade e desregulação hormonal, além de depressão e outros efeitos sobre o sistema imunológico.

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