Possíveis cenários para Grécia nos próximos dias

Grécia pode estar a um passo de deixar a zona do Euro – Foto: Globo.com

A suspensão das negociações entre Grécia e credores para a extensão do prazo de pagamento do pacote de resgate pode significar que Atenas não vai pagar o montante de € 1,6 bilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que vence nesta terça-feira, dia 30 de junho. Nesta madrugada, o Parlamento aprovou o referendo do dia 5 de julho, para que a população avalie a proposta dos credores. Em troca de € 15,5 bilhões, os credores exigiram mais aumento de impostos e cortes de gastos. E o governo defendeu que o povo grego diga “não”. Mudanças políticas ainda podem alterar o cenário, mas confira aqui o que está em jogo.

Controle de capitais

A Grécia já anunciou que os bancos permanecerão fechados nesta segunda-feira e que deve adotar o controle de capitais. Não se sabe oficialmente ainda, no entanto, por quanto tempo os bancos ficarão fechados. No Chipre — único caso que já ocorreu na zona do euro —, os bancos permaneceram sem funcionar de 16 a 28 de março de 2013. Antes da confirmação do controle de capitais, o ministro de Finanças, Yanis Varoufakis, chegou a divulgar comunicado afirmando que o controle de capitais não estava entre as preferências do governo. Longas filas se formaram nos caixas eletrônicos dos bancos no domingo, algumas de até 50 pessoas, enquanto o ministro alemão de Relações Exteriores recomendou que turistas que viajem ao país levem dinheiro suficiente para evitar problemas em bancos locais.

Como funciona o controle de capitais

Cada país adota uma forma diferente de controle de capitais. No Chipre, nos caixas eletrônicos, os saques foram limitados a € 300 por dia por pessoa. As transferências de mais de € 5 mil para o exterior estavam sujeitas à aprovação de um comitê especial. As companhias precisavam de documentos para cada ordem de pagamento em transações de mais de € 200 mil, que dependiam de garantia de liquidez. Os pais não podiam mandar mais de € 5 mil por trimestre aos filhos que estavam estudando no exterior. E os cipriotas em viagem ao exterior podiam levar o valor máximo de € 1 mil. Cheques não podiam ser sacados e os limites para cartões de débito e crédito era de € 5 mil.

O que acontece depois de terça-feira?

A Grécia pode não fazer o pagamento ao FMI, mas alguns representantes da zona do euro têm esperança de que o Fundo não declare Atenas imediatamente em calote, mas em atraso. Isso permitiria que o Banco Central Europeu e a zona do euro argumentem que a Grécia ainda não está tecnicamente em default. Assim, evitaria a possibilidade de que outros credores demandem o pagamento e daria ao BCE espaço para continuar financiando os bancos gregos. A diretora-executiva do FMI, Christine Lagarde, defendeu “uma abordagem equilibrada” à crise em comunicado neste domingo.

Linha de crédito do Banco Central Europeu

No domingo, o Banco Central Europeu decidiu continuar a apoiar o sistema bancário grego com a linha de crédito de emergência, os chamados emergency liquidity assistance (ELA), mas o calote pode mudar o cenário. Funcionários do BCE vêm sinalizando que eles podem continuar apoiando os bancos enquanto eles tiverem garantias. No entanto, um calote claro no FMI e nenhum prospecto de financiamento da zona do euro em uma acordo em troca de reformas pode significar que o valor das garantias da Grécia vai se reduzir dramaticamente, acabando com a linha de crédito do BCE.

Repagamento dos títulos nas mãos do BCE

O Banco Central Europeu pode também escolher esperar até 20 de julho antes de suspender seu apoio, quando a Grécia tem que resgatar títulos no valor de € 3,5 bilhões que atualmente estão nas mãos do BCE. Se a Grécia não pagar o que deve, e é improvável que encontre os recursos sem apoio da zona do euro, seria difícil que o BCE continue financiando os bancos gregos.

Saída lenta do euro

Sem apoio do Banco Central Europeu, o setor bancário grego provavelmente vai entrar em colapso e a Grécia terá que introduzir uma moeda paralela, na forma de algum instrumento de dívida para cumprir as obrigações domésticas do governo. Essa moeda paralela pode se tornar a nova moeda grega. Não está claro por quanto tempo a Grécia poderia ou gostaria de manter duas moedas, já que uma delas — os instrumentos de dívidas — passariam por desvalorização muito rápida.

Referendo em 5 de julho

Os gregos podem votar no referendo de 5 de julho em meio a falta de dinheiro, controle de capitais e agitação social. O governo defendeu que a população diga “não” às demandas dos credores, o que alguns políticos gregos e europeus dizem que é um voto para deixar a zona do euro.

No caso de “sim” dos gregos às reformas

A Comissão Europeia, braço-executivo da União Europeia, publicou a proposta dos credores feita em 26 de junho. Se o resultado da consulta popular for a favor das condições dos credores, o governo terá que pedir para negociar um terceiro programa de resgate junto aos credores internacionais. Tais negociações podem levar semanas ou meses porque seriam ainda mais difíceis que aquelas suspensas agora.

Fonte: Globo.com

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