“Saneamento ecológico transforma problema em solução”, diz especialista

Adriana Farina Galbiati trabalha com saneamento ecológico. (Foto Divulgação)
Adriana Farina Galbiati trabalha com saneamento ecológico. (Foto Divulgação)

O esgoto é um grande problema, principalmente, nas grandes cidades, mas a técnica de saneamento ecológico pode transformar este problema em uma solução. Isto é o que afirmou a Engenheira Ambiental, Adriana Farina Galbiati, durante a V Semana Acadêmica do Curso de Engenharia Ambiental (SEMEA), na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Dourados.

A professora é especialista em permacultura que é o planejamento do design dos sistemas humanos sustentáveis em equilíbrio com a natureza. Dentro deste conceito está o saneamento ecológico que não encara o esgoto como algo que tem que ser mandado para longe para ser tratado.

“A gente pensa no problema que é o esgoto, o que a gente tem de problema? Tem água, nutrientes, matéria orgânica. Então ele pode ser a solução para quê?  Para crescer plantas, irrigar plantas frutíferas, aproveitar galhos e folhas de árvores que iriam para o lixão. Muito se diz que não é possível viver sem impacto, mas o impacto pode ser positivo ao invés de negativo, reconstituindo o ambiente, pois ali a água vai voltar para o lençol freático num processo mais natural”, explicou.

O exemplo de saneamento ecológico dado pela professora foi o círculo das bananeiras, sistema em que é aproveitada a chamada água cinza, que é toda a água utilizada na casa, menos a do vaso sanitário.  Neste sistema o cano da água da pia, por exemplo, que iria para o esgoto vai para o círculo das bananeiras, que é um buraco cheio de matéria orgânica seca (madeira, folha seca, galhos) e se joga o esgoto lá dentro. Essa matéria orgânica vai filtrar a água cinza impedindo de prejudicar as raízes das plantas que vão estar em volta.

“As pessoas sempre me perguntam se o sabão e a água sanitária vão prejudicar as plantas e eu digo que é pior jogar isto tudo na água, pois no solo os micro-organismos que vão trabalhar, degradar e reintegrar estes elementos. Existem muitos produtos com componentes químicos que não são degradados na água. No solo mesmo que eles continuem sendo poluentes eles vão ficar centralizados em um local onde eles podem ser tratados ao longo do tempo e não vão ser dispersados no ambiente”, enfatizou Adriana.

O círculo das bananeiras permite que cada residência coloque a água com nutriente no seu próprio jardim, produzindo alimento e paisagismo. “A água vai direto do cano para o sistema, você não fica nem sabendo, só é preciso fazer a manutenção como é feita em qualquer jardim. Usamos a bananeira, porque ela cresce rápido, absorve muita água e gosta deste ambiente com muita matéria orgânica, mas tem outras plantas também podem ser plantadas como a batata doce, acerola entre outras”, sugeriu.

V Semea

A V Semana Acadêmica do Curso de Engenharia Ambiental (SEMEA)  da UEMS iniciou nesta segunda-feira (19) e vai até sexta-feira (23) com o tema “Engenharia e Meio Ambiente: Desafios e Oportunidades”. Dentre as atividades estão palestras, minicursos e visitas técnicas.

Para conferir a programação completa clique aqui.

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