Risco de câncer ao comer bacon é o mesmo que se expor a amianto ou tabaco?

Consumo de 50 gramas de carne processada por dia aumenta o risco de câncer colorretal em 18% (Foto: Divulgação)
Consumo de 50 gramas de carne processada por dia aumenta o risco de câncer colorretal em 18% (Foto: Divulgação)

Os amantes de embutidos como bacon, linguiça e salsicha podem respirar aliviados. Apesar de a Iarc (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer), parte da OMS (Organização Mundial da Saúde), ter afirmado nesta segunda-feira (26) que o consumo de carne processada favorece o desenvolvimento de câncer colorretal, é preciso muito mais do que um pedaço de salame para desenvolver a doença.

Esse tipo de alimento foi colocado no grupo 1 de risco da agência, que inclui produtos com tabaco, álcool, amianto e radiação solar e significa que há evidências científicas suficientes de que determinado agente causa câncer em humanos.

Como lembra o cirurgião oncologista Samuel Aguiar Jr., diretor do Núcleo de Câncer Colorretal do A. C. Camargo, há uma grande diferença entre consumir bacon e se expor a substâncias como amianto e o tabaco. “Quando você compara o valor do risco ele não é como o do cigarro, por exemplo, em que a recomendação não é fumar menos, mas não fumar. A recomendação é de que você não inclua essas carnes na sua dieta regular, evitando o consumo excessivo”, explica.

Os pesquisadores chegaram à conclusão de que o consumo de 50 gramas de carne processada por dia aumenta o risco de câncer colorretal em 18% o que, segundo Camargo, não significa eliminar esse tipo de alimento da dieta, mas sim tirá-lo do dia a dia. “Embutido não deve fazer parte da dieta diária”, afirma.

A carne processada é aquela que foi modificada para melhorar seu sabor ou sua preservação por meio de salga, secagem, fermentação, defumação ou outros processos. A maioria delas contém carne de porco ou de boi, mas também pode ter outros tipos de carne ou produtos como sangue.

Segundo os pesquisadores, tanto durante o processamento quanto no cozimento das carnes embutidas pode haver produção de químicos carcinogênicos –como aminas heterocíclicas aromáticas e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, também achados na poluição do ar, por exemplo. No entanto, esse mecanismo ainda não é possível definir exatamente como isso ocorre.

A própria Iarc ressalta que a classificação feita pela agência se baseia na evidência de que existe um risco, mas não trata do nível dessa probabilidade.

“Para um indivíduo, o risco de desenvolver câncer colorretal por causa do consumo de carne processada se mantém pequeno, mas esse risco aumenta com o aumento da carne consumida”, diz Kurt Straif, chefe do programa de monografias da agência.

“Com base no grande número de pessoas que consomem carne processada, o impacto global sobre a incidência de câncer é uma questão de saúde pública.”

O consumo de carne vermelha, por sua vez, foi classificado como “provavelmente carcinogênico”, com base em evidências limitadas de que comer esse tipo de carne causa câncer. Essa associação foi observada principalmente para câncer colorretal, mas também para câncer de pâncreas e próstata.

Mais de 800 estudos foram avaliados para que a agência chegasse a essas conclusões.

UOL

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