Santa Casa de Campo Grande realiza transplante renal com doador vivo

A equipe multidisciplinar da Santa Casa de Campo Grande realizou no dia 21 deste mês o primeiro transplante renal com doador vivo após quatro meses da retomada do serviço, que ocorreu em 12 de março. O receptor do órgão tinha insuficiência renal crônica e há 11 anos era submetido à diálise – processo artificial que substitui as funções dos rins.

24rim

O procedimento durou cerca de 5 horas e foi realizado em salas cirúrgicas interligadas, com equipe médicas qualificadas composta por urologistas, nefrologistas, cardiologistas, anestesiologista e equipe multidisciplinar (enfermagem, nutricionista, fisioterapia, farmacêutico, psicóloga, assistente social entre outros) atuando simultaneamente junto ao doador e receptor do órgão.

De acordo com a equipe médica, o paciente receptor, de 47 anos, passa bem e já está urinando — sinal de que o rim transplantado está em pleno funcionamento e que o procedimento foi um sucesso. A doadora, de 41 anos, também passa bem. O período de pós-operatório imediato já foi superado e ambos estão na enfermaria do hospital.

Segundo a médica nefrologista Viviane Orro, o sucesso do procedimento deve ser creditado a todos os membros da equipe multidisciplinar da Santa Casa. “Nós reiniciamos o transplante no momento certo. Hoje, a equipe multidisciplinar está capacitada e treinada para realizar com êxito esse tipo de procedimento. Nós estávamos analisando caso a caso, fazendo adequações na parte estrutural do centro cirúrgico, ajustando os protocolos médicos e refazendo todos os exames de alta complexidade e triagem de cada paciente. É necessário que o processo seja minucioso para se obter um maior índice de sucesso e ainda para garantir a segurança do transplante”, explicou.

Doação de órgãos

Hoje, cerca de 200 pacientes estão na lista de pessoas aptas a receber um transplante renal e o procedimento só é possível ser realizado através de doadores compatíveis vivos ou falecidos.

Viviane Orro acrescenta que é necessária a conscientização dos familiares sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. “Apesar de os pacientes serem diagnosticados com morte encefálica ou cerebral, geralmente a família não quer doar os órgãos, iniciativa que muitas vezes é a única chance de outras pessoas terem uma vida normal e saudável”, destacou.

“Muitas vezes perdemos a oportunidade de realizar um transplante porque os familiares não querem doar, seja por questões culturais ou até mesmo por falta de informação e precisamos mudar este quadro. Já existe uma lista de pacientes aguardando um órgão e a equipe está pronta para transplantar”, disse.

Para ser doador não é necessário deixar nada por escrito, mas é fundamental comunicar a família sobre o desejo da doação, pois de acordo com a legislação dos transplantes no Brasil, a iniciativa deverá ser consentida pelo familiar de até 2º grau. Isso porque é ele quem irá decidir por você e deverá fazê-lo por escrito. Essa conversa é fundamental para subsidiar a decisão da família no momento de se doar os órgãos.

A Santa Casa conta ainda com uma Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Transplante de Tecidos (CIHDOTT), que é responsável por analisar e levantar potenciais doadores.

Mais informações: Ambulatório de Nefrologia da Santa Casa pelos telefones (67) 3322-4243/ 3322-4322.

Comentários

comentários