Profissionais da saúde destacam eficácia dos procedimentos realizados na Caravana

Os números expressivos de atendimentos da Caravana da Saúde impressionam e indicam o alcance social deste projeto do Governo do Estado, que não só atende a demanda represada pelas filas de espera no SUS como deixa um legado de reestruturação da saúde nos municípios por onde passa. Com estimativa de chegar aos 72,8 mil procedimentos médicos no término desta 11ª edição de Campo Grande, que vai até dia 29, a iniciativa tem se destacado pela eficácia em termos de resultados aos pacientes, na avaliação dos profissionais que fazem os atendimentos no Albano Franco.

Fonoaudióloga Regiane Bergamo
Fonoaudióloga Regiane Bergamo

Estreante na Caravana, a fonoaudióloga Regiane Bergamo conhecia a Caravana da Saúde pela imprensa e se surpreendeu não só com a eficiência do atendimento como pela estrutura que encontrou para realizar os atendimentos. Coordenadora do Serviço de Saúde Auditiva da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), já tinha participado de mutirões de cunho social. “Mas não tão grandiosos. A estrutura aqui é fantástica, na parte física e na organização. Não imaginava um evento desse porte, fiquei espantada com o número de atendimentos”, conta impressionada. A eficácia dos procedimentos no setor de fonoaudiologia é complementada, quando necessário, com encaminhamentos para obtenção de aparelho auditivo por meio da Universidade.

Trabalhando pela quinta vez no evento desde que foi iniciado, no ano passado, o ortopedista Fernando Carpejani atende em dias de Caravana uma média de 40 pacientes por dia. “Vamos praticamente zerar a fila de espera por consulta”, diz, citando pacientes com mais de quatro anos na fila do serviço público. A preocupação do profissional é a segunda fase do atendimento, quando os pacientes são encaminhados para cirurgia, procedimento que não é oferecido pela Caravana.

O radiologista Estevão Barbosa participou de todas as edições da Caravana e avalia o projeto não só a partir dos atendimentos realizados, mas pela regionalização e reestruturação do modelo de saúde do Estado. “As pessoas confundem a Caravana com um mero mutirão, mas ela é muito maior devido à complexidade do pós. O efeito posterior está dando muito mais eficiência à saúde do Estado”, afirmou.

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Entre as implementações que vão facilitar a vida de médicos e pacientes, cita o radiologista, está a criação de um sistema regulador incluindo todos os leitos do Estado e o acesso online aos exames, o que dará maior agilidade nos atendimentos. “O Dia D (dia de mobilização, quando há o maior movimento na Caravana) é para reconhecer a demanda. O pós é que vai resolver a casa”, afirma o médico, citando como exemplo o município de Coxim, onde foi implantado o serviço de hemodiálise, beneficiando 43 pacientes que eram obrigados a se deslocar três vezes por semana a Campo Grande para fazer o tratamento.

Cataratas – Numericamente, a oftalmologia é a maior comprovação da eficiência da Caravana de Saúde, com uma média de 600 cirurgias de cataratas realizadas por dia. Nas dez edições anteriores, 24 mil intervenções cirúrgicas foram realizadas, bem mais do que os 17 mil casos que estavam na lista de espera do SUS no Estado. E com a edição de Campo Grande, a previsão é que outras 12 mil sejam realizados.

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Mas cada um dos casos que formam esses números é uma demonstração do efeito da iniciativa. Sem necessidade de serem sedados e num tempo de operação que dura de cinco a dez minutos, os pacientes têm retirada a catarata – membrada que cobre a córnea e embaça a visão – e saem de óculos escuros e com o colírio para tratar o olho. “É uma cirurgia limpa, não tem sangue. Os pacientes entram cegos e saem enxergando”, afirma o cirurgião Fabio Vieira, coordenador das unidades móveis oriundas da Ribeirão Preto, nas quais são realizadas as retiradas.

Com mais de 150 mil cirurgias de cataratas no currículo, Vieira conta que essa é a cirurgia mais realizada no mundo, uma demanda de 50% das pessoas que atingem os 65 anos, mas poucos têm acesso no Brasil. “A Caravana da Saúde é a “democratização” de procedimentos com uso de alta tecnologia na área saúde”, definiu.

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