Precisamos falar sobre Kevin

Michael Franco

Quatro de julho de 2016. Começava a sina de Kevin Wayne Durant, um homem de 2,11 metros, filho da dona Wanda Durant. Nesse dia Durant anunciou seu próximo time, se retirava de Oklahoma e partia para Oakland, defendendo o Golden State Warriors.

Imagine que você é perfeito no que faz, espero que realmente seja, porém o devido reconhecimento jamais chega. Esse foi o caminho de pedras pontiagudas que os pés de Kevin Durant tiveram que pisar, ele era perfeito, mas sempre era o segundo. Em 2006, o jovem Durant de 17 anos foi eleito o segundo melhor jogador do ensino médio. No ano seguinte foi o segundo escolhido do Draft da NBA. Nas temporadas de 2010, 2012 e 2013, ele amargou a segunda melhor votação para MVP, sempre perdendo para LeBron.

Kevin se esforça, arremessa e defendia. No entanto, faltava algo, ele carecia de ser o primeiro, o melhor. Ele sabia que poderia, e merecia, ser. Até a chegada do dia 4 de julho de 2016, ele decide sair da equipe que o draftou, vai buscar seu sonho, sua vontade, seu anel de campeão.

De onde veio essa vontade? Da onde ele tirou essa motivação? Do que adiantaria mudar de equipe sem a garantia de que seria campeão? As respostas para essas perguntas, somente Durant sabe.
                    Criticaram Kevin, o chamaram de mercenário, duvidaram dele. E Durant, mais uma vez, duvidou de quem duvidava dele. Na moderna história do basquete não existe nenhuma outra história remotamente parecida. Ele queria ser o primeiro e foi atrás disto. Ele e sua mãe eram uma só pessoa na mesma vontade. Dona Wanda estava sempre lá nos jogos e chorou com o filho, quando em 2003 ele disse “Eu fui o segundo na minha carreira inteira. Fui o segundo melhor jogador do Ensino Médio, fui o segundo escolhido no Draft, fui o segundo na votação para MVP por três vezes e terminei em segundo nas finais da NBA. Eu estou cansado de ser segundo. Cansei disso”.
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Em cada entrada em quadra do Golden State, Kevin Durant se doava, não desistia. Por mais que o jogo estivesse perdido, nas poucas vezes que isto aconteceu com os Warriors, ele dava o máximo. Parece que lá no fundo de sua alma, para ele, Durant é ainda aquele rapaz magrelo e alto que ficou em segundo no ensino médio e precisa melhorar mais e mais.
E foi assim nas finais desta temporada. Obviamente virão torcedores dos Cavs ou de Oklahoma, que vão odiá-lo, encontrar saídas para dar a vitória e o mérito a outros personagens da partida.
 
Está bem na nossa cara, apontado para nossos olhos e repetirei quantas vezes for necessário. Kevin Durant queria isso, ele fez por si, por sua mãe, ele foi atrás de seu objetivo. Suportou um bombardeio de críticas que não cabiam a ele. Talvez seja isto que podemos tirar destas finais. Ele tinha todos os motivos do mundo para desistir. Não é algo de momento. É amor, o mais puro amor ao esporte e à competição. É a vontade de vencer e de acreditar em si mesmo.
 

Ele fez mais de 30 pontos em todos os jogos, bingo! Por muitas vezes carregou os Warriors e fez com que seus companheiros realizassem grandezas, bingo! Ele pode não ser o melhor ala, pode não ser o melhor arremessador, ou melhor do time.

Mas hoje, campeão da temporada da NBA, eleito MVP, ele pode dizer que finalmente ele é o primeiro. Isso ninguém pode tirar dele.

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