Retenção de recursos motivou suspensão de consultas na Santa Casa

O presidente da Santa Casa, Wilson Tedesco apontou, durante entrevista ao programa Tribuna Livre, da Capital FM, e ao portal Página Brazil, as razões da interrupção das consultas ambulatoriais pelo hospital desde a terça-feira (5): “os recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) relativos a abril, para a cobertura dos gastos com atendimentos ambulatoriais, mesmo cobertos por contrato, foram retidos pela prefeitura, gestora dos recursos que são liberados pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual”. “Os valores destinados ao custeio das consultas ambulatoriais são compostos por aproximadamente 60% repassados pela União através do SUS; 20% são aporte do município e 7% do Estado”, explicou. Segundo o presidente do hospital, “em abril, aproximadamente 40% do total desses valores, que deveriam ter sido repassados para cobrir os custos com atendimentos ambulatoriais, não foram disponibilizados por falta de um novo contrato”. Teslenco defendeu que a decisão de suspender as consultas ambulatoriais “não foi solitária”. “Ela considerou as comissões municipal e estadual de saúde” e teve por propósito “reivindicar soluções definitivas, duradouras”.

Para o presidente do hospital, a suspensão das consultas ambulatoriais se impôs à medida em que não houve evolução na negociação nos últimos meses. “Precisamos de uma solução definitiva para garantir o atendimento. O que for definido, que seja pactuado. E a medida que outros entes entrem – o governo do Estado, a União -, que isso seja pactuado.” Teslenco explicou que “a suspensão considerou que, nesse tipo de atendimento, as consultas são marcadas e não têm características de urgência e emergência”.

O presidente defendeu que o hospital “tem contratos com obrigações sérias a serem cumpridas, que exigem recursos garantidos, por responsabilidade das partes”. “Saúde não pode ser tratada desse jeito, sem previsão de redução de serviços para adequação de custos. Um contrato de 10 anos não pode ser prorrogado por quatro meses, depois por mais um mês…Daqui há pouco teremos contratos quinzenais!”, ironizou. “Os contratos de fornecedores da Santa Casa vencem, em média, a cada 90 dias. A prefeitura não pode tratar o hospital como se não fosse precisar da Santa Casa daqui há 90 dias. Estamos caminhando na escuridão”, desabafou.

Silvio Ferreira

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