Secretário prevê: “Sair da crise, só em 2017”

Jaime Verruck, secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico – Foto: Silvio Ferreira

Em entrevista ao programa Tribuna Livre, e ao portal Página Brazil, o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semade), Jaime Verruck, analisou a atual situação econômica de Mato Grosso do Sul em um contexto de crise financeira nacional que tem desencadeado um movimento de aumento de impostos nas três esferas: federal, estadual e nos municípios. – Por Silvio Ferreira

De acordo com o secretário, “o processo de desenvolvimento econômico do estado, passa por um momento favorável no agronegócio, exatamente por MS ser exportador. No ano passado tivemos um recorde de produção de milho, com 9 milhões de toneladas; um recorde na produção de soja, que nós acreditamos que se repita neste ano.”

Verruck explicou ainda que “na questão da industrialização, nós dividimos o estado para buscar empreendedores. Nós temos este ‘cluster’ [empresas que se agregam em determinadas regiões por possuírem atuações ou características semelhantes] da celulose na costa leste; nós temos toda a região Sul do estado com [o setor] sucro-energético [álcool e açúçar] e com a questão das proteínas animais; e em Campo Grande, estamos recebendo um grande empreendimento que já está sendo instalado na área de proteína texturizada”, anunciou.

Privilégios em meio à crise – “Naqueles setores voltados para a exportação na área de carnes, celulose, na industrialização de produtos agropecuários -, nós temos um crescimento bastante forte”, comemorou. “MS recebe hoje os maiores investimentos na área no país: são praticamente R$15 bilhões, entre celulose, industrialização de suínos, de aves – a industrialização de peru, que é uma nova indústria que está vindo para o estado -, então nós temos um cenário bastante favorável.” 

Segundo o secretário, o contraponto desse horizonte promissor para o estado tem sido os efeitos sofridos pelo contexto de crise econômico-financeira; de dificuldades no âmbito da política tributária e da competitividade internacional.

Verruck lembrou que “o setor têxtil já vinha sofrendo com a competição forte da China. É um setor que tem um impacto muito grande em função da demanda no país todo. O resultado é que nós temos um impacto de desemprego muito forte em dois setores fundamentais: o setor têxtil e da construção civil em função da não-criação de investimentos, principalmente do [programa do governo federal] ‘Minha Casa, Minha Vida’. Estão nós vamos ter para 2016, em Mato Grosso do Sul, um desequilíbrio em termos de ‘grande número de empregos’, mas este desequilíbrio será por setores”, analisa.

Atração de investimentos e a proposta de redução de ICMS – “Por outro lado”, considera Verruck, “nós estamos atraindo investimentos. E para atrair investimentos é fundamental a política de incentivos fiscais. Temos um projeto, no âmbito [do governo] federal, de unificação de alíquotas de ICMS. E alguém pode dizer: “Ah, se o estado é exportador, para ele não impacta, porque [o ICMS d]a exportação é zero!” Impacta, porque nós não estamos sendo recompensados pela Lei Kandir”, lamentou.

“A nossa grande preocupação hoje é: se nós tivéssemos a compensação, daquilo que nós deixamos de arrecadar na exportação, através da compensação federal, nós estaríamos em situação bastante favorável sob o ponto de vista das finanças estaduais. Mas isso não acontece, o governo federal não repassa. A unificação – eu considero bastante dramática -, caso ela venha ocorrer. Porque a nossa arrecadação de ICMS se dá exatamente nas operações internas e nas operações interestaduais. Ai que vem o grande volume de arrecadação, não é na exportação. Quando você unifica e perde a capacidade de dar diferencial de alíquota, pra atrair indústrias pra cá, você pode ter certeza que essa indústria….”

“A indústria de soja não sai daqui porque é exportadora. Quem sai? A indústria para o mercado interno. Ela vai se deslocar para São Paulo, para próximo das fontes de demanda. Então, nós estamos bastante preocupados. Nós temos falado tanto com o senador [Waldemir] Moka, como com a senadora Simone [Tebet] sobre essa questão, que têm nos ajudado no Congresso Nacional, para que não seja aprovada a unificação de alíquota do ICMS. Ou que se criem mecanismos, de tal forma que os estados possam manter a competitividade. Existe a possibilidade de criar dois fundos, só que nós estamos trabalhando para que esses fundos sejam constitucionais e não fundos como foi a Lei Kandir, que nós não vamos receber depois”, ponderou o secretário.

Sair da crise, só em 2017 – Apesar das expectativas preocupantes no aspecto tributário, o secretário avalia positivamente a situação de Mato Grosso do Sul no tocante a investimentos privados: “MS tem um posição bastante privilegiada no país. Existe uma série de investimentos que estamos captando para cá. Em MS, em 2016, a economia se movimenta pelo lado privado, com esses investimentos se consolidando. Porque sob o ponto de arrecadação, nós temos certeza que 2016 será um ano muito difícil. O governo federal não consegue fazer o seu ajuste ainda este ano e nem no ano que vem, então nós estamos falando em sair da crise em 2017”, admitiu.

“Nós temos que trazer o investimento privado. Nós temos um grande programa de Parcerias Público-Privadas (PPPs), de buscar investidores para algumas ações na área de saneamento, na área gás, para que esse recurso privado possa vir ajudar alguns investimento em infra-estrutura em Mato Grosso do Sul”, finalizou.

Silvio Ferreira

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