Reforma do Instituto Lula teve arquiteto pago pela Odebrecht

Funcionário da prefeitura de São Paulo, que tentou regularizar uma mudança no prédio, recebeu R$ 40 mil da empreiteira

Instituto Lula. Foto Alice Vergueiro Futura Press
Instituto Lula. Foto Alice Vergueiro Futura Press

Superintendente da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB-SP) e ex- secretário-adjunto de Habitação e de Licenciamento na gestão do prefeito Fernando Haddad, o arquiteto Paulo Ricardo Giaquinto foi responsável por uma reforma no prédio do Instituto Lula, no Ipiranga, em São Paulo.

Giaquinto protocolou na subprefeitura do bairro um auto de regularização de uma reforma no Instituto Lula, para legalizar melhorias feitas no imóvel, perante à subprefeitura do bairro. É o que mostra um documento obtido pela revista ÉPOCA. O pedido foi reprovado em 10 de novembro de 2011. Houve dois pedidos de reconsideração, mas a regularização foi novamente negada em 3 de fevereiro de 2012 e 27 de junho de 2012. Em 2013, Giaquinto recebeu pelo menos R$ 40 mil da construtora Odebrecht.

“A reforma era uma ampliação da garagem. O projeto de regularização tinha uma ampliação na garagem, porque foi feito um auditório e mais uns pequenos acertos”, afirmou Giaquinto a ÉPOCA. Sócio do escritório Lowenthal e Giaquinto, ele admite que recebeu da Odebrecht. Nega, no entanto, que os pagamentos estejam ligados a seu trabalho para o Instituto Lula. Afirma que recebeu porque foi contratado para apresentar a licença de execução de obras do Estádio do Corinthians em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. Para o Instituto Lula, Giaquinto diz que trabalhou de graça. Afirma que apenas participou da etapa de regularização da reforma – não foi o responsável pelas obras.

Requerimento na prefeitura em nome do escritório Lowenthal e Giaquinto. O endereço Rua Pouso Alegre, 21 é do Instituto Lula. Foto: Reprodução

Na Subprefeitura do Ipiranga, o processo administrativo da reforma é poupado do acesso ao público. De acordo com a subprefeita Edna Diva Miani Santos, só falta a apresentação de um documento para a regularização. “Não tem nenhuma irregularidade. É só um documento que está faltando. É simplesmente refazer um desenho que foi feito errado”, afirma. O Instituto Lula não se pronunciou sobre a reforma. A construtora Odebrecht informou que “em pesquisa realizada no curto espaço de tempo desde a chegada da solicitação da revista, a Construtora Norberto Odebrecht identificou pagamentos à pessoa jurídica mencionada por serviços prestados. Nenhum deles, entretanto, relacionados ao Instituto Lula”. (O Globo/Época)

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