Votos ‘brancos e nulos’ poderia ser o vencedor se eleição fosse hoje na Capital

urnaA primeira pesquisa de intenção de votos para prefeito de Campo Grande nas eleições 2016, ainda em outubro, saiu nesta semana, mostrando a ‘preferencia’ do eleitorado que ficou entre a reeleição do chefe do Executivo, Alcides Bernal (PP), e o deputado estadual Marquinhos Trad (PSD). Contudo, os números mostram que outro concorrente ameaça, sendo praticamente o primeiro colocado ante a pretensão dos candidatos, apesar da antecipação em três meses do pleito eleitoral. Os eleitores que não sabem em quem votar ou votarão em branco ou nulo, aparece quase no topo, tanto na simulação do primeiro, como segundo turno, com cerca de 30% dos entrevistados. Contudo, veja abaixo, que este tipo de voto não tem validade para interferir no resultado da escolha final.

Na simulação da escolha final, no segundo turno, 34% dos campo-grandenses disseram não dar seu voto para nenhum dos dois colocados ante os 38% que dizem votar no deputado-candidato, que já está em campanha, e 27,61% para o prefeito, que ainda não assumiu concorrer à reeleição. Do percentual total, os votos brancos e nulos seriam de 25,87% e indecisos 8,08%, aponta o levantamento feito no fim do mês passado, e, divulgado no domingo (10) pelo Instituto DATAmax.

A realidade pode ser bem esta, até no dia das eleições, pois os números desde o apontamento em primeiro turno, mostram que quase 30% dos eleitores não querem nenhum dos nomes apresentados, entre os prováveis 13 candidatos, que já se apresentaram para concorrer ao Paço Municipal. Mesmo com a imensa pulverização de candidatos e maior escolha, 19% responderam que digitarão na urna eletrônica a tecla branco ou nulo, e, outros 9% não sabem se votam em nenhum dos pretensos candidatos.

Se a eleição fosse hoje, em outro cenário, seria ainda pior, com quase 40% não fornecendo o voto, na disputa do 2º turno, entre o apontado lider Marquinhos com a pretensa outra ‘mais forte pré-candidata’, a vice-governadora Rose Modesto (PSDB). Ele teria 41,72% os votos, contra 18,91% da tucana, a maior diferença registrada neste levantamento. Mas, o número de brancos e nulos seria de 29,48% e eleitores indecisos de 9,83%.

Ainda tem a rejeição

ca49aaf81338cb7f04d7744a831dd559Outro fato que pode ou deve preocupar os candidatos é o voto de ‘rejeitado’, que entre todos ou no menor, tem um percentual mínimo de praticamente 10%, que não votaria de jeito nenhum naquele nome.

Marquinhos, não se preocupa com a posição relativamente alta de rejeição, mas com a dúvida sobre o clã dos Trad estar ainda vivendo a dúvida de ir ao pelito eleitoral com um dos irmãos ou mesmo ter a concorrência entre Nelsinho e Marquinhos Trad. Na balança, há entre eles um que tem a bagagem de diversos mandatos no Legislativo e acima de tudo, de seus oito anos a frente da própria prefeitura da Capital, ou outro, com mandatos apenas no Legislativo estadual, mas que vem com a pecha da renovação e de estar hoje, a frente da disputa com o irmão e até com os adversários, se a votação final fosse neste momento.

O pré-candidato ao Paço Municipal pelos Social Democratas, além da preocupação com o irmão, tem um quinto lugar com 15,42% dos eleitores entrevistados afirmando que não votariam nele. Contudo, ele acredita que o resultado é natural e até está longe de ‘perder’ voto devido a isto. “Continuo trabalhando. A minha preocupação no momento não é o índice de aceitação ou de rejeição, no momento busco elementos para solucionar os problemas de Campo Grande”, afirmou.

A pesquisa, no entanto, também mostra a ele, que seu ‘carimbo’ de suposta renvoação, está no caminho certo, pois aquele que seria a maior estrela atualmente, mas até já anunciou sua desistência das eleições 2016, o ex-governador André Puccinelli (PMDB) têm a maior rejeição dos eleitores, seguido por Alcides Bernal. Segundo aponta a intenção de votos, ambos têm, respectivamente, 31,97% e 28,48% de taxa de rejeição dos campo-grandenses, entre os que seriam prefeitáveis.

Na sequência dos ‘sem votos’, Alex do PT aparece em terceiro lugar, com 23,88% de pesquisados afirmando que não votariam nele. Com pouca diferença, aparece Dagoberto Nogueira (PDT), com 23,51% de rejeição. Em quinto lugar está o deputado-pré-candidato do PSD, com 15,42%. Em sexto, Pedro Pedrossian Filho(PMB), com 13,06%. A pré-candidata tucana Rose Modesto (PDB) aparece com o mesmo índice de Pedrossian. Em seguida, Marcelo Bluma (PV) 12,44%, Athayde Nery (PPS) 11,94%, Haroldo Figueiró (PTN) com 10,95%, Coronel David (PSC) com 10,57%, Renato Gomes (PRP) com 9,95% e Márcio Fernandes (PMDB) com a menor rejeição, de 8,58%.

Pesquisa

Ao todo foram entrevistadas 804 pessoas em Campo Grande e a margem de erro aos percentuais é de 3.5 pontos para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. As sete regiões da cidade foram ouvidas: Anhanduizinho, Bandeira, Centro, Imbirussu, Lagoa, Prosa e Segredo. A amostragem foi feita entre os dias 25 e 30 de junho com registro no TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) no dia 27 do mesmo mês. O número de protocolo é MS-03822/2016.

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O que você precisa saber sobre voto branco e nulo

O voto branco ainda é considerado um voto conformista, ou seja, o eleitor que utiliza essa forma de voto é considerado um sujeito satisfeito com qualquer um dos candidatos que ganhasse. A ideia por trás disso é que todos os votos em branco vão para o vencedor. Já o voto nulo é tido como uma forma de protesto. Muita gente incentiva as pessoas a votarem em nulo porque isso mostraria a indignação coletiva com o estado da política no nosso país e forçaria a realização de novas eleições, com novos candidatos.

O fato é que, desde 1997, os votos brancos são considerados inválidos e não favorecem nenhum candidato. Já os votos nulos não têm poder nenhum de influenciar o rumo de uma eleição, apenas diminuindo o total de votos válidos. Assim, os dois votos praticamente se equivalem em seus efeitos.

No caso das eleições majoritárias – isto é, aquelas para Senador, Prefeito, Governador ou Presidente da República -, os votos em branco e os nulos não interferem de forma alguma no resultado das eleições, pois o cálculo feito nessas eleições é apenas uma porcentagem em cima dos votos válidos computados. Sendo assim, o candidato vitorioso será o que obtiver a maior porcentagem dos votos válidos.

Por exemplo: Existem 2 candidatos e 100 pessoas para votar. Se 50 votarem nulo ou branco, 30 votarem no candidato X e 20 no candidato Y, o candidato X será o vencedor, apenas porque foi ele quem angariou uma maior quantidade de votos válidos, que são aqueles destinados a um candidato específico ou à legenda.

Observa-se, então, que nesse caso a votação independe dos votos brancos ou nulos, mesmo quando eles representam 50% dos votos ou mais. Eles, portanto, apenas possuem o objetivo de dar ao cidadão uma oportunidade de exercer sua cidadania sem que afete o resultado da eleição em questão.

Porém, no caso das eleições para deputado federal, estadual ou para vereador, os votos em branco e nulos interferem sim nas eleições, mesmo continuando inválidos. Isso ocorre, pois nesse caso a votação não é direcionada a um candidato individual, ela é direcionada ao partido ou coligação, ou seja, quando você vota em um candidato do partido X, você vota em todos os outros indiretamente. Portanto, diferente das eleições majoritárias, os votos vão para o partido ou coligação, e não para um candidato específico.

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