Réu em 5 processos, Lula diz que “se necessário” será candidato outra vez

Apesar de não ter sido lançado oficialmente como pré-candidato do PT à Presidência da República nas eleições de 2018, lideranças do partido e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que participam nesta quarta-feira (11) do 29º Encontro Estadual do MST, em Salvador (BA), afirmaram que Lula é “candidato permanente”.

O próprio Lula disse que “se for necessário” vai ser candidato outra vez. “Se preparem, por que se for necessário, vou ser candidato outra vez. Não para disputar, mas para ganhar. E recuperar a autoestima desse país, a economia, a credibilidade”, disse.

Lula chega em evento do MST (29º Encontro Estadual do MST na Bahia) em Salvador (Foto: Franco Adailton/UOL)

Ele afirmou ainda que vai percorrer o Brasil para recuperar a imagem do PT. “Eu não vou desonrar minha mãe, pois ela me ensinou a nunca pegar nada de ninguém. Eu ando de cabeça erguida”, acrescentou.

Durante o evento, que acontece no Parque de Exposições Agropecuárias, na capital baiana o presidente nacional do MST, João Pedro Stédile, afirmou que ter Lula como candidato à presidência é a vontade do “povo brasileiro”. “Aqui está o contingente de militantes que há 30 anos lutam para ver a terra dividida. Nós não precisamos desse evento para lançar o Lula presidente, porque ele é o candidato permanente do povo pobre brasileiro”, afirmou.

Stédile disse ainda que a saída para a crise econômica que o Brasil enfrenta é política e questionou a representatividade do atual presidente Michel Temer. “A burguesia fechou com Temer, mas ele não reapresenta nada, é aprovado apenas por 8% da população”, disse.

O presidente do PT, Rui Falcão, no entanto, afirmou que o partido ainda não tomou a decisão de se Lula será ou não o candidato à Presidência da República nas eleições de 2018. “O PT ainda não tomou essa decisão, mas sentimos que é um clamor nacional, dos trabalhadores, de vários campos da sociedade, de que Lula deva ser candidato”, disse.

Durante o seu discurso, Lula defendeu o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, alvo de investigações da Operação Lava Jato. “Quando o indiquei, muitas vezes disseram que ele era incompetentemente, mas ele ajudou a maior capitalização da Petrobras na bolsa de São Paulo e hoje é acusado injustamente”, disse.

O ex-presidente disse que a crise na estatal teve início depois de o Brasil descobriu o pré-sal. “A Petrobras descobriu uma das maiores reservas de petróleo no Iraque. Saddam Hussein tomou da Petrobras, os americanos foram lá e invadiram o país com George Bush”, disse concluindo que a participação do governo americano no que chamou de golpe e da “parceria com [Sérgio] Moro” — juiz federal responsável pelos processos da Lava Jato — precisa ser investigada.

“A bancada do PT tem a obrigação de investigar a participação do governo americano no golpe, em parceria com Moro. O Brasil é independente há 500 anos e não vamos aceitar interferências estrangeiras”, disse.

Lula disse ainda que nunca imaginou passar pelo o que está passado. “Eles não estão apenas tentando me criminalizar, mas criminalizar meu governo”, lamentou.

A presença do ex-presidente tem o objetivo de unificar bandeiras e aproximar o PT dos movimentos sociais. O PT pretende lançar Lula como candidato a Presidência em 2018.

Ao nomear Lula candidato, o PT tem dois objetivos: reforçar a defesa de Lula, réu em cinco processos. Os defensores da ideia acreditam que, ao se colocar publicamente como candidato, o ex-presidente poderá se blindar parcialmente da força-tarefa em Curitiba. Em segundo lugar, o partido tiraria proveito da baixa popularidade do governo Michel Temer (PMDB).

A pré-candidatura de Lula reforçaria o discurso do PT, que acusa a Lava Jato de querer criminalizar as ações de seu líder máximo e do partido. Das cinco ações penais, três delas partem da Operação Lava Jato, capitaneada pelo juiz federal Sergio Moro. Paralelamente, o ex-presidente também é investigado pela Polícia Federal. (Com UOL)

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