Produção de cana-de-açúcar na região sudeste cai 15% no ano

A produção da cana de açúcar caiu 15% este ano, em comparação com 2015, na região de Piracicaba (SP), uma das maiores produtoras do país, segundo o presidente da cooperativa dos plantadores de cana do estado de São Paulo (Coplacana), Arnaldo Antônio Bortoletto. O principal motivo para a queda de produtividade no setor foi o clima desfavorável à cultura canavieira.

Sobra de cana da safra passado é um dos motivos para antecipação (Foto: Seapa/Divulgação)

“O fator climático é o principal motivo da queda de produtividade. No final do ano passado, choveu muito e nós tivemos que colher com um solo muito úmido, o que refletiu na produção deste ano”, afirmou Bortoletto.

A queda de produtividade apontada pela Coplacana também ocorreu em outras regiões de São Paulo. De acordo com dados da União da Indústria de Cana- de- Açucar (Unica), em todo o estado de São Paulo, área colhida de cana de açucar passou de 5.045.885 hectares em 2014 para 4.921.980 em 2015.

Antecipação da safra
A safra de cana de açúcar costuma começar no fim de março e terminar em dezembro. Este ano, por conta da baixa produtividade, o término foi antecipado para outubro, o que acarretou em demissões. “Tivemos que dispensar o pessoal mais cedo e o produtor teve que apertar mais o caixa porque a receita foi menor”, disse Bortoletto.

De acordo com  Bortoletto, a queda na oferta provocou um aumento no preço da cana. “A situação era para estar melhor, porque os preços melhoraram nessa safra, mas nós tivemos em Piracicaba e região uma quebra na produção muita alta mais do que o previsto. Esperamos que a próxima safra melhore para que o nível de endividamento do produtor também melhore, porque ele ainda se encontra muito endividado”, diz.

Com 56% da produção das usinas voltadas para o açúcar e 44% para o etanol, o setor se beneficiou este ano da falta de açúcar no mercado internacional. “A cana tá exportando bem e vendendo bem. Dois terços do que é produzido no Brasil vai para exportação, já o etanol é vendido praticamente apenas para o mercado interno”, afirmou.

O diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região (Recap) Eduardo Valdivia disse que o aumento no preço do etanol era um dos fatores que está impedindo a queda dos preços dos combustíveis, no entanto Bortolleti diz que com a economia desaquecida o preço do etanol não deve se manter em alta.

“Houve um ligeiro aumento no preço etanol, mas agora com o preço aumentando, a demanda deve cair e o preço do etanol deve cair novamente. A demanda tem caído muito. O preço do etanol subiu porque a produtividade foi menor e as usinas produziram mais açúcar do que etanol, pois no momento é mais rentável produzir açúcar”, contou.

Falta de crédito
Para o produtor rural e diretor da Coplacana, José Rodolfo Penatti, além do clima desfavorável, a falta de recursos e o receio com a crise financeira fizeram com que o produtor de cana diminuísse o investimento e, por consequência, a qualidade caiu. “Além de ter chovido demais, não foi feita uma adubação e nem foi aplicado herbicida de maneira necessária, porque com menos dinheiro no bolso, o produtor resolveu economizar”, disse.

Segundo Penatti, também houve falta de renovação do plantio. “Faltou um renovação canavial, ela devia ser em média de 15 a 20% , mas não passou de 10%. A renovação é quando o produtor retira do solo toda a cana plantada e faz um novo plantio, mas como o pessoal estava sem dinheiro para fazer isso, já que para se fazer essa renovação se gasta R$ 15 mil por hectare, a produção foi prejudicada, porque foi feita a colheita de uma plantação muita velha, que já está no seu quarto ou quinto corte”, afirmou.

Ainda de acordo com Penatti, sem crédito disponível, o produtor não teve condições de fazer os investimentos necessários nessa safra. “Os juros estão altos, bem acima do normal. E o crédito está escasso”, reclamou.

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