Secretário de Administração diz que governo “não pode prometer e depois não pagar professores”

Em entrevista concedida ao programa Tribuna Livre, e ao portal Página Brazil, o secretário de Estado de Administração e Desburocratização do governo Reinaldo Azambuja (PSDB), Carlos Alberto de Assis, disse na manhã desta quarta-feira (27), que o governo defende “o direito de greve, desde que seja legal”, ao referir-se ao início da paralisação programada para esta quarta-feira, pela Federação dos Trabalhadores em Educação em Mato Grosso do Sul (Fetems).

O secretário lamentou essa possibilidade argumentando que entende que “greve parece uma atitude de quem põe um ponto final às negociações”. “Nós chamamos os trabalhadores para o diálogo. Assumimos o governo com um aumento de folha de pagamento de R$23 milhões concedido pelo governo anterior, em dezembro, que transgrediu à Lei de Responsabilidade Fiscal, pois a mesma proíbe aumentos de gastos sem previsão orçamentária”, disse, defendendo a governo Azambuja.

Assis argumentou que “o governador não pode dar calote, prometendo pagar algo que não tem previsão financeira”. “É pior prometer e não pagar!”, constatou. O secretário lembrou ainda que “poucos trabalhadores tiveram aumentos em todo o país, em meio à atual crise”. E ainda que “a lei nº 4464 prevê 23,99%, muito acima da inflação do país prevista para este ano, de cerca de 8,5%. “O governo anterior concedeu um aumento para quase todas as categorias. E como previsto pela lei nº 4350, esses aumentos devem ser considerados como ‘antecipação salarial, revisões salariais gerais e ajustes setoriais’, afirmou o secretário. “O governo entende que nós antecipamos o reajuste concedido pelo governo anterior por cinco meses”.

Ressaltando que o governador Reinaldo Azambuja concedeu o reajuste 13,01% desde janeiro e propõe o re-escalonamento dos demais 10,98% de aumento em oito anos”. A categoria quer que a diferença seja paga de forma imediata. “A proposta prevê ainda o re-escalonamento dos horários dos professores de 40 horas para 20horas. A Fetems não aceitou a proposta”, lamentou o secretário.

“Se fosse fácil pagar esse aumento, isso já teria sido feito porque a lei é de 2013”. Assis, que é graduado em Educação Física e contou ter várias pessoas próximas a ele atuando na Educação, disse que o governo quer “mais prazo para valorizar e atender aos professores”. O secretário disse que não acredita que a classe realmente deseje entrar em greve, ainda mais com o governo disposto à negociações”.

Assis garantiu que “o governo está determinado a entrar em um acordo”, lembrando que “valorização não passa apenas por reajustes salariais. Dinheiro é bom, é preciso, mas há outras preocupações como o empenho em desenvolver um plano de meritocracia, saúde etc.”

Para finalizar, o secretário avaliou que “o governo está em meio à uma jogada política, que estamos administrando com habilidade, pois o aumento é merecido, mas não temos como dar no mês de maio. Estamos conversando com os servidores, que querem aumento, mas querem também conversar sobre outros itens como distorções salariais.”

Silvio Ferreira

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