Puccinelli coloca tornozeleira e volta para casa: “É bom que investiguem”, diz

Sob a escolta de policiais federais, o ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccineli, chegou por volta das 9h20 da manhã desta quinta-feira, 11, prédio do patronato da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) em Campo Grande, onde colocou a tornozeleira eletrônica. O ex governador chegou em um carro da Polícia Federal.

Ex-governador chegando no Patronato Penitenciário para colocar tornozeleira.

“Estão investigando, é bom que investigue”, se limitou a dizer.

Acompanhado de um agente da PF, André disse que não sabia como será ficar com o dispositivo. “Vou ver o que vim fazer aqui”.

O advogado de Puccinelli, Renê Siufi, chegou logo depois do cliente, e disse estar “confuso em relação ao motivo da condução coercitiva, da tornozeleira eletrônica”. Segundo Siufi, “não tinha motivo para esta condução porque toda vez que foi chamado ele [Puccinelli ] deu explicações”.

Siufi disse que o ex-governador teve de ouvir algumas gravações e responder se reconhecia a voz. “Não tem acusação. André respondeu perguntas. Eles respondeu todas as perguntas”, completou o advogado.

Puccinelli foi alvo de condução coercitiva – quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento. Policiais estiveram em sua casa antes das 6h em cumprimento a mandado expedido.

O ex-governador deixou o prédio do patronato pouco antes das 10h desta quinta-feira (11), após colocar a tornozeleira eletrônica de monitoramento.

Ele saiu em carro próprio e sem escolta da PF (Polícia Federal). Segundo o advogado Renê Siufi, a fiança foi arbitrada em R$ 1 milhão, mas nenhuma restrição foi imposta. Ou seja, Puccinelli poderá deixar Campo Grande se achar necessário.

Ao todo, foram 44 mandados esta manhã. São três prisões preventivas, condução coercitiva e busca e apreensão.

MÁQUINA DE LAMA

Polícia Federal, Controladoria Geral da União e Receita Federal deflagram hoje a quarta fase da Operação Lama Asfáltica – Máquinas de Lama. Objetivo da ação policial é desarticular organização criminosa que desviou recursos públicos com direcionamento de licitações, superfaturamento de obras, aquisição falsas ou ilícita de produtos e corrupção de servidores. A estimativa é de que o prejuízo causado aos cofres públicos seja de aproximadamente R$ 150 milhões.

Ao todo, são cumpridos três mandados de prisão preventiva, nove mandados de condução coercitiva, 32 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas.

A ação conta com participação de 270 agentes, entre policiais, servidores da CGU e da Receita Federal e acontece nas cidades de Campo Grande (MS), Nioaque (MS), Porto Murtinho (MS), Três Lagoas (MS), São Paulo (SP) e Curitiba (PR).

Esta nova fase da investigação resulta da análise dos materiais apreendidos em fases anteriores. De acordo com a polícia, são evidentes as provas de desvios e superfaturamentos em obras públicas, com o direcionamento de licitações e o uso de documentos falsos que justificavam a continuidade e o aditamento de contratos, com a conivência de servidores públicos.

Os valores repassados a título de propina eram justificados, principalmente, com o aluguel de máquinas. As investigações demonstraram ainda que estas negociações eram, em sua maioria, falsas e simulavam origem lícita aos recursos, razão pelo qual a operação recebeu o nome de Máquinas de Lama.

Investigações também apontaram novas motivações para o pagamento de propinas aos servidores e tentativa de lavagem de dinheiro, bem como a obtenção de benefícios e isenções fiscais.

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