Prefeito de Londres diz ter coisas mais importantes a fazer do que responder tuítes de Trump

Agência France Press / SF

Donald Trump e o prefeito de Londres, Sadiq Khan – Foto: AFP

Donald Trump criticou neste domingo o prefeito de Londres, Sadig Khan, ao acusá-lo de minimizar a ameaça terrorista, um dia depois dos novos atentados na capital britânica, em que três homens atropelaram vários pedestres com uma van na London Bridge e esfaquearam várias pessoas no sábado (3) à noite.

O prefeito de Londres decidiu ignorar a série de tuítes de Trump, enquanto seus críticos o acusaram de explorar um ataque terrorista para tentar um benefício político, algo que não fez pela primeira vez.

Um porta-voz do prefeito afirmou que Khan “tem coisas mais importantes a fazer que responder a um tuíte desinformado de Trump”.

Trump criticou a tentativa do prefeito de Sadiq Khan de tranquilizar a opinião pública depois que três homens atropelaram vários pedestres com uma van na London Bridge e esfaquearam várias pessoas no sábado à noite.

Trump criticou pelo Twitter a tentativa do prefeito de Londres de tranquilizar população – Foto Reprodução Twitter.JPG

“Ao menos sete mortos e 48 feridos em um ataque terrorista e o prefeito de Londres diz que ‘não há motivo para alarme'”, escreveu o presidente americano.

Trump também escreveu que o ataque de Londres mostra que é o momento de “deixar de ser politicamente corretos” e cuidar “do problema da segurança de nosso povo”.

No sábado à noite, enquanto as informações ainda eram confirmadas, o presidente americano escreveu no Twitter que os ataques ressaltavam a necessidade de uma restrição de entrada nos Estados Unidos de pessoas procedentes de vários países de maioria muçulmana.

Khan, em uma entrevista à BBC algumas horas depois dos ataques, declarou: “Minha mensagem aos londrinos e aos que visitam nossa grande cidade é que mantenham a calma e a atenção hoje. Observarão uma presença maior de policiais, incluindo oficiais de uniforme e armados. Não há razão para ficar alarmados com isto”.

Na resposta a Trump, o porta-voz disse que o prefeito “tem coisas mais importantes a fazer que responder a um tuíte desinformado de Donald Trump, que tira deliberadamente de contexto suas declarações”.

O embaixador americano em Londres, Lew Lukens, apoiou Khan em uma série de tuítes em que classificou como “extraordinária” a resposta dos londrinos e dos serviços de emergência.

“Recomendo a forte liderança de @MayorofLondon, que dirigiu a cidade para frente após esse ataque de ódio”, disse Lukens, citado na conta do Twitter da missão americana no Reino Unido.

“Impróprio de um chefe de Estado”

Esta não é a primeira vez que Trump é acusado de utilizar ataques terroristas para obter um benefício político. E com os londrinos ainda em choque, as palavras do presidente americano provocaram reações fortes dos dois lados do Atlântico.

David Lammy, parlamentar do Partido Trabalhista, escreveu no Twitter: “Barato, desagradável e impróprio de um chefe Estado. O tipo de coisa que faz com que queira abandonar a política em um dia assim. O mal por qualquer lado que observamos”.

Nos Estados Unidos, o ex-vice-presidente Al Gore comentou no canal CNN que não acreditar que “após um ataque terrorista como este seja o momento de criticar um prefeito que está tentando organizar uma resposta em sua cidade”.

Sobre a mencionada restrição de viagens para pessoas procedentes de seis países com maioria muçulmana, que foi bloqueada por tribunais federais americanos, Cecilia Wang, vice-diretora legal da American Civil Liberties Union, escreveu no Twitter: “Temos que ficar indignados quando um presidente explora um crime terrível para fomentar sua política discriminatória e ilegal”.

Em junho do ano passado, após o mortal a uma discoteca em Orlando, Flórida, Trump tuitou: “Obrigado pelas felicitações por ter razão sobre o terrorismo islâmico radical, não quero felicitações, quero dureza e vigilância. Devemos ser inteligentes!”.

A mensagem irritou muitos de seus críticos, que apontaram que o momento seguinte a um atentado que deixou 49 mortos não era o adequado para um candidato à presidência alardear as felicitações recebidas.

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