Prefeitura diz que greve já acabou em 83% das escolas da Capital

A greve parcial dos professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) entrou no seu 24º dia, perdendo força, conforme dados apurados pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) junto à direção das 94 escolas. Com base no levantamento, o secretário interino de Educação, Wilson do Prado, informa que nesta quinta-feira há aula em 83% das escolas, sendo que em 48% (45 das 94 unidades) o funcionamento é pleno.

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De ontem, quando um grupo professores fez uma manifestação em frente do Paço Municipal, para esta quinta-feira, o número de escolas onde há adesão total à paralisação caiu quase pela metade, 46%, reduziu de 30 para 16 escolas. A quantidade de unidades onde as escolas estão normalizadas passou de 44 para 45 e o número dos estabelecimentos de ensino onde a adesão é parcial, aumentou de 20 para 33.

Na Escola Manoel Inácio de Souza, os alunos estão em sala de aula e os pais ficam aliviados porque não há risco de comprometimento do ano letivo. “Os professores têm direito de reivindicar melhores, sem necessidade de recorrer a greve, que acaba prejudicando as crianças”, avalia a dona de casa Tatiane Garcia, mãe de Maria Heloisa, 7 anos, aluna do 1º ano.

Os alunos do 9º ano, já preocupados com o risco de não terem formatura ao ano fiinal do ano letivo do ensino fundamental, por causa da greve, recorreram às redes sociais para convencer os professores a permanecer em sala de aula. “A garotada fez uma autêntica campanha”, informa a diretora Maria Edinalva. Um dos primeiros a se sensibilizar pela mobilização dos estudantes foi o professor de geografia Alexandre Rodrigues de Souza.

Na Escola Municipal João Nepomuceno, as aulas também estão sendo ministradas normalmente. Segundo a diretora Valéria Rodrigues, a greve coloca em risco o ano letivo que neste ano começou depois do carnaval e com isto, os alunos estão tendo aula aos sábado. Portanto, não haveria espaço para reposição.

O prefeito Gilmar Olarte avalia que a maioria dos professores defende o entendimento e se opõe ao uso político das reivindicações da categoria. “O direito a greve é legítimo. O que não pode é passar para o lado pessoal, ameaçando a paz e segurança da minha família”, comentou Olarte em relação à atitude de alguns professores que nesta manhã se concentraram em frente da sua residência.

Desde 2011, os professores obtiveram reajustes acumulados de 62,78%, três vezes acima da inflação, que no período ficou em 24,10%. Estes aumentos impactaram em 95% a folha de pagamento dos professores, que passou de R$ 20,7 milhões para R$ 40,4 milhões. O salário-base passou de R$ 1.564.06 para R$ 2.546,06 (de licenciatura).

Segundo o secretário de Administração, Wilson do Prado, praticamente desde a década de 1990, quando foi realizado o último concurso com vaga para normalista, a Prefeitura só contrata professores com nível superior. Desde 2008, com a entrada em vigor da lei complementar 20 (que institui o plano de cargos e carreiras do magistério), o salário do normalista é referência para fixar a remuneração dos professores com nível superior.

“O salário-base do professor com licenciatura será sempre 50% superior ao do que tem nível médio”, explica. Por isto, embora ninguém receba R$ 1.6697,37, que é o salário base inicial fixado no plano de cargos do magistério, elevar de imediato este valor para R$ 1.917,78, como reivindica a ACP, aumentaria em quase R$ 6 milhões a folha de pagamento do magistério, extrapolando o limite de gastos com pessoal da Prefeitura, que não pode exceder 53,03% da receita líquida, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.

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