São Paulo abre a Libertadores com derrota para Strongest

O São  Paulo foi uma decepção completa na noite dessa quarta-feira. Passes errados em sequência e finalizações sem qualquer eficiência foram determinantes para a equipe perder por 1 a 0 para o The Strongest, no Pacaembu, na abertura do Grupo A da Copa Libertadores. Hostilizado pela torcida, o time acumulou a primeira derrota como mandante para um time boliviano em sua história. Já o Strongest, que não vencia um jogo como visitante no torneio continental há quase 34 anos, somou os três primeiros pontos e largou na frente dos rivais na chave.

Michel Bastos domina a bola sob marcação (Foto: EFE)
Michel Bastos domina a bola sob marcação (Foto: EFE)

Assim como nos jogos contra o César Vallejo, na pré-Libertadores, o São Paulo soube criar oportunidades e chegar ao ataque no primeiro tempo. Faltou à equipe maior eficiência para concluir as chances a ponto de ameaçar o goleiro Vaca. Para o segundo tempo, Bauza tentou revolucionar o estilo de jogo do Tricolor e tirou Hudson para a entrada de Calleri. O trio ofensivo não surtiu o efeito esperado e Alonso, aos 17 minutos, anotou o gol da vitória do Strongest.

Além de ter de engolir a derrota na Libertadores, a torcida do São Paulo deixa o Pacaembu ainda mais irritada com a insistência de Bauza em colocar Centurión no time titular. O atacante errou na maioria das vezes em que foi acionado à frente e, ao ser substituído por Rogério, ouviu sonoras vaias dos tricolores. Quem também decepcionou foi o meia Michel Bastos, duramente hostilizado após os erros cometidos na lateral esquerda do campo.

O próximo compromisso do São Paulo pode ser considerado o jogo mais difícil da equipe na fase de grupos da Libertadores. O clube viajará para Buenos Aires, onde enfrentará o River Plate, em 10 de março, no Monumental de Núñez. No dia anterior, o Strongest terá pela frente Trujillanos-VEN, na altitude de La Paz.

O Jogo

Foi preciso um minuto de jogo para que a torcida do São Paulo se levantasse das arquibancadas. Após recuo errado da zaga para o goleiro Vaca, em lance semelhante ao protagonizado por Lucão no primeiro gol do Corinthians no Majestoso de domingo, Ganso tentou o chute e acertou as pernas do arqueiro boliviano. Cinco minutos depois, o Tricolor errou na saída de bola e Alonso, após belo drible em Rodrigo Caio, acertou a trave direita de Denis.

Nervoso, o São Paulo abusava das faltas e já tinha Alan Kardec e Rodrigo Caio amarelados com sete minutos de partida. Com a bola no pé, no entanto, o Tricolor era muito superior ao rival boliviano. Tanto que uma série de cruzamentos feita pelo time entre os 17 e 19 minutos deixou a defesa do Strongest em pânico. Vaca, experiente goleiro com passagens pela seleção do país andino, foi o responsável por afastar o perigo em todas as oportunidades.

Aos 27 minutos, Ganso apareceu pela primeira vez no jogo e teve uma finalização de fora da área defendida por Vaca. Aos 30, o meia subiu sozinho após cobrança de escanteio da esquerda e testou para longe do gol. No lance seguinte, o Tricolor pressionou a saída de bola do Strongest e forçou o erro de passe de Vaca. A bola caiu nos pés de Centurión, mas o argentino não soube conduzi-la e desperdiçou o lance. A trapalhada desencadeou os primeiros pedidos pela entrada de Rogério no Pacaembu.

A melhor chance do São Paulo na etapa complementar ocorreu aos 37 minutos, após Vaca não alcançar um cruzamento e Alan Kardec acertar a trave com um carrinho. O árbitro, no entanto, viu toque de mão do centroavante e marcou falta. Já o Strongest esboçou uma pressão nos minutos finais do primeiro tempo, mas não levou perigo ao goleiro Denis nas investidas.

A falta de eficiência ofensiva levou Bauza a radicalizar no segundo tempo. O argentino sacou o volante Hudson para a entrada de Calleri, mas a formação agressiva parava nos seguidos erros de Centurión e Michel Bastos nas duas laterais do campo. Com 17 minutos jogados e nenhuma chance criada, o São Paulo foi castigado e sofreu o gol após bola cruzada na área por Chumacero. O boliviano alçou com precisão para Alonso cabecear dentro da meta de Denis.

O São Paulo chegou ao ataque pela primeira vez aos 21 minutos, após Ganso lançar na esquerda e Michel Bastos mandar o tiro por cima do gol. Em seguida, Centurión deixou o campo sob vaias para a entrada do talismã Rogério. Além do argentino, Bauza sacou o centroavante Alan Kardec e optou pela entrada de Kieza.

Para frustração do treinador, as alterações não produziram nenhum resultado concreto. O Tricolor cansou de cruzar bolas fáceis de serem cortadas, errou passes no meio-campo e quase não finalizou ao gol de Vaca. Para piorar, os bolivianos catimbaram a cada falta marcada pelo árbitro e souberam aproveitar a apatia brasileira para sair do Pacaembu com a vitória.

Aos são-paulinos sobraram as críticas. “Não tem respeito com a camisa tricolor, filho da p…” e “não é mole não, estou cansado de time amarelão” foram os cantos entoados pelas arquibancadas antes do apito final. Os xingamentos foram sentidos pelo time. E aos 41 minutos, no último lance do jogo, Kieza recebeu quase na marca do pênalti e bateu de forma displicente, sem qualquer ameaça para Vaca. (TERRRA)

FICHA TÉCNICA SÃO PAULO X THE STRONGEST-BOL

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)

Data: 17 de fevereiro de 2016, quarta-feira

Horário: 19h30 (de Brasília)

Árbitro: Mario Díaz de Vivar (Fifa-PAR)

Auxiliares: Carlos Cáceres e Milciades Saldívar (ambos Fifa-PAR)

Público: 27.168

Renda: R$ 1.596.990,00

Cartões amarelos: Alan Kardec, Rodrigo Caio, Calleri (São Paulo); Veizaga, Ramallo, Maldonado (The Strongest)

GOLS:

THE STRONGEST: Alonso, aos 17 minutos do segundo tempo

SÃO PAULO: Denis; Bruno, Rodrigo Caio, Lucão e Mena; Hudson (Calleri), Thiago Mendes, Centurión (Rogério), Paulo Henrique Ganso e Michel Bastos; Alan Kardec (Kieza)

Técnico: Edgardo Bauza

THE STRONGEST: Vaca; Pereyra, Maldonado e Marteli; Chumacero, Castro (Bejarano), Veizaga, Cristaldo e Pablo Escobar; Ramallo (Torres) e Alonso (Neumann)

Técnico: Mauricio Soria

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