Repasse de Eike ao PT foi entregue ao casal Santana, diz MPF

O procurador da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou nesta quinta-feira (22) que os pagamentos de cerca de R$ 4,7 milhões feitos, segundo o MPF, pelo empresário Eike Batista ao PT a pedido do ex-ministro Guido Mantega foram entregues a Mônica Moura, mulher do ex-marqueteiro do PT João Santana.

O ex-ministro Guido Mantega chega à sede da PF em SP (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo)
O ex-ministro Guido Mantega chega à sede da PF em SP (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Segundo Lima, a informação vem do depoimento de Eike como testemunha e de contratos apresentados por ele. Lima afirmou que Mônica Moura não prestou depoimento nessa fase da operação.

“Ele [Eike] afirmou que houve pedido de Guido Mantega que foi operacionalizado por Mônica Santana e que houve um contrato entre Mônica Santana e a empresa estrangeira de Eike para prestações de serviço. Essas prestações de serviços não ocorreram ou ocorreram de forma limitada”, afirmou o procurador.

De acordo com Lima, Mônica Santana indicou primeiramente a conta da Polis Caribe para ser receptora desses valores e depois foi feito um segundo contrato com a Shell Bill. “Ambas são sabidamente do casal Santana, a Shell Bil também é sabidamente do casal Santana. Os valores chegaram na mão do casal Santana”, disse.

Segundo o procurador, o fato de os repasses atenderem a pedido de Mantega e terem sido feitos ao casal indica que os recursos serviram para pagar dívidas de campanha de 2010, quando Santana foi responsável pela campanha presidencial de Dilma Rousseff.

“Supomos que essas dívidas eleitorais sejam da campanha eleitoral de 2010”, afirmou, acrescentando que o objetivo dos pagamentos ainda depende de maior aprofundamento das investigações.

34ª fase

A 34ª fase da Lava Jato, batizada de Arquivo X, investiga a contratação, pela Petrobras, de empresas para a construção de duas plataformas de exploração de petróleo na camada do pré-sal, as chamadas Floating Storage Offloanding (FSPO´s).

Segundo a PF, as empresas Mendes Júnior e OSX – da qual Eike era presidente do Conselho de Administração – se associaram na forma de consórcio para obter os contratos de construção das duas plataformas, mesmo sem possuir experiência, estrutura ou preparo para tanto. A PF afirma que houve fraude do processo licitatório, corrupção de agentes públicos e repasses de recursos a agentes e partidos políticos responsáveis pelas indicações de cargos importantes da Petrobras.

De acordo com a PF, em 2012 Mantega “teria atuado diretamente junto ao comando de uma das empresas para negociar o repasse de recursos para pagamentos de dívidas de campanha de partido político da situação”. “Estes valores teriam como destino pessoas já investigadas na operação e que atuavam no marketing e propaganda de campanhas políticas do mesmo partido”, continua a PF.

Mantega foi preso temporariamente na manhã desta quinta-feira. Segundo o advogado dele, José Roberto Batochio, o ex-ministro foi preso no hospital onde estava com a mulher, que passou por uma cirurgia. “Ele está sendo retirado da sala de cirurgia por policiais nesse momento”, disse Batochio ao G1 às 7h50. A PF afirma que foi até as proximidades do hospital e fez contato telefônico com Mantega, “que se apresentou espontaneamente na portaria do edifício”.

Detalhes da investigação

O MPF diz que o consórcio Integra Offshore, formado pela Mendes Júnior e OSX, firmou contrato com a Petrobras no valor de US$ 922 milhões, para a construção das plataformas P-67 e P-70, que são unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo voltadas à exploração dos campos de pré-sal, em 2012.

Ainda segundo o MPF, as consorciadas, “que não detinham tradição no mercado específico de construção e integração de plataformas”, viabilizaram a contratação pela Petrobras “mediante o repasse de valores a pessoas ligadas a agentes públicos e políticos”.

As investigações apontam a transferência de cerca de R$ 7 milhões, entre fevereiro e dezembro de 2013, pela Mendes Júnior para um operador financeiro ligado a um partido político e à diretoria Internacional da Petrobras, já condenado no âmbito da Operação Lava Jato, segundo o MPF. Os repasses foram viabilizados mediante a interposição de empresa de fachada, que não possuía uma estrutura minimamente compatível com tais recebimentos, segundo os procuradores da Lava Jato.

Ao longo das investigações também foi identificado o repasse de mais de R$ 6 milhões pelo Consórcio Integra Offshore com base em contrato falso firmado em 2013 com a Tecna/Isolux. O valor, ainda segundo o MPF, teria sido transferido no interesse de José Dirceu, que está preso pela Lava Jato, e de pessoas a ele relacionadas.

Os procuradores declararam também que empresas do grupo Tecna/Isolux repassaram cerca de R$ 10 milhões à Credencial Construtora, já utilizada por Dirceu para o recebimento de vantagens indevidas. (G1)

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