PPS define Athayde como candidato a prefeito, após ‘disputa com Bernal’

Athayde em defesa da "candidatura própria" (Foto: Ivan Silva)
Athayde em defesa da “candidatura própria” (Foto: Ivan Silva)

O PPS (Partido Popular Socialista) dividido protagonizou hoje (23), a primeira convenção partidária para escolha de candidato a prefeito de Campo Grande. Os socialista acabaram por oficializar Athayde Nery, presidente regional, como nome da legenda para a disputa na Capital. Para chegar no resultado, onde havia duas propostas distintas, os filiados se reuniram oficialmente na manhã deste sábado, para definir os rumos da sigla na eleição 2016, entre ter nome próprio ou apoiar em aliança, sendo vice, do atual prefeito Alcides Bernal (PP). A divisão que já vinha sendo externada nas últimas semanas, ficou clara hoje com lideranças e filiados se enfrentando e provocando confusão que marcou o início da convenção, com denúncias até de ‘compra de votos’. A acusação foi de pagamento da anuidade partidária a filiados que apoiassem a pretensão da candidatura própria de Athayde, sendo o escolhido para disputar o Paço Municipal.

A candidatura própria – com Athayde – à Prefeitura de Campo Grande, ratificou também o que ele ou parte do PPS firmou com a Rede Sustentabilidade, para uma aliança a eleição na Capital, como Página Brazil publicou a uma passada. Assim, com 218 votos a favor e 95 contra, os filiados aptos decidiram pela candidatura ante a proposta do grupo da vereadora Luíza Ribeiro, que tentou convencer pela coligação com o PP (Partido Progressista), apontando coerência, para que o partido seguisse aliado a Bernal. O ato eleitoral oficial contou com participação de cerca de 800 antigos e novos filiados, mas somente os pouco mais de 300, é que puderam decidir após o debate entre as duas posições.

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Luíza Ribeiro em sua defesa

O clima foi exaltado em determinados momentos de “gritos de guerra”, com acusações de boa ou má politica, sendo considerado desnecessário por uns ou salutar para outros. O clima também girou o mesmo, nas defesas ao microfone, entre quatro escalados de cada lado para falar das duas teses, que convergiam apenas, na chapa pura para vereadores com 44 postulantes. Ambos os lados, conforme podemos ver no vídeo, se diziam defensor da coerência partidária e pela sobrevivência da sigla já após o pleito eleitoral, como no futuro com ou em preparação a candidatura do PPS à Presidência da República em 2018.

Apesar de candidato, ou mesmo como definiu, defensor da candidatura própria, Athayde se dizia na busca de unidade na legenda. “Seja qual for o resultado o partido vai buscar e sair daqui unido. A convenção é soberana, onde vamos acabar com essa fissura aberta e exposta ao publico. Hoje vamos definir e todos caminhar por uma direção só, pelo bem do partido e não dos nomes colocados”, frisou o presidente-candidato.

Unidade pode continuar com fissura

A unidade, pode não ser concretizada, com busca até de cancelamento na Justiça do ato já de processo eleitoral correndo, pois segundo alguns apoiadores da aliança com o PP de Bernal, o presidente estadual usou da função e do poder econômico para privilegiar sua intenção em ser o escolhido. “Estão pagando boletos atrasados para que filiados votem a favor do Athayde. Estão distribuindo canhotos pagos por pré-candidatos que o apoiam e até sem cerimonia aqui na entrada para se cadastrar como votante apto. Isto é um crime. Estamos registrando e vamos recorrer para termos lisura e fazer um processo democrático, livre e que o que ganhe, leva com moral e continue a escolha limpa de todo o partido”, apontou Cris Steffany, pré-candidata a vereadora, e pelo apoio a Bernal.

Cris Steffany, apontou que os filiados para votar na convenção precisam estar em dia com o partido e até esta sexta-feira (22), vários estavam inadimplentes, mas hoje apareceram como aptos. “Da noite para o dia literalmente, para nossa surpresa, estão aqui para votar e se cadastrando. Mas antes, pegando sua nota com o pessoal da candidatura própria distribuindo boletos pagos”, disse Cris que é diretora da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e foi secretaria de politicas LGBT da prefeitura.

O cientista social Elias Borges, também candidato a vereador, apontou que irá pedir uma auditoria para provar que estiveram usando recursos de ‘todo o partido’ para fornecer a parte dos filiados. “Vou provar que estão usando até dinheiro do partido para pagar a anuidade, que é requerida do filiado, além de faltar esse recurso que iria entrar, vai lesar, faltar no que estão tirando e mesmo usando do fundo partidário. Vamos deixar seguir e depois impugnar. isto é uma vergonha, golpe que já até anteciparam a data da convenção para não dar tempo de quem se filiou recentemente não participar. Ter duas posições não é ruim, que vença o que for escolhido real. Mas, o que é ruim é o que estão fazendo, é imoral para quem se diz ou discursa em ser diferente dos políticos de fora”, acusou.

A vereadora Luíza, apesar de não esconder decepção com o resultado, disse que não vai contestar a votação, mas irá denunciar um dos membros do diretório municipal ao conselho de ética do partido que segundo ela teria feito os pagamentos. Ela lamentou a posição do partido em ir em sentido oposto ao atual prefeito ou a administração que o PPS participa até hoje. “Acho um equívoco. Agora é com ele – Athayde – tomará que tenha sucesso”, disparou.

O agora candidato contestou a acusação de ‘compra de votos’ e disse que não existe regra que impeça os inadimplentes de votarem. A única restrição é para filiados há menos de um mês. Sobre a vitória, disse que pretende fazer uma campanha montada sobre o tripé transparência, eficiência e rapidez.

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