Santa Casa alerta a mais aumento de casos de gripe nos próximos meses em Campo Grande

Diretores da Santa Casa concederam coletiva a imprensa nesta manhã (Foto: Lúcio Borges)
Diretores da Santa Casa concederam coletiva a imprensa nesta manhã (Foto: Lúcio Borges)

O maior hospital de Mato Grosso do Sul, a Santa Casa de Campo Grande, fez um alerta nesta sexta-feira (3) para a incidência da gripe, H1N1 e outros vírus, aumentar muito nos próximos dois meses. Os casos, que até já estão sendo classificado como surto, obteve uma grande evolução em Maio, vinda dos meses anteriores de 2016, e, pode ficar ainda pior em junho e julho, devido ao período ser propicio para a circulação e contaminação com o vírus. Hoje, a direção do hospital reuniu a imprensa para falar sobre os últimos números e fazer a recomendação de maiores cuidados pela população e mesma das autoridades de Saúde ante que já ocorreram 32 mortes em todo o Estado, sendo dez óbitos pela gripe, que envolve os vírus H1N1 e H2N3, somente na Capital. MS tem 615 casos suspeitos em todos os municípios, o que pode piorar ainda mais a situação do hospital.

O aumento ainda maior é previsto devido ao inverno, sendo que a atual realidade vem de “um surto precoce” já ocorrido, que reforça a condição para as próximas semana, de acordo com o diretor técnico da Santa Casa, Mario Madureira e a coordenadora do CCH, a medica infectologista, Priscila Alexandrino, que repassaram dados da realidade do hospital. “Hoje há 24 suspeitos internados com a gripe, sendo cinco já confirmados, seis deram negativos, mas continuam na unidade, e 13 estão à confirmar. Nos dois últimos meses, somente na Santa Casa foram 21 pacientes confirmados, com cinco mortes. Do total, 16 aconteceram em maio com três óbitos. Como vemos que houve uma antecipação, um surto precoce, devido as em tese baixas temperaturas fora de época. Com isso, os mesmo de inverno e com estatísticas históricas, tende a piorar”, explicou a medica.

Conforme a especialista no hospital houve um aumento de mais de 200% no consumo de antibióticos, mas que o alerta não é para ser alarmista e prever o ‘caos’, mas que seja um provocador para prevenção. “Já vemos a realidade antecipada ou não, que já acontece nos meses de junho e julho, onde as pessoas ficam juntas, fechado e começa a soltar o vírus até antes de saber que está realmente gripado. Este mês já é mais propicio e o que vemos agora com o frio antecipado. O piorar é porque já aconteceu e o vírus já está solto e vem mais dele, as pessoas pegaram e soltaram mais vírus no ar e naqueles locais com maior concentração e que ficam fechado. Então devemos até o mais possível evitar este locais”, mencionou a infectologista.

A medica explica que as pessoas contraem o vírus e o elimina ou repassa mesmo antes de ‘cair doente’. “As pessoas já infectadas com um dos vírus e 24 horas antes de aparecer ou piorar, mostrar os sintomas externamente, já começa expelir o vírus. Assim, antes da pessoa ficar de cama, estando até ‘boa’, já repassa seu vírus a terceiros, ainda mais em locais com mais gente e fechado, pois há menos ar ou modo de circular o ar renovado e como diz popularmente, respiramos o mesmo e este contaminado, passa de um para outro”, ressalta Priscila.

Situação hospitalar a piorar

Para o diretor técnico, a situação do surto que pode virar epidemia ou algo mais grave, dentro das terminologia da Saúde Pública, pode piorar, tanto para vida pessoal de cada cidadão, como para o hospital, que atuará na situação, mas deixará outra área com menos atendimento. “O H1N1 vem dá uma pimenta, agravante para a Santa Casa, porque aumenta mais a super lotação, recorrente, mas até ainda atendendo, internando menos gente. O fato é que se retira leitos para mais gente, pois quando se há um quarto com isolamento que deve ser feito, caberia ou se retira pelo menos três pacientes que viriam, mas não estão ou poderão vir para o hospital e ficaram esperando por mais tempo ou internados em outras unidades”, apontou Madureira.

A Santa Casa não seria unidade para tratar a doença, mas até poderá concentrar os casos de maior gravidade. O HU (Hospital Universitário), por ser de todo do setor público, foi a unidade apontada como referencia. Mas por sua estrutura não estará dando conta da demanda, como já vem ocorrendo ou porque a Santa Casa já é procurada em primeira mão.

“O HU é referencia para o H1N1, mas o sistema de regulação tem encaminhado para a Santa Casa ou mesmo a população já procura diretamente, o que deveria ser feito nos postos de Saúde. Não foi determinado, nós não acordamos nada com Poder Público, mas naturalmente seremos mais atingidos, pois somos o hospital com maior contratualizado do SUS e temos 100 UTIs, enquanto o HU tem oito e o Regional 30. É preciso perguntar para o gestores públicos se reservaram recursos para este período ainda mais critico”, analisou Madureira.

Mas o diretor lembrou que “enquanto tiver ocupando o espaço para o H1N1, outros pacientes não teram área. Um exemplo é no que tange a maior vocação, o trabalho da Santa Casa, que é o trauma. Ficaremos com este ou outras especializações sem lugar, pois para frisar, onde estará um isolado, outros três não entram”, mencionou.

Dados estadual

A Secretaria do Estado de Saúde confirmou mais sete mortes por H1N1 e o saldo em Mato Grosso do Sul chegou a 32. Segundo o boletim epidemiológico, divulgado nesta quarta-feira (1º), foram confirmados 166 casos da doença em 30 municípios.

De acordo com o boletim, no estado tem 615 casos suspeitos em todos os municípios. A Capital, Dourados e Naviraí são as cidades que têm mais confirmações da doença com 43, 20 e 14, respectivamente. Outras 403 pessoas estão em isolamento.

 

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