Presidente da Câmara afirma que caso envolvendo Alceu Bueno é constrangedor

Sem emitir juízos de valor sobre a situação do vereador Alceu Bueno, envolvido no escândalo de exploração sexual de adolescentes, o vereador Mário César (PMDB), presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, afirma que a posição da Casa neste momento, será a de criar a Comissão Especial de Ética nesta quinta-feira (23), durante a sessão ordinária. “Nós não merecíamos passar por isso”, diz ele.

A Comissão deve apurar a possível quebra de decoro parlamentar por parte do vereador Alceu Bueno. “Quebra de decoro é tudo aquilo que vai ferir os princípios éticos de um cidadão normal. É a lisura do que a gente pensa do homem público”, explica Mário César.

O processo da Câmara é independente da linha da raciocínio da justiça, segundo ele, “Uma coisa é a atuação da polícia civil e da Justiça, outra coisa é a ação na Câmara dos Vereadores que é política administrativa”, disse. “Acho que esse caso transcende o corporativismo. Em vista do que está acontecendo no Brasil, o que a sociedade busca da classe política é o modelo comportamental diferenciado. Os vereadores, com toda certeza, vão se posicionar de maneira isenta, com lisura e com tranqüilidade”, promete.

Para isso Mário César afirma ainda que aguarda informações oficiais que devem ser divulgadas amanhã pelo Delegado responsável do caso, Paulo Sérgio Laureto, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

O vereador não confirmou que teria dito que o colega foi induzido a manter relações com as adolescentes, mas também não o isentou da responsabilidade, “Eu apenas narrava os fatos noticiados no inquérito sobre o suposto caso de extorsão e pedofilia envolvendo o colega Alceu Bueno (PSL), quando citei possível ‘indução’ por parte das menores para que o vereador supostamente saísse com elas”, explicou. “Ninguém é obrigado a fazer nada, é uma questão de livre arbítrio”, finalizou

O caso

De acordo com inquérito policial, Fabiano Viana, teria induzido adolescentes a registrarem com microcâmeras encontros com diversas pessoas, incluindo Alceu Bueno, que é pastor evangélico e está em seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Campo Grande.

O vereador foi procurado, em 23 de março, pelo empresário do segmento evangélico Luciano Roberto que invocou a Deus para oferecer ajuda: “Deus te blindou. Caíram umas meninas que iriam te extorquir”. Ele ainda sugeriu apoio de Robson Martins, que passou por situação semelhante, para mediar a recuperação de imagens com Fabiano e uma suposta cafetina.

Três dias depois, Bueno arrecadou com amigos e empréstimos R$ 100 mil para resolver o problema que continuou com novos pedidos de R$ 24 mil e R$ 50 mil, além do financiamento de viagem de uma cafetina até Minas Gerais. Já sem recursos, ele decidiu recorrer à polícia.

Policiais monitoraram novo encontro do grupo, na última quinta-feira (16), quando Luciano e Robson foram presos em flagrante após o vereador entregar R$ 15 mil no estacionamento do hipermercado Walmart, na Vila Célia.

Luana Campos com Redação paginabrazil.com

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