Sem partido depois de atrito com André, Nelsinho não é aceito no PTB

Sem partido depois que resolveu sair do PMDB por causa de atrito com o ex-governador André Puccinelli (PMDB), o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, não interessa ao PTB, legenda de pouca expressão política e sem nenhuma representatividade na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Nelsinho se reuniu com petebistas em 2014
Nelsinho se reuniu com petebistas em 2014

Pelo menos foi essa a posição do presidente regional do partido, Ivan Louzada, ao se manifestar a respeito da possível filiação do ex-prefeito.

A notícia sobre o interesse de Nelsinho em voltar ao partido de origem foi dada pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB), durante a convenção regional de seu partido, ocorrida no último sábado no plenário da Assembleia Legislativa.

Nelsinho deixou os quadros do PMDB alegando falta de empenho de alguns correligionários, com o próprio André Puccinelli e o ex-presidente da Assembleia, Jerson Domingos, hoje conselheiro do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado), que preferiram apoiar candidatos adversários.

Jerson foi um dos que mais se empenharam na campanha do ex-senador Delcídio do Amaral (PT) ao governo do Estado, no ano passado. André Puccinelli, por sua vez, não pediu votos abertamente para o petista, mas fez campanha no Estado para presidente Dilma Rousseff, reeleita no segundo turno das eleições ao derrotar o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

“O partido já vem trabalhando em um projeto político há algum tempo, prometo mudanças para 2016, precisamos dar um “upgrade” no PTB, e isso não envolve o ex-prefeito”, descartou Louzada, cujo grupo político integrou a coligação encabeçada por Delcídio, derrotado no segundo turno das eleições do ano passado para Reinaldo Azambuja.

Ligado ao grupo político do ex-governador, Louzada foi para o palanque do candidato do PT a pedido de André Puccinelli. À imprensa, o dirigente petebista garante que subiu no “ônibus” de Delcídio por orientação da direção nacional petebista que tinha compromisso com o projeto de reeleição da presidente Dilma.

Mais tarde, depois de ter se comprometido com o PT e de ter oferecido um almoço, na sede do partido, em Brasília, para a presidente, os trabalhistas declararam que iriam caminhar com o tucano Aécio Neves.

Apesar de dizer que o ex-peemedebista não faz parte do projeto de reestruturação do PTB em Mato Grosso do Sul, o dirigente assegurou que sempre admirou o trabalho dele como prefeito da Capital, da mesma forma com que admira a postura de seus irmãos, o ex-deputado federal Fábio Trad (sem partido) e do deputado estadual Marquinhos Trad (dissidente do PMDB).

Em nota distribuída na terça-feira pela assessoria de imprensa do partido, Louzada disse que, como dirigente do PTB, se viu na obrigação de desmentir as informações de que o ex-prefeito estaria a caminho do partido.

“Os irmãos Trad caminharam há algum tempo com o PMDB, e fica claro se o interesse é ir para outro partido, os três irão juntos, como sempre estiveram”, colocou, ainda segundo a nota.

Apesar da rejeição agora, os dirigentes petebistas sentaram com Nelsinho para discutir eventual apoio à sua candidatura. No entanto, a união entre PTB e PMDB não foi sacramentada por conta de pequenos detalhes.

Antes do início da campanha, o então peemedebista se reuniu, além de Louzada, com o ex-deputado estadual Walter Carneiro (secretário-geral do partido) e com o vereador Edson Shimabukuro para tratar de um possível pacto político.

Há informações, não confirmadas pelas lideranças políticas envolvidas no troca-troca partidário, que Nelsinho estaria tentando uma manobra via direção nacional a fim de retomar o controle do partido, do qual o seu pai, ex-deputado federal Nelson Trad (falecido), já foi presidente em MS.

PROJETOS

Louzada garantiu ainda que o partido não tem motivos para conversar com outras legendas, ressaltando mais uma vez que o PTB já vem desenvolvendo projetos políticos que visualizam um cenário de desenvolvimento econômico, social e trabalhista para o Estado, no qual envolvem nomes expressivos para as próximas eleições.

“Estamos montando nossa base no interior do Estado, as coisas vão acontecendo naturalmente, as conversas vão fluindo, não adianta impor situações, muitos projetos levam tempo, temos que trabalhar com responsabilidade, sempre pensando em fortalecimento e crescimento. As pessoas estão desacreditadas não só no âmbito político, mas de modo geral, por isso precisamos ter cautela e respeito”, emendou o petebista.

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